O que é o Dia da Visibilidade Bissexual e qual a sua importância?
“Bissexuais estão apenas confusos.” “Bissexuais transmitem doenças.” “Bissexuais são gays enrustidos.” “Bissexualidade não existe.” Esses comentários clichês todos os bissexuais com certeza devem ter escutado em algum momento na vida. Os esteriótipos sobre os bissexuais tanto na comunidade LGBTIQA + quanto na sociedade, ainda dificultam a construção de uma identidade bissexual mais consciente. Ainda há um certo ceticismo em relação a bissexualidade. Nas séries, novelas, filmes, já vem aparecendo com uma maior frequência personagens bissexuais.
A semana da Visibilidade Bissexual que acontece do dia de hoje até o dia 30, tem o objetivo de conscientizar a comunidade Bissexual sobre as conquistas e o combate a Bifobia que todos os bissexuais passam. Ela foi criada em 1999 na 22° conferência Mundial da ILGA (Associação Internacional de Gays e Lésbicas) que ocorreu em Joanesburgo na África do Sul.
Porque o Dia da Visibilidade Bissexual é importante?
Por que ajuda no combate a discriminação e na visibilidade da identidade bissexual. Muitos bissexuais tem dificuldade de serem reconhecidos dentro da própria comunidade. Somos estigmatizados por causa da “facilidade” de sentir atração afetiva e sexual por ambos sexos. Muitos mitos foram gerados por exemplo, que vamos trair nossos parceirxs e que nunca teremos um relacionamento sério com alguém. Ainda que tenhamos a liberdade sexual de nos envolvermos com qualquer pessoa independente da sua orientação sexual, isso não nós dá o direito de magoar as outras pessoas. É necessário sermos honestos com a gente mesmo e com os outrxs.
Deve-se ter o entendimento que o direito que possuímos de fazermos sexo com indivíduos que sejam homossexuais, heterossexuais, transexuais, não quer dizer que somos promíscuos (essa palavra soa aos meus ouvidos de uma maneira bem cafona e puritana), mas sim porque há pessoas bissexuais que estão numa vibe diferente. Um lance corriqueiro também que nos dizem é que temos mais chance de ficar com alguém, e que nunca ficaremos sozinhos. Uma grande falácia. Há bissexuais que se envolvem quando há sentimento, nem todos são iguais.
Outro motivo não menos relevante é que os bissexuais possuem altas taxas de depressão, ansiedade, angústia e suicídio, de acordo o que aponta uma pesquisa australiana. A Bifobia sofrida pelos bissexuais, causa transtornos emocionais muito significativos. Um estudo feito por uma Universidade Americana em 2017, confirma isso. É de extrema importância levar a saúde mental a sério, deve haver políticas de prevenção, pois isso não é frescura, é cuidado! E tem mais, segundo o informativo Livres e Iguais das Nações Unidas, as pessoas bissexuais correm mais o risco de sofrerem com a violência sexual principalmente as mulheres bissexuais. Nos Estados Unidos foi constatado que quase 1 a cada 2 mulheres bissexuais já relataram terem sofrido estupro, o que é 3 vezes mais do que a média para mulheres lésbicas e heterossexuais; E 75% das mulheres bissexuais reportaram já haver enfrentado outras formas de violência sexual. Os homens bissexuais também passam pela mesmo sofrimento.
Existem várias organizações internacionais e nacionais que lutam pela causa bissexual como a https://biresource.org, http://www.bisexualorganizingproject.org, http://www.americaninstituteofbisexuality.org, http://www.binetusa.org, https://institutolegado.org, https://actibistas.blogspot.com/p/acerca-de-nos.html entre outras.
Mas é a bandeira? Quem a criou?
A bandeira foi criada pelo ativista americano Michael Page em 1997. Ela acabou se tornando o símbolo da comunidade bissexual, uma representação da identidade bissexual cuja a mesma se encontrava marginalizada na sociedade e dentro da comunidade LGBT. A cor rosa representa a atração pelo mesmo sexo (homossexuais, lésbicas). A azul representa a atração por pessoas do sexo oposto (heterossexuais). E a cor do centro, a púrpura, representa a atração por ambos os sexos, a bissexualidade em si.
Há muito a ser feito para os bissexuais terem o devido respeito e reconhecimento, principalmente a bissexualidade masculina! Estudos científicos já comprovaram que a bissexualidade existe. Só porque você não é não quer dizer que não exista. O filósofo Francês Blaise Pascal já dizia que: “O homem está sempre disposto a negar tudo aquilo que não compreende.” A cada dia mais celebridades estão saindo do armário se definindo como bissexuais. Sofrem críticas? Sim, muitas. Por preconceito, por acharem que estão querendo mais mídia, por acharem que é covardia em não se assumir gay… A mudança sempre é demorada e lenta mas nós bissexuais podemos educar as outras pessoas sejam da comunidade LGBT ou da sociedade, a entenderem a bissexualidade como ela é. Também pressionar os governos a adotarem políticas anti-discriminatórias que incluíam os bissexuais na pauta tanto nas áreas da saúde, social, educacional e jurídica.