⟨ ❝ M A H A S I A H ❞
M A H A S I A H é um anjo da casta ofanim, diplomata dos exércitos legalistas de Miguel; Negociadora de Armistícios, conhecida por sua compaixão, no entanto não se mostra digno do amor de Yahweh por conta de sua impaciência. Possui o poder de oferecer uma morte pacífica aos seus protegidos e companheiros. Seu avatar terreno poderia ser sósia de Dove Cameron, mas ela jura que isso é mera coincidência.
Quando Yahweh criou o ser humano, decerto sabia que precisariam de assistência. Os ofanins surgiram dessa tentativa de tentar guiar o homem pelo caminho da moralidade e do bem; caminho que os levaria para longe da Gehenna e próximos ao Terceiro Céu. Nunca foram tão poderosos em batalhas quanto os querubins, tampouco tão sábios quanto os malakins, mas os seres criados pelo Altíssimo mantinham uma certa proximidade com os humanos. Por essa razão, os ofanins tendem a apresentar traços mais mundanos em suas ações, despindo-se dos atos mecânicos que apenas anjos que nunca pisaram na Haled poderiam apresentar. Mahasiah foi criada por Yahweh junto ao rompante de ofanins, todos nascidos no mesmo instante, e não havia nada realmente interessante em si no início — poucos humanos para muitos ofanins, a disputa era desleal para com a casta, mas não havia um problema real. Sem um protegido para guiar, a ofanim passava a maior parte dos dias e noites infindáveis no Quinto Céu na companhia dos irmãos ou até mesmo ajudando as almas boas a seguirem ao Terceiro Céu.
Quando Yahweh pôs-se a dormir, entretanto, o caos pareceu tomar conta da mente dos arcanjos — seus superiores e mentores —, e Mahasiah chegou a pensar acerca dos motivos de Lúcifer, os argumentos que ele utilizara para nortear milhares de anjos em sua causa. Não podia, entretanto, trair o amor de Yahweh, rebelando-se contra aquele a quem Ele tinha concedido plenos poderes. De coração partido, a ofanim viu os muitos irmãos de casta padecerem sob a espada do Príncipe Celeste, mas estava de mãos atadas; jamais poderia negar a vontade de seu superior, talvez pela aquisição de certos sentimentos humanos de certa pena por Miguel, os quais a ofanim sempre tentou suprimir ao máximo durante sua existência. O arcanjo não veria bem tais sentimentos, e sequer ela poderia negar que também se sentiria transtornada se fosse alvo de algo como aquilo.
Os seres humanos cada vez mais destruíam a si próprios, causando certo desgosto em Mahasiah — como poderia guia-los se eles não desejavam trilhar o caminho do bem e da retidão que os levaria para uma eternidade de cura e paz? Frustrada, cansada e talvez um pouco transtornada com o rumo da humanidade, a ofanim passou a se tornar levemente taciturna e irritadiça, devido ao contato na Haled, mesmo que no Plano Etéreo. Estava exposta demais, e os traços humanos pareciam se impregnar em seu coração e em sua mente. A salvação não viria tão cedo, mas, por conta de sua natureza, Mahasiah ainda acreditava no bem da humanidade, no amor e em todos os símbolos de retidão com os quais Yahweh os criara. Ela precisava salvá-los, mas Miguel jamais permitiria que uma reles ofanim levantasse a voz para consigo e sobrevivesse.
A casta na qual Mahasiah foi moldada não era a mais sábia das que Yahweh criou. Por esse motivo, quando pediu clemência pelos seus protegidos, pelas criaturas inocentes, Miguel a puniu da pior forma que conseguiu — não poderia matá-la, Mahasiah se tornaria em uma mártir frente aos rebeldes, engrossando as linhas inimigas; tanto as de Lúcifer e de Gabriel, que já havia debelado sua revolta. Não, a ofanim merecia a dor e o desespero de falhar ininterruptamente em seu único trabalho. Ele a relegou a um trabalho fadado ao fracasso, mas havia a chance de redenção, caso cumprisse sua função de forma onerosa.
A partir daquele momento, Mahasiah não era um ofanim comum, mas a encarregada da proteção de bebês e crianças em estado terminal, fosse pela doença, fosse pela desnutrição. Por alguns anos, o anjo tentou conviver com a morte de forma consoante, aceitando que nem todos os humanos viviam para sempre, que nem sempre eles poderiam cumprir o seu propósito, mas se via a cada vez mais beirando à loucura, cada vez mais depressiva e emotiva. Não conseguia aceitar o destino daquelas almas, tão inocentes e livres de pecado. Por séculos, Mahasiah vagou os cinco continentes, protegendo crianças que não tinham muito tempo de vida, mas, estranhamente, apegando-se a cada uma delas de forma quase maternal. Chorava cada morte, mantinha seu luto quase constante de forma exemplar, mesmo que seu coração se partisse a cada último suspiro de seus preciosos embrulhos.
Jamais poderia virar as costas aos propósitos de Miguel, entretanto; acreditava piamente que Yahweh o pusera no controle por um motivo, só precisava que fosse menos denso em suas escolhas, menos rígido e autoritário. Dentre os cuidados aos seus protegidos, não havia muito o que se pensar além da morte e do sofrimento — ela poderia oferecer àquelas crianças ao menos algo pacífico, mas de que adiantava se não poderiam brincar e seguir suas vidas da melhor forma possível? Ela era inútil em seu ofício, e sabia que Yahweh não criou tantos anjos para que fossem meros peões, para que não servissem a nada. Ela também deveria ter uma função que não fosse fadada ao fracasso. Sua penitência chegaria ao fim tão logo o milênio fosse cumprido, e ela então esperaria por aquela data desesperadamente, sofrendo por sua empatia exacerbada e pela compaixão desmedida.
Alguns séculos antes do Apocalipse iniciar, passou a cumprir o ofício de curandeira, anulando o de ofanim condenada (ao menos por ora), e não demorou a se demonstrar bastante habilidosa naquela arte em questão. Miguel, afinal, precisava do maior quórum de anjos para comporem seu exército, e já bastava de vê-la sofrer tanto, mesmo que Mahasiah duvidasse piamente de que o Príncipe tivesse tempo hábil para se preocupar com uma mera ofanim. Em meio à bandagens e muito sangue derramado por conta de guerras insensatas, a loira não tinha perspectivas de voltar à sua antiga função — de fato, talvez estivesse sentindo falta do contato com os humanos, mesmo que efêmero; sua natureza jamais poderia ser modificada. Recitava o nome das crianças as quais fora obrigada a assistir enquanto morriam em meio aos processos de cura que efetuava com a ajuda de sua equipe.
Foi apenas durante um ataque cego à campanha onde se situava que demonstrou a verdadeira habilidade, fora a medicinal. Dez dos melhores curandeiros do exército legalista foram capturados pelo exército rebelde de Gabriel, e seriam todos mortos, não fosse as falas da ofanim que sempre tivera alguma facilidade ao guiar os seres, angélicos ou humanos, de acordo com a racionalidade, com o caminho correto. Depois de tensas horas, dias até, Mahasiah recuperou os curandeiros, exausta e deprimida por conta do banho de sangue que se instaurou logo depois, com a chegada do reforço. A loira simplesmente não conseguia ver mais sangue, sua composição frágil não permitia tanta carnificina em uma única existência. Meses depois do ocorrido, a ofanim foi afastada das missões, o que significava imediatamente que sua punição voltaria a valer, não fosse o decreto do Príncipe.
Passaria a compor, então, o conselho diplomático mantido pelo exército legalista, negociando e organizando armistícios para o cumprimento das tradições angelicais e ocasiões extraordinárias.
Personalidade: Extremamente passional, Mahasiah é como qualquer ofanim que passou muito tempo em contato com os humanos; a única diferença se baseia no aspecto pueril que o anjo ainda parece manter, mesmo durante tanto sofrimento e ardor, talvez pelo contato mais infantil do que adulto ao qual foi relegada, séculos atrás. Como um ofanim, Mahasiah deveria saber a hora de parar de confiar na sorte, mas esse aspecto parece passar desapercebido por seu próprio crivo e, portanto, muitas vezes fala mais do que deveria, mesmo em negociações. Por sorte, ou azar, nunca é algo realmente relevante, ou já teria morrido há algum tempo. Pateticamente compassiva e maternal, não é muito difícil observar a loira auxiliando os outros anjos durante campanhas militares, mesmo que esse não seja, a priori, sua função atual. Por mais que tente manter esse aspecto sob sete chaves, Mahasiah foi tocada mais do que acha possível pela experiência com os humanos, então não consegue suprimir a impaciência e a teimosia de suas ações, sofrendo crises de irritabilidade e, por falta de palavra melhor, pirraça — suas maiores influências foram crianças, afinal. Constantemente se lembra das crianças as quais protegeu, e toma ao menos um minuto ou dois para prestar os respeitos ou para ao menos procura-las no Terceiro Céu, mesmo que saiba ser uma tarefa inútil. Além disso, a ofanim mantém-se por perto do conselho de guerra de Miguel, depois de ter provado que era um anjo de confiança para o Príncipe, ainda que não concorde, mesmo atualmente, com certas ideias do arcanjo.















