⟨ ❝ F R E Y A L J U N S T R A N D ❞
Essa é Freya Calydora Byström Ljunstrand, uma semideusa filha de Quione e caçadora de Ártemis. Freya tem 117 anos e no cordão preso em seu pescoço, conta-se 2 contas. Todos os semideuses afirmam que ela se parece com a mortal Dove Cameron. Freya está atualmente fechada para aplicações.
Aqui você diz um pouco sobre o nascimento/família da sua personagem;
Fenrir Ljunstrand era um exímio nobre dinamarquês, conhecido por todos pela vasta gama de perícias com uma espada e com armas de fogo, poucas eram as mulheres que resistiam ao charme do nobre. Ao passo em que era belo, a mesquinharia parecia tomar conta de seu ser, todavia. De porte régio e mais frio do que as próprias geleiras da Dinamarca, aqueles que estavam sob o seu comando não possuíam sequer um mísero dia de paz quando o homem estava inerentemente irritado. O exterior frio escondia um calor quase diabólico, ainda que o próprio coração não passasse de uma bola de gelo, incapaz de degelar quando na companhia de mulheres ou mesmo homens. Matara mais pessoas do que podia imaginar, e, incapaz de sentir um mínimo de remorso, não parecia que um dia fosse ser feliz com algo ou alguém, realmente feliz. Na aurora de seus trinta anos, já considerado um ancião para os padrões da época, tornara-se um homem ranzinza, irritável e cruel para com os empregados que sempre estavam prontos a lhe servir. Ao menos até a jovem desconhecida aparecer em suas propriedades. Os cabelos tão claros quanto a neve e os olhos gélidos de pronto chamaram a atenção do dinamarquês, e ele soube, naquele momento, que desejava a mulher. Não era uma mera plebeia, contudo, mas ele não precisava saber disso. Quíone se enamorara pela frieza do homem, queria-a toda para si, egoísta que era. Planejava, naturalmente, sugar toda a vitalidade do homem quando estivessem juntos pela primeira vez, mas apaixonar-se por ele não parecia fazer parte da sua simples e calculista equação. O frio parecia tê-los ligado, mas Quione era volúvel, tal como todos os deuses olimpianos, e não demorou muito até que se tornasse descartável. Deixando um Fenrir completamente estupefato quando negara o pedido de casamento —— evidentemente, caso fosse uma situação comum, o moreno a teria de qualquer forma, de preferência a espancando até que aceitasse sua proposta ——, a deusa meramente riu da interpelação, talvez grata por ainda não ter perdido o jeito na prática de ferir os sentimentos, sempre tão frágeis, de um mero mortal.
Durante os poucos meses em que estiveram juntos, Fenrir parecia ter piorado os trejeitos lunáticos. Parecia mais propenso a descartar empregados insolentes, tudo para agradar a deusa. Quando ela se foi, a desolação pareceu se impregnar na propriedade, e o homem, que já não era de fácil convivência, verdadeiramente se tornou insuportável. Não era mais o nobre frio, ainda que composto. Quione realmente o destruíra por dentro, e a deusa sequer se lembraria de Fenrir, não fosse a descoberta de que carregava mais um semideus em seu ventre. Nojo pareceu acomete-la; não queria um bebê do nobre, e tampouco o criaria consigo. Nascida do ódio materno, Freya estaria condenada desde a concepção, ainda que não fosse a sua culpa verdadeira. Meses depois de seu envolvimento com Quione, um embrulho lapidado em gelo chegou às portas da mansão de Fenrir, e a criança graciosa que se apresentou não obstruía sequer alguma dúvida. Tinha os mesmos olhos gelados daquela a quem amara tão secamente, aquela que lhe destruíra de dentro para fora. De olhos cerrados, o nobre aceitou a criança, mas não parecia que em alguma coisa mudaria a sua rotina. Alegria não parecia ser o forte de Ljunstrand, e decerto também nunca seria o da mãe de Freya, mas, na biologia —— ainda que essa fosse mais complicada do que a mera mortal ——, eventualmente os negativos, ao se multiplicarem, tornavam-se positivos, e a pequena loira parecia o perfeito exemplo para tal.
Aqui você fala um pouco sobre sua infância/mocidade (lembre-se que semideuses filhos dos 12 Olimpianos chamam a atenção de monstros desde a infância, dependendo da área onde reside);
Crescendo em um ambiente inóspito para uma criança, era de se esperar que a loira se tornasse um tanto quanto taciturna e resmungona, assim como seu progenitor, mas lhe parecia extremamente inócuo ter que passar os dias daquela forma. Freya, ainda bebê, parecia ter um apreço mais do que expresso pela movimentação —— eufemismo para dizer que era um verdadeiro diabo dentro da propriedade ——, a animação da garota percorria os corredores, trazendo cores novamente para a mansão dos Ljunstrand, cores estas roubadas tantos anos antes pelo seu pai. Solteiro cobiçado ainda pelas nobres dinamarquesas —— mais pelo motivo de estar velho demais para durar mais do que o necessário do que pelo charme antes aclamado ——, parecia natural que se casasse tão logo tivesse a oportunidade, mas a loira sempre espantava todas as pretendentes com sua mera presença —— ciumenta que era, bastava um olhar do canto da sala para que todas as damas se sentissem febris e o frio desolasse o lugar, tão diferente de como era antigamente. Foi apenas quando Fenrir a levou para passear em Copenhague, cidade mais do que conhecida pelos dinamarqueses, onde Freya se perdeu do homem, que sentiu a maior desolação de todas. O dia claro pareceu turvar seus pensamentos, e o calor extremo —— cerca de quinze graus célsius —— a desconcertou. A loira, que aos cinco anos parecia mais espevitada do que qualquer outro ser no reino, por alguns momentos, sentiu o corpo fraquejar, e ela teria desmaiado, pisoteada pelo restante dos transeuntes na rua repleta de pessoas no verão dinamarquês, não fosse pela dama que a resgatou.
Sob a égide da Belle Époque, era de se esperar que jovens de todos os países viajassem pela Europa, buscando conhecimento, cultura e prazeres carnais, e Odessa não era diferente das outras moças russas que se deslocavam rumo à França. O verão dinamarquês, contudo, não poderia ser desperdiçado, de modo que tanto ela quanto o irmão e amigos pareciam gostar mais do que o natural da cidade dinamarquesa. Não esperava, contudo, que encontraria o homem com quem se casaria naquela empreitada —— bem, talvez esperasse, mas jamais previra que fosse ser logo Fenrir. A dama salvou Freya de uma possível morte, e, estranha à cidade que era, cuidou da menina da melhor forma que pôde, ainda que o irmão e amigos parecessem muito mais interessados no pingente que trazia atrelado ao vestido rodado, um floco de neve. Assim que acordou, a menina não sabia onde estava, tampouco quem era a morena que parecia tão solícita; não sabia que Odessa tinha algo em mente, e usaria a garota como vantagem, então a agradeceu verdadeiramente. Algo na russa parecia chamar por Freya, e ela a aceitou, ajudando-a a conquistar o pai, aparentemente grato pelo resgate de sua única filha bastarda, ainda que não fosse tratada tal como uma, verdadeiramente.
Meses depois, uma Freya vestida toda de branco, ocupando a função de dama de honra dos recém-casados, levou à Odessa o controle de toda a Casa, e a morena não poderia estar mais grata —— não suportava a loira, mas ainda não podia fazer nada de útil para tirá-la de sua frente; Freya tinha o pai na palma de sua mão, e Odessa não parecia gostar do fato de não ter plenos poderes. Foi só quando convenceu Fenrir de que seria melhor que fossem para a Rússia que a loira enfim passou a perder os poderes mágicos sobre a vontade do pai. Em uma propriedade menor do que a dos Ljunstrand, a loira passou os nove anos subsequentes de sua vida, em um completo marasmo. Ainda corria pelos prados com sua égua premiada, era a melhor das cantoras da região e o casamento com um nobre russo estaria marcado muito em breve, mas não era como se a Rússia fosse a Dinamarca. Talvez, se não tivessem se mudado para lá, o pai ainda estivesse vivo até a sua morte natural, e Odessa ao menos poderia criar o filho corretamente. Demorou bastante para que a mulher engravidasse, e, com o passar dos anos, Fenrir parecia nutrir certo desgosto pela esposa. Em outubro de 1916, contudo, a notícia de que estava grávida chegou aos ouvidos do dinamarquês como uma canção rica em tenores e sopranos, ainda que a guerra o abalasse extremamente por não mais ser capaz de lutar como outrora fora. Não continuariam vivos por muito mais tempo, haja vista que a ameaça vermelha surgia no horizonte, mas, como bons nobres que eram, não imaginaram que Lênin e sua trupe fossem capazes de lhes atingir. Ao soar dos muitos avisos, fora em 1917 que tudo viria a ruir para a Rússia, e Freya veria toda a sua vida passar de bailes suntuosos e nuances coloridas para meras cinzas.
Aqui você fala um pouco sobre a descoberta do sangue divino;
Ela se lembrava de tudo, desde o barulho dos cascos de cavalo sobre o chão, assim como o cheiro da pólvora. Até então, a sua vida parecia comum, quase ordinária, mas nada em Freya um dia havia de ser ordinário, ela era apenas jovem demais para perceber o fato. Gritos masculinos perduraram pela noite, e as labaredas alaranjadas pintalgavam a escuridão de forma cruel, tirando-a do sono como quem o faria com um balde de água gélida do lago congelado mais próximo. Acordada às pressas pelas criadas, vestiu-se o mais rapidamente que podia, correndo pela mansão sem entender muito bem do que se tratava todo o alvoroço. Foi só quando viu os homens de roupas esfarrapadas que entendeu, deixando o castiçal cair sobre o carpete, inevitavelmente fazendo o barulho que não precisava fazer para que a escutassem. De olhos arregalados, Freya correu, correu o mais rápido que podia, mas não foi o suficiente —— era uma mera fidalga, resistência não estava entre suas atividades diárias —— e, antes que pudesse se dar conta, já tinha sido jogada ao chão, forçada a observar enquanto a praga que assolaria a Rússia Imperial degolava o pai a medida em que o homem tentava se defender. Covardes, era isso o que eram. A menina escutava obscenidades ao pé do ouvido, sob o aperto forte de um deles e, não fosse tão leiga quanto à matéria, teria entendido que não se tratava de um homem, mas de dracaenae, a voz untosa e reptiliana machucando os ouvidos. Infiltrado entre os bolcheviques, o monstro parecia encontrar prazer especial ao encontrar semideuses, e que surpresa não tinha sido ao encontrar a loira em meio a uma mansão que fedia a mortais? Foi só quando Odessa a encarou, pupilas dilatadas de medo, que algo em Freya pareceu despertar. Era fraca àquela altura, mas a distração da mulher, jogando-se sobre o homem, pareceu suficiente para que fosse capaz de escapar. Não ousou olhar para trás, incapaz de voltar ao local. Seguiriam a menina incansavelmente noite adentro, e ela com toda a certeza não teria forças para lutar por muito mais.
Talvez por providência divina, algo tenha intervindo ao seu favor. Bosque adentro, um grupo de caça nato parecia ter encontrado algum tipo de monstro maligno bom o suficiente para que exterminasse. Correndo pelo bosque, não esperava, de forma alguma, encontrar o monstro mítico, e o medo percorreu suas veias como o fogo lambia papel, rápido e doloroso. Prestes a morrer, contudo, uma seta prateada foi ao encontro do olho do monstro mítico. Niqué, pela primeira vez, parecia ter surgido ao seu favor, mas, à primeira vista, a loira só conseguiu encarar o grupo com olhos arregalados de medo, injetados de dor a medida em que os pés descalços pisavam nos galhos e espinhos. Não estava acostumada com aquilo, isso era certo, e Ártemis encarou a semideusa com um tanto de nojo. Sabia de quem era filha, e tê-la a sua frente só completava com a afronta que era para si. Contudo, Freya não tinha opção. Nervosa, implorou pela ajuda da deusa, ainda que não soubesse quem era, tampouco sabia quem a própria era, o que era, e Ártemis pôde ver algum tipo de potencial na nobre bastarda. Levou-a junto consigo, incapaz de deixar uma jovem pura sozinha, mas não se dignificou a explicar à menina nada sobre a sua origem. Horas de frieza, uma diferente da qual estava acostumada, foram cortadas pela tenente das caçadoras, explicando à loira do que se tratava. De início, olhou para todas como se fossem loucas, pensando que talvez ainda estivesse em um sonho, mas as mortes de Odessa, do irmão ainda não nascido e do pai pareciam assombrá-la de forma tão realística que não voltou a falar, a não ser quando interpelada pela deusa.
Ela lhe propôs a oferta derradeira depois de algum tempo, mas exigiu algo em troca pelos sentimentos que pareciam fluir pelo coração da semideusa. Vingança e a caçada eterna em troca de sua lealdade e sua voz. Freya não pensou sequer duas vezes, assustada que estava, pertencer a um grupo parecia melhor do que continuar vagando pela floresta até a próxima oportunidade de ser morta por soldados de Lênin —— não era sequer a sua guerra ——, e a proposta de vingança, acima de tudo, a atraiu mais do que qualquer coisa. Jurou lealdade à deusa naquela mesma noite, e, no mesmo momento, Ártemis arrancou suas cordas vocais. Que aquelas fossem as últimas palavras de uma filha de Quíone, pensara, talvez. Por dias, não conseguia sequer abrir a boca, mal conseguindo engolir o néctar e a ambrosia. Ártemis fez com que a mais nova caçadora sofresse por ser filha de quem era, sendo que nem mesmo Freya sabia quem era a sua mãe. Não importava, o que estava feito, estava feito.
Sua caçada começara, e durante um século por inteiro, ela continuou a ser da maneira que era, da maneira que iria ser. Meses depois, Ártemis cumpriu com a sua parte no acordo —— era uma missão comum, mas Freya se lembrava de ter derramado sangue mortal, incapaz de deixar o fato escapar por entre a sua mente. Não mais dormia, o frio parecia ter escapado de suas veias a medida em que flechava cada um dos homens responsáveis pelo assassinato de sua família. Estariam vingados? Não tinha certeza, mas tampouco pararia para pensar sobre o assunto. Estava acabado —— a Freya de antes morrera para dar lugar à caçadora de Ártemis, e a semideusa seguiria a deusa cegamente. A deusa não prestava muitas palavras à caçadora, e tampouco Freya era capaz de responde-la, mas, trinta anos depois de seu juramento, enfim lhe contou o motivo de tanta frieza. Era filha de Quione, mas a mãe tampouco parecia interessada em uma filha que jurou lealdade àquela que tentara lhe matar, éons antes. A deusa retirou a benção que tinha sobre a filha naquela noite de 1917, apenas para que demonstrasse ser capaz de algo que não ser uma verdadeira mimada —— também porque queria brincar com a cria, assim como o fizera com o pai. Aparentemente, ela era fraca demais.
Aqui você conta sobre a mudança para o CHB e sobre como sua personagem se encontra aqui dentro.
Um século depois, é cabível dizer que a dinamarquesa pouco tem como gostar da mãe, mas ainda assim põe Ártemis em um pedestal que não merece. Fora a única que a ajudara em um momento de necessidade, ao passo em que a mãe foi a responsável pela sua dor. Não poder falar ainda lhe dói, e as dores são constantes no pescoço —— a cicatriz, sempre muito bem escondida por uma gargantilha, é um dos sinais mais marcantes da vida que começara a ter quando ao lado de Ártemis ——, assim como a irritação quando não lhe entendem completamente. É a mais furtiva das caçadoras, especialmente por não conseguir fazer barulho, uma benção ao mesmo tempo em que é uma maldição. Altamente irritável, a atenção multifocal lhe dá motivos para ser a caçadora mais distraída na caça de Ártemis, e o apreço pelas modernidades sempre lhe apeteceu. De fato, desde pequena sempre gostou das novidades, de entender como as coisas funcionavam, e não bastasse isso, parece uma verdadeira criança quando não em serviço sob as ordens de sua deusa. A caçada foi longa até então, mas também não esperava ser jogada no Acampamento Meio Sangue até segunda ordem. Não estava sendo suficientemente boa para sua deusa? A lealdade latente a um dos seres que mais lhe machucou jamais seria substituída, especialmente por conta de sua palavra —— a última de sua vida quase imortal ——, mas, evidentemente, ressentia-se por não ser considerada útil para a deusa. Um tanto quando abobalhada, os traços nobres há muito pereceram em Freya, que se recusa a ser chamada pelo nome do pai desde a sua morte, assim como os poderes de sua mãe. Estes depenados pela própria quando escolheu se juntar à Ártemis.
De fato, seria uma longa estadia no Acampamento Meio Sangue, mas faria o possível para não envergonhar sua senhora.