- Oi Lu, tudo bem? - eu respondi com convicção, tranquilo, seguro de mim e, imediatamente ao mesmo tempo comecei a chorar, conectado com a energia dos sentimentos mais infantis que aquela situação toda despertara em mim. Naquela tarde eu chorei por saber que haviam dores entre nós dois, chorei por não saber lidar com tudo que eu vinha sentindo, chorei incomodado com as tantas feridas que eu já reconhecia que a monogamia enquanto instituição social causava por toda parte e chorei de cansaço, por que todas as vezes que eu choro, há essa exaustão emocional de quem sente que não está deixando vazar só a sua própria dor. Quase como se abrisse um pequeno buraco num ciclo de água corrente que vinha se acumulando nos últimos meses e então, de repente, encontra um espaço de passagem e toda aquela água ali acumulada começa a fazer pressão para passar por aquele pequeno buraco. É assim, uma explosão de lágrimas, tentativas de controlar a respiração para acalmar os batimentos cardíacos e discrição para encontrar um banheiro ou camarim dentro de um teatro ou outro para eu não ser visto aos prantos.









