- Vamos Viviane - Diego puxava as minhas cobertas - você tem 10 minutos para se arrumar.
- O que? - pergunto ainda um pouco dispersa pelo sono, querendo mesmo voltar a dormir, mas ele me mostra o seu celular, me fazendo piscar algumas vezes com a a luz forte nos meus olhos até ver que o relógio marcava 06:50, e como em um passe de mágica, o sono parece desaparecer, merda.
Levanto rápido tropeçando nos meus próprios pés e vou em direção ao banheiro, a última coisa que eu gostaria era de me atrasar, mas antes volto para pegar minhas peças íntimas e tirar do cabide a roupa que eu usaria e havia escolhido a uns dias atrás, tive sorte de já deixar quase tudo pronto, e isso incluía as malas.
- Você poderia por favor colocar a minha bolsa de maquiagens na mala? - pergunto a Diego que se dobrava entre risadas na minha cama.
- Claro, mas seja rápida - confirmo e entro no banheiro para o banho mais rápido da minha vida.
Eu nunca fui de me atrasar, e meu pai também não , o que significava que às 07:00 em ponto o carro estaria aqui para nos buscar.
Saio do banheiro com a toalha em volta ao corpo e encontro o meu quarto vazio, as minhas malas não estavam mais ali e imagino que Diego já houvesse descido com elas, para o meu alivio. Pego a roupa que estava estirada sobe a cama e a visto. A roupa de minha escolha havia sido uma saia evasê bege e uma blusa de franja que mostrava mais do que o necessário, mas eu a adorava. Calço um par de sandálias de tiras e caço algumas jóias que eu havia pego ha uns dias na faculdade para completar o look. Vou até o banheiro passo uma camada de rímel e em cinco minutos eu estava pronta.
(http://www.polyvore.com/cgi/set?id=108726001&.locale=pt-br)
Coloco os meus óculos escuros, e desço as escadas o mais rápido que posso, sendo guiada pelas vozes elevadas que viam da frente da casa.
- Podemos ir? - pergunto para eles assim que me aproximo. Todos me olham e comemoram, não sei se é porque por fim eu estou pronta, ou porquê eu proporcionei essa viagem sem custos para eles.
- Ainda não - Diego diz.
- Pelo visto eu não sou a única atrasada - falo percebendo que Adrielly também ainda não havia chegado, e automaticamente pergunto para Diego onde que ela está.
- Eu estava saindo para busca-la na faculdade quando ela me ligou - Adrielly tinha um sério problema em dormir na casa dos garotos, então ela sempre preferiu ficar no seu dormitório da faculdade.
- E o que ela disse?
- Que o resultado dela nas provas não foram nada bons - ao eu ouvir as suas palavras o meu corpo congela. Eu estava tão paranoica com o meu atraso para a viagem que acabei esquecendo de olhar o meu desempenho nas provas.
- E o que isso significa? - pergunto.
- Que ela vai ter que passar as férias aqui, estudando - ele faz uma careta e eu levo minha mão a boca. Era perceptível que ela sempre foi um pouco distante de todos, e até alheia ao mundo, só não sabia bem os motivos, mas eu jamais poderia imaginar que ela não fosse atingir as metas do seu curso, ou eu mesma poderia ter lhe ajudado em qualquer que fosse o caso.
- Coitada...
- E nós? - pergunto com um certo receio.
- Acho melhor ver você mesma - e sem dizer mais nada pego o meu celular e acesso a internet em busca dos resultados.
Após digitar todos os dados necessários eu entro ao meu perfil de estudante da faculdade Santa Mônica. Me surpreendo ao ver que eu não tinha uma nota a baixo de "B", que foi na matéria de metodologia do projeto em design, mas nas outras inclusive a de croques eu havia ficar com "A" ou até mesmo "A+". E naquele momento eu me sentia tão capaz de mim mesma, que algumas lágrimas ameaçarem cair dos meus olhos.
- Por Deus - levanto a minha cabeça para Diego que confirma. Vou até ele e lhe dou um abraço apertado, foi ele quem mais me deu forças para estudar, quando tudo que eu mais queria era dormir, e tomar cartelas e mais cartelas do meu remédio para aquele incomodo na cabeça passar. Somos interrompidos do momento afeto por mais uma das piadinhas de Gustavo e pela chegada de dois carros a nossa frente.
- Esse são os carros que o seu pai mandou? - Diego pergunta para mim com a boca inclinada para o lado.
- Provavelmente - eu não entendo bem de carros, mas sei o suficiente para saber que aqueles eram modelos importados, e que custavam mais do que a minha mesada durante dois anos, se não mais.
Os garotos se distanciam de nós e vão ajudar os dois motoristas com as malas.
- Essa viagem vai ser tudo de bom - Taisa diz. Ela parecia empolgada, usava o seu cabelo em um rabo de cavalo apertado, e os seus cachos estavam modelados, um vestido verde esmeralda liso um pouco a cima do joelho caia bem pelo seu corpo.
- Espero - Stéfany resmunga. Ela havia voltado em partes com o seu jeito arrogante, o seu cabelo estava mais roxo do que antes e eu tenho certeza de que ela havia retocado a cor, a maquiagem continuava pesada, e parecia piorar a sua carranca quando deixava a sua franja cair livre sobe os seus olhos claros. Mas para o meu alivio ela não me tratava mal como antes, poderia dizer até que ela estava se tornando minha amiga, e como amiga eu tive que dize-la, o seu remédio para a vida era nada mais que Gustavo.
- Vai ser - aperto o seu braço e ela me da um sorriso forçado.
Após os meninos terminarem de colocar todas as malas no carro eles retornam até nós. Mateus envolve os seus braços em volta da cintura de Taisa, Diego chega ao meu lado para implicar com as tirar da minha blusa e Gustavo paira entre nós com as mãos no bolso, ele parecia desconfortável, e eu resolvo o ajudar.
- Não deveríamos ir? Acho que estamos atrasados... - Olho para o meu celular e ele dizia que já eram 07:05.
- Ainda não - Diego salta do meu lado - ainda falta algumas pessoas...
- E quem seriam essas pessoas? - ele abre a boca para falar algo mas vejo seu ombro relaxar ao ver algo atrás de mim, e eu me viro com o som de uma voz conhecida.
- Oh, desculpe-me pelo atraso, dois táxis não quiseram me ajudar com as malas, e eu quase tive que usar a minha bolsa como uma arma para as bolas entre as suas pernas - Molly diz revirando os olhos e eu sorrio pela sua pequena história e o modo de descontrair.
- Não tem problema - Diego diz lhe ajudando com as malas - Ainda falta uma outra pessoa.
- Falta? - quem mais poderia aparecer para a nossa viagem?
- Sim - ele diz, mas logo muda de assunto - quanto tempo você acha que vai passar fora Mel? Um ano? - deixo os meus lábios se curvarem em um sorriso ao ouvir o seu apelido doce para ela, o que afinal, eles tinham?
Observando a dificuldade de Diego com as malas de Molly todos que estavam ali caem na gargalhada, incluindo Molly, e eu também, mas quem não parece gostar nada disso é Diego. Tenho que reconhecer que ela havia exagerado, nas suas duas malas de rodinha, uma maleta como a minha, uma bolsa grande que ela disse só ter sapatos, e uma mala de mão que ela carregava com a alça comprida sobe o ombro.
- Será que da para alguém vir me ajudar? - Diego pergunta parando no meio do trajeto e Gustavo vai até ele sorrindo.
Enquanto eles saem Molly vem até mim e me da um abraço.
- Como você está? - ela pergunta.
- Bem, e você? - ela amplia o seu sorriso e eu me pergunto se ela nunca teve câimbra na mandíbula por estar sempre sorrindo.
- Maravilhosamente bem - ele toca o meu ombro e nós nos distanciamos um pouco das garotas - confesso que quase não acreditei quando Diego me ligou ontem me chamando para viajar com ele.
- Ele ligou? - ela confirma ainda sorrindo.
- Desculpe a pergunta Molly, mas qual o seu tipo de relacionamento com Diego? - vejo o seu sorriso diminuir de tamanho, mas ele permanecia ali, em seu rosto pálido, coberto por maquiagem, tendo mais uma missão fracassada de cobrir as suas sardas.
- Nós estamos apenas nos conhecendo - ela tenta parecer cética mas eu vejo um brilho leve nos seus olhos.
- Não crie muitas esperanças Molly, Diego não é muito de se prender sabe?
- Não seja boba - ele entrelaça o seu braço com o meu e nós voltamos ao lugar que estávamos antes no jardim - eu sei de toda essa baboseira de que ele é filho adotivo de uma unica mãe, de que os seus verdadeiros pais não o quiseram e por isso ele não costuma se prender a ninguém, para não magoar alguém como ele mesmo já foi magoado um dia, ou coisa do tipo, pode acreditar que a última coisa que tenho é esperança.
Fico surpresa pelo tom natural na sua voz, qualquer garota teria dado o fora no mesmo momento que soubesse que o seu par não costumava namorar, ou nunca tivesse tido um relacionamento sério na vida, ou nem que pretendia, mas Molly era diferente, parece que nada nunca abalava aquela garota.
- Acho que agora já podemos ir - ela diz me tirando dos meus devaneios e apontando para algo atrás de mim.
E ao me virar eu me encontro de frente para o Will, e mais uma vez perdida nos olhos intensos.
- Desculpa o atraso, mas o dia de ontem não me deixou levantar tão cedo - ele quebra o contato entre nossos olhos e vai cumprimentar os garotos.
- Você só pode estar de brincadeira... - resmungo baixinho apenas para Molly que estava do meu lado conseguir ouvir.
- Você gosta dele não é? - ela pergunta para mim.
Eu olho para ele que carregava apenas uma bolsa de viagem de alça grande por cima de um ombro e uma bolsa de costas. Ele estava usando uma bermuda cargo creme, e uma blusa polo azul, e se fosse em qualquer outro momento diria que havíamos combinado a roupa. O cabelo estava molhado e mesmo assim de um modo bagunçado, e os olhos, ah os olhos... Tão belos como nunca.
O vejo andar até o carro e percebo pela primeira vez ele usando sandálias, será que até mesmo as panturrilhas desse homem eram sexy?
- É, acho que gosto, mas parece que não será nada fácil esconder isso durante a viagem - admito para ela.
- E por que esconder? - pergunta para mim me encarando com os seus olhos verdes hipnotizantes.
- Não é tão fácil assim, levando em questão que até uns dias atrás eu não me lembrava do seu nome.
- Muito bem, obrigada Senhor Mezon - ele diz mencionando o último nome do meu pai.
Se segue mais uns 5 minutos de conversa entre nós enquanto o meu pai conversa com algumas pessoas no aeroporto até ele dizer que devíamos andar até a outra área para podermos embarcar.
Seguimos por entre a área de aviões de pequeno porte em um pequeno veículo, até chegar em um todo branco com apenas duas listras na cor vermelha, onde da frente uma mulher acenava para o meu pai. Eu sempre tive um certo tipo de fobia por aviões de pequeno porte, jatinhos, helicópteros era como se eu fosse ser asfixiada ali dentro, mas com tantas pessoas ao meu redor e o meu pai também no comando, eu me sentia um pouco mais tranquila.
- Senhor Mezon - ela diz seriamente na ponta da escada e ao meu pai acena com a cabeça fazendo com ela de espaço para todos nós entrarmos.
Ocupo uma cadeira ao lado de Diego, agradecendo por ele não ter sentado ao lado de Molly, que por sorte estava sentada a nossa frente, que mesmo agora, já tentava drasticamente conversar com Stéfany, que estava sentada ao seu lado, mas a mesma, não parecia nem um pouco empolgada em responder as suas perguntas.
- Com licença - a mesma mulher que nos recebeu fala. Ela estava vestida com uma saia lápis justa que ficava até um pouco a cima do joelho e um blusa social branca que mostrava um pouco demais do seu decote por estar com os botões de cima abertos, e o inicio da renda branca do seu sutiã.
- Se houver algum problema ou se desejarem alguma coisa, eu estarei na cabine e não me importarei se precisar ser incomodada - ela diz sorrindo com seu batom cor de rubi nos lábios - e até o momento uma boa viagem.
- Qual a previsão para a chegada a Austrália? - Diego pergunta tentando colocar o seu cinto de segurança.
- As 15:00h - ela responde antes de virar - mais alguma coisa?
- Acho que vou precisar de uma bebida - ele diz com uma cara enjoada.
- Isso você pode pedir para a aeromoça, ela sairá da cozinha ao fundo assim que atingirmos 10 mil pés.
- Você não é a aeromoça?
- Não meu jovem - ela lhe da um sorriso amigável - eu sou a piloto, e se não se importa, acho que devo decolar agora mesmo para não haver um certo atraso com o comando, mais uma vez, boa viagem - ela diz e sai balançando o seu cabelo amarrado em um rabo de cavalo até a cabine, acho que ela não gostou muito da insinuação de Diego.
- Nossa... - eu sorrio baixinho.
- Qual é? Eu nunca imaginaria que uma gostosa dessa poderia conseguir comandar um avião, e posso confessar também que me sinto um pouco menos seguro agora, sabendo que tem uma mulher no comando.
Olho para Molly que parecia não se importar nem um pouco com o comentário de Diego, ela com certeza era o par ideal dele.
- Bacaca - cutuco seu braço pelo seu comentário machista.
A decolagem foi como sempre desconfortável, Diego apertou a minha mão forte todo o percurso e eu pudi confirmar que ele não era nem um pouco fã de avião ou altura, como eu.
Alguns segundos depois uma mulher saiu da suposta cozinha que ficava ao fundo do avião, ela era loira com uns leves cachos artificiais na ponta das mechas, usava um uniforme de aeromoça com um colete preto onde tinha gravado o seu nome nele.
- Com licença - ele chega primeiro até as nossas cadeiras - posso ajudá-los em alguma coisa?
- Eu gostaria de uma bebida por favor - Diego responde.
- Qual especificamente senhor?
- A mais forte que você tiver - a aeromoça de nome Alicia lhe olha duvidoso e ele logo responde - um Whisky, sem gelo.
- E você? - ela olha para mim.
- Uma água com limão por favor - ela confirma e vai pegar os pedidos de Stéfany e Molly.
Sabendo que já estávamos em segurança e ha 10 mil pés de altura, pego o meu ipad para tentar ter uma boa leitura durante o voo, e ouvir música, adiciono uma grande playlist para tocar e mal percebo quando a aeromoça volta com a nossas bebidas.
- Eu sei o que você fez - digo a Diego tomando um gole da minha água.
- Sobre?
- Will...
- Ah, pelo amor de Deus eu o incentivei a te chamar para sair - ele toma um gole do seu Whisky e faz uma cara azeda.
- E o convidou para viajar conosco.
- Convidei um amigo para ir à minha casa - ele tenta argumentar - não imaginei que você fosse se incomodar.
Olho para ele que sorria vitorioso, é, ele venceu. Reviro os olhos e olho para fora da janela ao meu lado, admirando as nuvens que passavam, e quando menos espero, adormeço.
~ ~ ~ ~
Acordo com uma leve pressão nos ouvidos e vejo que já estamos aterrissando. Fico surpresa ao perceber que dormi as quase 07 horas de voo. Acho que o evento do dia anterior me deixou realmente cansada.
- A aterrissagem é a pior parte - Diego diz apertando forte a minha mão até que finalmente as rodas tocam ao chão.
- Não sabia que você tinha medo de altura - retiro minha mão de debaixo da sua e a acaricio.
- Nem devia, e faça o favor de não contar a ninguém.
- Ah, claro - digo sorrindo.
Guardo os meu pertences na bolsa e desembarcamos do avião, a aeromoça e o meu pai fizeram o favor de nos ajudar a descer, e foi só ai que percebi que ainda estava um pouco tonta pelo sono em altitude.
- Você está bem? - Will me surpreende ao perguntar próximo a mim quando estamos caminhando na pista.
- Oh, olá, sim, eu estou bem, eu acho... - o respondo e vou para o outro lado onde Molly está, e caminho entre ela e Diego. Olho de relance para Will e o vejo fazer uma cara não muito boa, é, essa viagem vai ser complicada.
~ ~ ~ ~
Seguimos para a casa de Diego em dois carros, o primeiro comigo, Diego, Molly e Stéfany, e o segundo com Mateus, Gustavo, Taisa e Will. Meu pai não estava mais conosco, apesar dele nos ter proporcionado também a nossa viagem de carro, ele preferiu pegar um táxi para o hotel ao qual ele se hospedaria no centro.
- Você não me disse que a sua casa ficava tão distante do aeroporto - falo tocando ao ombro de Diego.
- Na verdade eu comentei, minha casa fica em Melbourne, há 45 minutos do aeroporto, é perto da praia, e não é uma área tão movimentada da cidade, mas tenho certeza que vocês vão gostar - ele diz no banco da frente, e para passar o tempo pego o meu celular para tentar checar os meus e-mails.
Eu estava cansada, apesar de ter dormido todo o voo, mas aquelas poltronas, mesmo acolchoadas não eram um dos melhores lugares do mundo para dormir. Eu tinha uma leve dor na coluna e as malas sacudindo no porta-malas não ajudavam.
~ ~ ~ ~
Chegamos a casa algum tempo depois, e aquele lugar realmente não era muito movimentado, as casas ficavam a bons metros de distância, e nesse sentindo, eu gostava, você poderia dar uma festa e não se incomodar com o som alto, e os vizinhos reclamando, mas acho que isso não aconteceria, pelas breves descrições que Diego deu no caminho sobre a sua mãe.
- Por favor, não esqueçam, é Senhora Kunis - ele diz pela segunda vez quando descemos do carro.
- Diego, nós entendemos, será que por favor podemos entrar? Essas malas pesam - diferente de nós, Stéfany preferiu carregar as sua bagagem do estacionamento até a casa, argumentando que podia muito bem se cuidar sozinha, eu até posso também, mas nunca é bom recusar uma ato de cavalheirismo dos garotos, nunca se sabem quando vão se repetir.
Enquanto ando posso ver não muito longe a praia, precisávamos apenas arrodear a casa para chegar até ela. A entrada da casa era belíssima havia uma entrada para a casa, e uma outra que devia ser a garagem, após um declínio a casa mais parecia uma de campo, e agora posso ver porque a mãe de Diego resolveu vir morar em um lugar como esse, era sereno, um vento fresco e puro, e ainda podíamos ser atingidos pela brisa do mar.
Entramos a casa sem ser recebidos por ninguém, a sala era retangular e já vinha em conjunto com a cozinha, equipada por uma mesa de jantar, um sofá de quatro lugares, e algumas mesas individuais.
Quando já estava prestes a perguntar a Diego onde sua mãe estava uma mulher elegante entra a sala atraindo a nossa atenção, ela era alta e de pele clara, o cabelo loiro avermelhado estava preso em uma trança lateral frouxa, e os olhos azuis claros, eram idênticos aos de Diego, e se eu não soubesse que ele era adotado, diria ela com certeza era sua mãe. E como Diego disse, ela era bastante refinada e pareceu tomar cuidado ao abraça-lo, dava para ver em seus olhos que ela sentia saudades, mas o seu abraço não confirmava isso.
- Meu filho, que saudades - ela diz ao se afastar dele.
- Também senti mãe.
- E esses são os seus amigos, certo? - ele passa a mão na camisa amarrotada antes de olhar para nós, e nos apresentar um por um, me deixando por último.
- Prazer Senhora Kunis.
- O prazer é todo meu querida.
A mãe de Diego nos falou um pouco sobre o tempo na austrália, e pudi comprovar desde o momento que cheguei, que aqui realmente é bem mais quente, fazendo um calor sobrenatural, diferente de todos os lugares que já estive, o que seria confortável para irmos a praia que ficava a passos de distância de nós.
- Jolene! - ela chama, e uma senhora gorduchinha de meia idade, aparece em passos largos vindo da porta dos fundos.
- Apresente aos jovens os seus cômodos - ela confirma e nos guia até a escada.
(Senhora Kunis)
Apesar da casa ser enorme, tinham apenas três quartos, o da primeira porta, que ficaram os garotos, a segunda nós, as garotas, e o último imaginei que fosse o quarto da mãe de Diego. Não existiam mais nenhuma porta no corredor, o que me fez imaginar que não existiam banheiros sociais no andar de cima, apenas o de cada quarto.
O nosso quarto essa espaçoso, com janelas do chão ao teto e persianas para acompanhar, tinham apenas duas camas, uma de casal que cabia no minimo quatro pessoas, e uma de solteiro, que Stéfany logo se pronunciou dizendo que seria a dela, talvez, só um talvez, ela tivesse alergia a pessoas.
Nos reversamos para tomar banho, e eu fui a primeira, pegando dentro da mala a roupa que usaria, um short jeans habitual e uma blusa de leve que tive sorte por ela são estar amarrotada, e vou para o banho. Pelo cansaço optei por tomar um banho rápido de ducha, deixando a banheira para outra hora.
Saio do banho na mesma hora que Molly bate na porta reclamando do tempo. Sem me importar de ainda estar com o cabelo molhado deito-me na cama para esperar as garotas ficarem prontas. Diego havia nos dito que íamos fazer algum passeio pelo centro da cidade e eu merecia um descanso antes.
~ ~ ~ ~
Só percebo que adormeci quando algum tempo depois Molly me acorda dizendo que vamos sair em 15 minutos, pela janela, pudi perceber que já estava começando a escurecer, e com certeza, eu dormi demais.
Demoro um tempo acima do de costume para secar o meu cabelo e manter os fios arrumados, deixando Taisa e Stéfany descer antes de nós, e quando finalmente termino resolvo o dividir com uma tiara de pedras. Molly estava ao meu lado dividindo o espelho enquanto ela passava uma maquiagem leve, deixando as suas belas sardas a mostra, enquanto eu ainda procurava as jóias que usaria.
- Você se importaria se eu descer na frente? - ela diz dando os últimos retoques no batom.
- Não, pode descer, e em 5 minutos eu estarei lá - digo tirando o meu colar de coração da caixinha de jóias.
Ela acena e sai batendo a porta atrás de si. Com pressa passo apenas rímel e um gloss em um tom de rosa claro, para ir em busca de uma sandália para usar. Acabo tirando do fundo da mala um par de havaianas confortáveis, a calço e vou até a cama pegar a bolsa com os meus pertences para por fim sair do quarto.
(http://www.polyvore.com/sa%C3%ADda_austr%C3%A1lia_f%C3%A9rias/set?id=111861597 )
Caminho pelo corredor em direção as escadas e quando passo pela porta dos garotos ela se abre e Will sai de dentro dela, ele estava bonito, usando uma bermuda preta e uma blusa gola v na cor palha, e para completar o seu charme, uma casaco amarrado na altura da cintura, esse homem era sempre tão quente.
- Com pressa? - ele para ao meu lado.
- Acho que todos estão esperando apenas nós dois - digo ao ver ele fechando a porta do seu quarto com mais ninguém dentro.
- Tive um pequeno probleminha com o sono - ele passa a mão pelo cabelo um pouco desgrenhado.
- Acabou adormecendo? - pergunto e ele confirma - o mesmo aconteceu comigo - primeiro ele me olha incrédulo e logo depois sorri.
- Acho que temos algo em comum.
Descemos as escadas juntos e quando chegamos a sala não tinha ninguém ali, mas podíamos escutar algumas risadas vindo de não muito longe.
- Acho que eles estão aqui - Will diz e me puxa para o corredor ao lado da cozinha e entramos na primeira porta aberta. Era um sala de vídeo com almofadas espalhadas e um grande sofá vermelho, onde todos estavam sentados, assistindo algum programa de comédia pela altura do riso de Molly.
- Huum, o que estão vendo?
- Eu não sei - ela responde ainda rindo - mas esses caras são realmente engraçados.
Olho para TV e estava passando algum programa de Stand up comedy australiano com dois homens sentados em dois bancos no centro de um palco, eu não entendi bem o que eles disseram, mas a platéia do programa se dobrava entre gargalhadas.
- Não devíamos ir? Já está escuro - Will diz, e Diego pela primeira vez tira sua atenção da televisão e olha para nós. Seu olhar vai primeiro pra Will e depois para mim, e por fim ele sorri.
- Claro, estive pensando, tem bons restaurantes aqui perto, podíamos comer por lá.
- Acho ótimo - Gustavo diz levantando e passando a mão nas dobras da calça.
- Então, vamos?
- Claro.
Todos levantam e nós seguimos para fora da casa, a casa estava em um silêncio agradável, apenas com o som do vendo batendo contra as persianas na janela. Do lado de fora um jipe amarelo estava estacionado na porta da garagem, e só me dou conta de que vamos nele quando Diego desativa o alarme.
- Nós vamos nisso? - Stéfany pergunta apontando para o jipe e ao mesmo tempo segurando a barra do seu vestido para o não fazer levantar, parecia uma tarefa difícil pelo vento forte que circulava ali.
- Claro, é o meu carro, e o melhor veículo para se andar na Austrália.
Ela faz uma cara estranha e todos nós nos apertamos para cabermos ali, em um carro com espaço para 5 pessoas, levavam 8, normal em uma roda de amigos, eu acho. Eu fui todo o percurso do lado da "janela" e Will ao meu lado, que tenho certeza que adorou a oportunidade de ficar com o braço por cima do meu ombro, já que entre uma curva ou outra, ele me fazia um carinho.
- Você não podia escolher um lugar mais perto? Estou quase caindo aqui - falo me segurando nas barras ao lado, e Will aproveita a deixa para me apertar mais e colar o seu corpo no meu.
- Isso com certeza não foi uma desculpa para você me abraçar - ele sorri e não me responde, mas permanece com os braços ao redor da minha cintura.
A viagem se seguiu eu nos braços de Will, involuntariamente levando em caso que se eu me mexesse um centímetro para esquerda eu seria um abutre no asfalto. Estava com esse pensando quando paramos em frente ha um restaurante típico de comida Australiana, Outback Steack house, quando estava pesquisando sobre Austrália encontrei em alguns sites falando sobre esse restaurante, e a maioria dos comentários positivos falavam da melhor cebola empanada do estado.
Entramos ao lugar e escolhemos uma mesa ao fundo, o lugar estava um pouco cheio por ser um sábado a noite, mas se tornava confortável, televisões espalhadas por todo o local televisionava um jogo de futebol americano qualquer fazendo com quem alguns homens se exaltassem em certos momentos, as mesas em rodeadas por sofás me fazendo mais uma vez ficar ao lado de Will, que não se conformava enquanto não mantivesse a mão em cima da minha perna.
- Esse lugar é incrível - Gustavo comenta olhando ao redor.
- Imaginei que vocês fossem gostar, aqui eles servem o melhor monte de batata-frita que existe...
- E a melhor cebola empanada - completo.
- A cebola também, mas eu particularmente prefiro a batata.
~ ~ ~ ~
O jantar foi sensacional, não foi bem o jantar, já que o cardápio da nossa escolha foi cebola empanada e o monte de batata-fritas com queijo cheddar e bacon acompanhado por Shop e comprovando o que Diego disse, era sensacional.
Seguíamos pela avenida de volta para casa, e dessa eu vez eu insisti para ir no banco na frente, não ia ameaçar a minha vida mais uma vez.
- O que vamos fazer agora? - pergunto - ainda são 22:00h
- Pensei que pudêssemos ficar na praia, não costumam ficar muitas pessoas por lá, principalmente no período da noite, e tem algumas bebidas na geladeira em casa, poderíamos ficar por lá.
- Acho uma boa - Mateus diz e todos nós concordamos.
O caminho de volta para lá foi de longe silencioso, a música de Macklemore tocou na rádio e nós seguimos o caminho cantando, e colocando para repetir novamente quando acabava.
Quando sinto o carro diminuir de velocidade paramos na parte de trás da casa, onde para a praia tinham apenas uma leve descida de areia que dava acesso.
- Nós vamos lá dentro buscar algumas coisas e encontramos vocês lá em baixo - Diego avisa e entra para a casa com os garotos.
- Aqui é lindo não? - pergunto tirando as sandálias e pisando na areia fria.
- Muito, confesso que esperava um casinha no subúrbio - Molly diz sorrindo.
- Mesmo? Diego nunca traria a gente para um lugar que não fosse como esse.
- É, talvez você tenha razão.
Ficamos ali, todas nós, sentadas na areia observando o quebrar das ondas, e sentindo a paz que nos transmitia, a praia era cheia um vento bom, cheia de uma liberdade extraordinária, mas tudo se quebra quando os menino chegarem até nós com um carrinho cooler cheio de cerveja.
- Sentiu saudades? - Diego chega pelas costas de Molly e lhe entrega uma heineken.
Não escutei a sua resposta, mas sei que sorriu como uma boba.
Os garotos trouxeram um som portátil que agora tocava algumas músicas de David Guetta, e alguns pacotes de amendoim que eu comia um deles agora.
- Você quer? - Will chega até o meu lado me oferecendo uma cerveja.
- Aceito - a pego e tomo um gole, sentindo o gosto amargo descer pela minha garganta.
A cerveja estava gelada, e com o vento me atingindo e a minha blusa fina, não pudi deixar de sentir frio.
- Com frio? - ele pergunta como se pudesse ler os meus pensamentos.
- É só a brisa - respondo cruzando os braços.
- Mas você está gelada - ele passa a sua mão pelo meu braço e eu me arrepio da cabeças aos pés.
- Aceite - ele tira o seu casaco da cintura e me entrega.
Sem pestanejar eu o pego, a última coisa que eu gostaria era de ficar doente durante a minha viagem de férias, o casaco era cinza e de um tecido fino, mas mesmo assim foi aconchegante, ele tinha o seu cheiro, um cheiro amadeirado maravilhoso, que eu queria nunca deixar de sentir.
- Obrigada.
Ele acena e nós ficamos sentados na areia olhando a tentativa drástica de Diego em conseguir fazer um fogueira, e dentre esses momentos Will deixa escapar uma risada dos seus lábios.
- Acho que eu vou ajudá-lo.
- Seria útil.
Ele levanta e caminha na direção de Diego com os pés descalços na areia, ele era tão lindo, deveria ser fácil apenas aceitá-lo, sem querer me lembrar de qualquer acontecimento do passado, eu podia ver em seus olhos que eles gostava de mim, e eu gostava dele, mas infelizmente não era bem assim.
Depois de conseguir acender a fogueira ele retorna até mim sorrindo.
- Quer dar uma volta? - ele me oferece a sua mão quando estava ainda de pé.
- Will...
- É só uma caminhada, não vamos sair desse píer, eu juro - ainda desconfiada eu cedo e aceito pegando a sua mão.
Carrego as sandália nas mãos e conforme andamos vamos nos distanciando mais do pessoal, não existia iluminação por aquela área, mas a lua brilhava tão forte, que nos deixava ver onde estávamos pisando.
- Onde aprendeu a fazer fogueira? - lhe pergunto.
- Quando era mais novo eu fazia parte de um grupo de escoteiros, não é uma coisa muito comum em NY, mas eu costumava ir para um acampamento de férias.
- Então quer dizer que você vendia biscoitos na porta das casas? - falo sorrindo e ele me dar o prazer de lhe ver sorrir também.
- Essa parte ficava com as garotas, eu costumava caçar onças para nos alimentarmos no acampamento.
- Você caçava? Então por que não caça algo para comermos agora?
- Onça não é um animal típico da Austrália.
- Então vá em busca de um canguru - o seu sorriso aumenta de tom e o meu também.
- A única coisa que eu quero agora é ganhar o seu coração - ele diz me surpreendendo.
- Will...
- Olha, você não precisa me dizer nada, mas saiba que eu não vou desistir tão fácil.
Com as suas palavras o meu coração acelera e ameaça a quase saltar pela boca, e só ai percebo que eu realmente não queria que ele desistisse de mim, eu gostava dele de verdade, e nesse momento o que eu mais queria era que que ele me aconchegasse em seu abraço e me beijasse, mas distancio esses pensamentos e tento me controlar.
- Devíamos voltar, estamos nos distanciando muito de todos.
Caminhamos de volta em silêncio, e cada vez que o vento soprava eu apertava mais o seu casaco em meu corpo, transmitindo o seu cheiro para mim.
Ficamos na praia conversando, bebendo, e comendo alguns mashmellows até o sol nascer, foi uma noite agradável apesar de Will ter se mantido o resto do tempo distante de mim, mas eu preferi acreditar nas suas palavras de que ele não desistiria de mim.
Quando o sol nasceu e começou a brilhar a cima de nós, resolvemos voltar para dentro da casa em busca de tentar tirar algumas horas de sono.