Tom Neely nasceu em Paris, Texas e agora os quadrinhos do Mickey Mouse e Reneé Magritte. Esses dois são tendências realmente bem claras no seu quadrinho.
É a história de um cara comum que é seguido por essa mancha preta, que vai o envolvendo e o contaminando, por mais que ele tente resistir. E eis que ele conhece uma mulher, que o ensina a controlar a mancha preta e usá-la para o bem, o problema é que o cara comum se apaixonou por ela.
Com um desenho extremamente cômico e característico dos desenhos antigos de Mickey Mouse, o autor consegue encantar, trazer personalidade aos personagens e deixá-los carismáticos. A história quase não tem diálogos, mas a narrativa gráfica é bem satisfatória. Apesar de tudo ela é bem chocante e realmente causa incômodo ao ler. É cheia de metáforas e questões a se pensar, daquelas obras que você pode ler várias vezes e tirar várias lições.
Indicado: Para os que curtem algo meio abstrato e que precisa de uma reflexão pós-leitura.
Contra-indicado: Para aqueles que gostam de HQs diretas, sem enrolação.
Inicialmente publicada em uma revista que compilava mangás para meninos, Gen ganhou publicação própria e fez muito sucesso entre adultos, conseguindo fazer fama no Ocidente - onde os mangás sofrem muito preconceito. Conta a história pós-guerra de um menino (Gen) que perdeu parte da sua família com a bomba atômica lançada em Hiroshima.
Publicado originalmente em 10 volumes, a Conrad lançou a primeira versão traduzida do inglês e recentemente resolveu relança em formato original e traduzida direto do japonês. Até agora apenas 7 volumes foram relançados pela Conrad.
Esse primeiro volume não tinha me chamado muita a atenção até o final. Isso porque o início apresenta os personagens de uma maneira bem estilo cômico-japonês, com pessoas batendo uma nas outras e mordidas e castigos bem pesados: eu, particularmente, acho isso meio chato. Mas o final é surpreendente. Chocante. Inesperado. E o mais engraçado de tudo é que qualquer um sabe qual é o final – os EUA lançam a bomba atômica -, não tem nada de inesperado, mesmo assim, não tem como não ficar chocado com os acontecimentos.
A arte não é muito parecida com os mangás que são atualmente lançados. Assim como Dragon Ball e toda a obra de Osamu Tezuka, Gen possui uma arte muito particular – com um estilo de mangá antigo – o que eu acho que traz mais identidade a série.
A edição que a Conrad está relançando no Brasil é muito caprichada. As capas são bonitas e as lombadas formam um colorido que fica muito legal na estante. As folhas são grossas e não têm nada de mais, mesmo assim, as páginas iniciais são coloridas e possui o prefácio escrito por ninguém menos do que Art Spiegelman.
Indicado: Para aqueles que gostam de dramas (quem conhece os dramas japoneses raramente se emociona com esses americanos), períodos históricos e que querem ler algo inesperado. Também é extremamente válido para os que gostam dos quadrinhos japoneses, para conhecer coisas novas e parte da cultura japonesa.
Contra-indicado: Se você for muito sensível, ou tem tendências depressivas muito fortes, não é recomendado a leitura desse mangá. Mas, fica por sua conta e risco.