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É que eu sou fraco, frágil estúpido pra falar de amor mas se for com você, eu vou.
Imaturo. (via docearei)
Gastei uma hora pensando um verso que a pena não quer escrever. No entanto ele está cá dentro inquieto vivo. Ele está cá dentro e não quer sair. Mas a poesia deste momento inunda minha vida inteira.
Carlos Drummond de Andrade
A gente costuma interrogar Deus a cada desgraça que a vida traz. Ao perder um ente querido nós o questionamos, sendo isso natural e aceitável. Uns o compreendem, apesar da dor. Outros o apedrejam e perdem a fé, julgam e culpam sem peso, sem fardo, em busca de uma consciência limpa de erros varridos para baixo do carpete. A vida é momentânea e a morte é breve, ta aí a desgraça. É na morte que vem o arrependimento, o receio, o medo e a dor de não ter vivido ou aproveitado. A gente costuma interrogar Deus, mas costumamos fazê-lo quando a vida traz uma desgraça. Ta aí a morte. Vivemos de mágoas e rancor. A gente costuma reclamar do fardo para não carregá-lo, e é aí que ta a desgraça. Nós interrogamos Deus a cada mágoa que a vida traz, e a cada mágoa a gente deixa se levar pela morte. A gente morre e agradece a Deus por todo o bem que a vida trouxe e a gente deixou virar nada, pó, pura cinza. Então, eis a crença: não renascemos. Porque a vida só traz desgraça, e nós nos conformamos.
Raquel Pezzo
“E outra coisa – não se esforce. Pelo menos, não tanto. Não fique ai remando contra a maré, dando murro em ponta de faca. Veja – se não fora pra ser, não vai ser. Acredite em mim. Coisa boba essa sua tentativa de ir além. E olhe, eu não estou pedindo pra você desistir não, não é isso. Eu só quero que você pense mais, que tenha argumentos melhores.”
Caio Fernando Abreu. (via cambaleei)
Somos homens. E eu vou usar linguagem "de homem", p'ra tentar ficar mais claro. Ninguém nos apalpa no caminho do banheiro, na balada, puxa nosso cabelo ou nosso braço, ou sussurra "vagabundo" no pé do nosso ouvido apenas porque queremos mijar. Ninguém nos encoxa no metrô ou no ônibus, goza na nossa calça ou no nosso ombro, filma escondido a gola da camisa e publica em site pornô. Ninguém fotografa nossa bunda e envia por Whatsapp. Ninguém coloca câmera escondida p'ra filmar por baixo de nossas bermudas na rua. Ninguém pega foto do nosso pau ou vídeo gravado transando p'ra tirar onda com as amiguinhas de como nós somos gostosos e que vagabundos nós somos. Ninguém se vinga de fim de relacionamento expondo nossa intimidade na Internet, p'ra familiares, amigos, chefes. Nenhum taxista, por mais bêbado que estivesse, me levou p'ra um matagal em vez do destino que pedi. Nunca fui seguido na rua, voltando do trabalho, e temi coisa alguma senão perder o celular ou a carteira. Nenhuma mulher nojenta ficou se lambendo ou esfregando a mão enquanto eu atravesso a rua. Nenhum assaltante jamais enfiou a mão na minha calça ou tentou me beijar à força. Ninguém nunca me ameaçou a vida depois de uma bota. Ninguém nunca ameaçou meu emprego a troco de sexo. Nunca tive medo de circular de noite ou de dia e ser vítima de um estupro. Meu salário é oferecido de acordo à minha qualificação e estado do mercado. Só. Minha liberdade sexual é garantida pelos bagos que carrego, e, inclusive, quanto mais mulheres eu colecionar, mais foda eu sou. Ninguém espera que eu largue o trabalho e dedique minha vida a filhos, quando eles nascerem. Ninguém vai me chamar de puto se desejar tomar uma cerveja no fim do expediente. Ninguém vai criar qualquer conceito sobre mim senão baseado nas minhas reais atitudes. Então, fera, veja em quantos pontos supracitados você se enquadra e me conta como é bacana a vida sem essa violência indireta ou direta, como é simples viver assim. Lembra desse papo quando nomear "vitimismo", "mimimi", "falta de rola", "louça p'ra lavar", enfim, os clichês que a gente conhece bem. Não precisa pensar na desconhecida não: pensa na sua mãe, sua irmã, sua companheira, sua filha... Faz o mais forte exercício de empatia do mundo, que é se colocar no lugar delas, volta aqui e me chama de "feministo". Aguardo ansiosamente.
A gente já foi fundo demais, não há mais como cair. De agora em diante, o maior risco que a gente corre é ser feliz.
Gabito Nunes. (via exuberada)