RELATOS DE UM HOMEM NEGRO E GAY NA CONTEMPORANEIDADE
Abordar a vivência do homem negro e gay em nossa sociedade é um ato que constantemente nos remete à história de desenvolvimento do Brasil. Apesar de avanços nas questões relacionadas ao movimento LGBT, o recorte racial nos faz perceber que as melhorias atingem apenas parte desse grupo. O corpo negro continua a ser objetificado e hipersexualizado, sendo personagem do fetiche de muitos, o forte, o másculo, o viril; a comprovação disso se dá em uma rápida busca na internet com as palavras “gays negros”.
Sigo me perguntando, como r-existir em espaços que me excluem? A questão negra também deveria ser LGBT, da mesma forma que a causa LGBT deveria ser negra, já que eu e vários outros existem na intersecção desses dois movimentos. Tais recortes, infelizmente, ainda não são feitos tanto quanto deveriam. Marcados pela invisibilidade, homens negros e gays podem muitas vezes sentir-se pressionados a esconder partes da sua identidade para atenuar o estigma; como diz Arthur Romeu em seu texto “Carta Aberta de um Negro Homossexual”: “ser preto e ser viado tomavam muito espaço em minha identidade, suprimir aquilo não era fácil, era doloroso. Até que a represa estourou.”.
Apesar de todos os fatos apresentados, felizmente a discussão tem sido compartilhada desde o mundo virtual aos espaços físicos, o que nos mostra uma luz no meio do breu. Para muito além, falar sobre como é ser homem negro e gay é dizer que, mesmo que por muitos momentos silenciados, invisibilizados, preteridos ou objetificados, nós amamos; nos apaixonamos, nos divertimos, rimos e também sonhamos; a despeito do lugar que nos é imposto pela sociedade, (r)existimos, afrontamos e somos sujeitos de nossas histórias.
















