{quem eu sou} part.1
Demorei para me conhecer de verdade, demorei para me aceitar, perdi tantas coisas pelo medo, medo de arriscar, medo de me permitir.
Hoje eu sei quem eu sou e sei bem o que quero.
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{quem eu sou} part.1
Demorei para me conhecer de verdade, demorei para me aceitar, perdi tantas coisas pelo medo, medo de arriscar, medo de me permitir.
Hoje eu sei quem eu sou e sei bem o que quero.
Manter-se inteiro é também aceitar-se vazio!
Ouço muito por aí: ‘não vá deixar a peteca cair!’
‘Nessa vida tem que ter jogo de cintura, não pode perder o rebolado, nem descer do salto.’ Não deu certo (um namoro, um emprego, um alvo) parta pra outra, rapidinho! Se deu mal num caminho, nem pense, vá logo buscar outro. Afinal, a vida é muito curta para estar parado, mal amado, solitário e desempregado.
Arranja logo um ‘substituto’, o quanto antes, ponha logo na mira o plano B. Aliás, tenha sempre um plano B! (que muitas vezes é muito parecido com o A, mas mudam-se os protagonistas, os coadjuvantes e o cenário. Ás vezes o plano B é simplesmente viver a mesma vida em outra cidade, país, terreno. Se você for o mesmo, seu plano B é apenas um plano A disfarçado).
Mas não importa! A ideia é não parar, nessa vida a gente não pode parar! Para ser feliz e importante, tem que estar ativo. Por isso mantenha-se ligado, mantenha-se amado e amável, mantenha-se amando, querendo, desejando, mantenha a postura, o gingado e o nariz levantado.
É o que dizem por aí. Mas aí a vida diz corra, e lá no fundo do seu coração há um pulsar mais fraco, de velhinha querendo cama, mesmo que solitária. Há uma respiração frouxa, um cansaço desse andar desenfreado, há um ritmo que descompassou e pede quietude. Há uma vontade, bem lá no fundo, de não resolver nada agora, nessa hora de desencontros, derrotas e abandonos. Há uma vontade de sair da dança para pegar um pouco de fôlego nas margens da vida.
Acabou a energia pulsante, não há lágrimas e nem vontades. Os sentimentos estão desérticos, a alma não quer renascer agora, esta alma que já teve algumas primaveras este ano. Agora está hibernando. Deixe ela quieta! Parar não é morrer, não é vegetar, muitas vezes é apenas meditar, respirar fundo, entender para voltar feito borboleta: voando leve e mais colorida ainda.
Não deixar a peteca cair, emendar um voo no outro, desdobrar o plano B antes mesmo que o A tenha se findado, pode significar uma queda mais vertical no final. Pode significar que nasça uma borboleta de uma asa só. Há um tempo de maturação entre um final e um começo.
Por isso, deixe sim a peteca cair, descompasse, fique na cama no sábado à noite, não faça as malas ainda. Pode ficar um tempo fechado para balanço, organizando o estoque dos sentimentos ou apenas respirando, sentado na encruzilhada de um mundo absurdo que não para te pedir tudo quando você já não pode oferecer nada. Não ainda.
Clara Baccarin
Ana Maria - Homossexualidade - Parte 1
Aceita-te como és e aceita a vida em que deves estar, na condição em que te vês, a fim de que faças em ti o burilamento possível.
Emmanuel.