período contemplativo
as vezes quando chega a madrugada dessas quentes e desconfortáveis penso em desaparecer [só estar longe] não, ninguém, nada começar do começo do começo do começo do começo esquecer (você) esquecer de nós de mim de nunca ser sua de nunca ser meu e não existir e não tocar e não viver e não beijar e não trepar e não chorar nem rir do não nem nada de tudo ou qualquer coisa vagar pelas cidades em outros países tocando a vida das pessoas me deixando ser tocada só pra logo depois desaparecer tão súbita quanto vim sendo nunca de ninguém (sempre sendo sua) e a saudade seria muito mais suportável do que essa essa saudade insuportável essa saudade das coisas tão próximas tão distantes inalcançáveis essas coisas que desejo sem desejar ou sem precisar ou sem querer ou (será que você) me lê? e você me lê ou talvez não leia mais porque de fato ninguém lê ninguém além de quem procura o que ler em alguém que já não escreve mais então você não me lê assim como não te leio [mesmo querendo tanto] e tudo bem, tudo bem não quero que leia minhas lágrimas espremidas tão difíceis de escorrer porque até elas já cansaram de correr pra você de você de mim não quero que me leia e pense em mim magoada quebrada morta melhor sem você você melhor sem mim não quero que me leia e pense que eu já (não desisti de tudo ou qualquer coisa) não quero que me leia e pense que (ainda sou sua) então fica fica aqui comigo só mais uma vez só mais algumas horas só por mais uns dias porque logo isso tudo não vai ser verdade amanhã amanhã vai ficar tudo bem e será como se nada tivesse sido sentido ou existido e não serei mais [porque nunca foi e nunca existiu] acabou.


















