DEAR WHITE PEOPLE
Toda a trama começa quando na universidade Winchester, que é majoritariamente branca, acontece uma festa no dia das bruxas onde o tema é cultura negra e vários alunos brancos fazem black face. Como resposta a esta festa, as alunas e alunos negros se organizam para de alguma forma evidenciar o racismo que está presente no campus da universidade e lutar contra ele.
Bom, a série aborda assuntos necessários, como homossexualidade, relacionamento interracial, colorismo, branquitude, racismo, coação policial, solidão da mulher negra entre outros. A primeira temporada tem 10 episódios, sendo que cada um deles fala um pouco sobre uma personagem e mostra a sua perspectiva sobre a discussão que está ocorrendo.
Mas gostaria de compartilhar com vocês uma reflexão sobre um outro ponto.
No decorrer dos episódios todas essas questões que eu citei são tratadas com um sarcasmo muito inteligente, porém não tão aprofundadas, isso não é inteiro por negativo porque as discussões foram bem didáticas. Contudo, eu comecei a notar que esses temas estavam ligados em prol de uma outra discussão, que acredito ser a principal, que é: como pessoas negras lidam com a luta anti-racista e a complexidade das relações? Quais as melhores alternativas que temos para que a luta seja mais eficaz? Não concordamos em tudo, mas será que isso está atrapalhando? Resumindo, a série nos leva a um espelho onde conseguimos observar os mecanismos e o funcionamento do coletivo negro. Somos, como qualquer outro grupo, cheio de questões que fazem parte do campo individual e do coletivo — a série evidencia isso muito bem.
O conteúdo da temporada também me levou a fazer um paralelo com as pessoas negras que militam na causa anti-racista hoje e que estou próximo de alguma forma.
Os questionamentos que eu tenho para fazer são: será que temos nos preocupado com os nossos colegas de militância? Os recortes estão sendo feitos? Será que temos em mente a dificuldade de nos mantermos unidos e que foi plantada no período escravocrata? Até onde conseguimos nos manter saudáveis tendo que lidar com tantas dificuldades diariamente? Se você é uma pessoa negra e milita na luta anti-racista são essas questões que eu quero deixar para reflexão.
Agora, um recado para você querida pessoa branca. Talvez você não esteja familiarizado com outras pessoas te tratando como um ser que possui raça, assim como indivíduos não-brancos são tratados grande parte do tempo, não tem nada de ofensivo nisso, apontar os seus privilégios faz parte da luta anti-racista e, se entender como pessoa branca inserida em uma sociedade racista te faz consciente e não vítima dos oprimidos. Por isso não ache estranho quando falarmos sobre branquitude e mostramos as desigualdades, afinal isso não te faz perder privilégios porque racismo é estrutural e vai continuar te beneficiando até que acabe, espero muito que você saia da sua zona de conforto e busque o que é branquitude, por exemplo, procure entender o que estamos falando quando questionamos algumas atitudes/pensamentos e nos ajude na luta contra o racismo.





