AnaCrônicas | Círculo de Fogo: A Revolta
Admito que a ideia de uma continuação de Círculo de Fogo (2013) parecia desnecessária. Aquela projeção despretensiosa, divertida e cheia de amor para com os famosos “filmes de monstro” japoneses funciona como uma história fechada, redondinha.
Então, quando Círculo de Fogo: A Revolta (2018) foi anunciado, senti um leve pânico. E nem mesmo Guillermo del Toro estava mais envolvido no projeto (saindo dos cargos de diretor e co-roteirista; ou ele fazia a continuação, ou embarcava em um projeto inédito, este que veio a ser o maravilhoso A Forma da Água), deixando a liderança para o até então desconhecido Steven S. DeKnight. Pânico em dobro.
E mesmo tendo ouvido muitos comentários negativos acerca da sequência, além de meu enorme ceticismo para com o mesmo... não é que curti?
Claro, A Revolta tem uma estrutura narrativa quase parecida em relação ao original (chega a reutilizar um visual gag, até), mas brinca com o mesmo, por vezes, e em muito com sua iconografia ("Isso era para ter sido épico"). A história continua bem basicona (com sua mescla estranha de Ender's Game com Transformers), mas não conta mais com o visual detalhado e com o peso das lutas do original; todo o resto acaba saindo bem raso. Mas a montagem do filme confere urgência às cenas de ação mais tensas, por mais que não tenhamos mais a afeição aos personagens ali presentes ou a euforia diante de tais embates.
É com um misto de satisfação e decepção que acolho essa sequência (ainda mais ao saber que del Toro planejava um rumo totalmente diferente de eventos); ao passo que ela omitiu certas informações cruciais (e que poderiam ajudar à conexão emocional diante do enredo, se presentes) e não soube tratar bem alguns dos personagens do anterior, admito que os principais e novos (poucos) protagonistas são carismáticos o suficiente para carregar esse filme e suas cenas (embora a atriz mirim ainda sofra em relação à jovem que fez a Mako criancinha do primeiro filme; sério, até hoje acredito no medo dela em cena).
Sei que a película dá a entender que teremos um terceiro filme, mas sinceramente? Não é necessário. E como sempre acharei a história do original já completa, trato A Revolta e tratarei suas consequentes sequências como fanfictions bem trabalhadas.












