A gente costuma interrogar Deus a cada desgraça que a vida traz. Ao perder um ente querido nós o questionamos, sendo isso natural e aceitável. Uns o compreendem, apesar da dor. Outros o apedrejam e perdem a fé, julgam e culpam sem peso, sem fardo, em busca de uma consciência limpa de erros varridos para baixo do carpete. A vida é momentânea e a morte é breve, ta aí a desgraça. É na morte que vem o arrependimento, o receio, o medo e a dor de não ter vivido ou aproveitado. A gente costuma interrogar Deus, mas costumamos fazê-lo quando a vida traz uma desgraça. Ta aí a morte. Vivemos de mágoas e rancor. A gente costuma reclamar do fardo para não carregá-lo, e é aí que ta a desgraça. Nós interrogamos Deus a cada mágoa que a vida traz, e a cada mágoa a gente deixa se levar pela morte. A gente morre e agradece a Deus por todo o bem que a vida trouxe e a gente deixou virar nada, pó, pura cinza. Então, eis a crença: não renascemos. Porque a vida só traz desgraça, e nós nos conformamos.
Raquel Pezzo














