Era manhã. Acordei com meu despertador às 5:30. Levantei, me olhei no espelho, lavei o rosto. Com a roupa branca e meu avental, botei a mesa do café da manha. Depois, tomei o meu café com leite de pé na cozinha. Olhei para o relógio. 5:58. Deveria sair. A patroa, como de costume, estaria esperando seu pão fresquinho às 6:26. Olhei pela janela. Os raios de sol penetravam pelas frestas das cortinas de seda que enfeitavam a sala. A Avenida Paulista amanhecia novamente.
Saí do apartamento pela porta dos fundos e desci no elevador do 35º andar até o térreo do Conjunto Nacional. Cheguei no piso da Av Paulista, saí do elevador cabisbaixa, como de costume. Não me sentia pertencente àquele ambiente. No caminho para a Av Paulista, os sons das conversas dos pedestres que caminhavam pelo Conjunto Nacional pareciam um coral de risadas, risadas que riam da minha roupa, da minha pele, do meu rosto, de mim.
Cheguei na rua, caminhei até a Haddock Lobo, que tinha um cheiro característico (que nem todas as manhãs) de produto de limpeza, usado para lavar as calçadas. Passei por um grande espelho do colégio São Luís, me assustei com a minha imagem. Eu mesma já não estava me reconhecendo.
Cheguei à padaria, que me esperava com 2 seguranças de terno na porta e uma florista fumando um cigarro. Passei pela cancela da Bela Paulista e fui em direção ao balcão de pães. Pedi 4 pães franceses. Ao me dirigir ao caixa, meus braços ligeiramente largos esbarraram acidentalmente na xícara de um senhor que sentava no balcão. Todo o líquido escorreu pela minha roupa branca, manchando-a de uma cor marrom claro. Minha pele ardia de dor. Foi nisso que recebi o comentário do homem que acabara que perder sua xícara de café: "Puta merda! Olha por onde anda, macaca!". Nesse momento, parei. Deixei o saco com os pães caírem. Eu não era mais eu.
Para conhecer melhor a Alzira clique aqui: http://theconjuntonacional.tumblr.com/post/130806877625/gente-fiz-esse-texto-observando-uma-mo%C3%A7a