〔 @ahjwrl ⋆¸* ⋆ —— 〕 // jooheon não gostava de pegar aquela rua sem que os fones de ouvido estivessem seguramente alojados nos ouvidos. não havia música saindo deles, mas era mais descomplicado não ouvir os próprios passos no concreto, não ter que realmente registrar os olhares que o seguiam dos becos. dessa forma, ele precisava apenas se curvar o suficiente para não chamar atenção e se concentrar em seguir a sombra que, àquela hora, se projetava imponente das paredes que envolviam a cidade. a paisagem de marnmouth era maltratada, bonita de um jeito tão profundo e triste que atraía o olhar; os tijolos tinham lascas e inscrições feitas com canivetes —— em maioria poesia, promessas de amor esperançosas assinadas com iniciais, e lamentos que revelavam consideravelmente menos esperança. com o casaco batido, as unhas sujas e os cabelos claros perturbados pelo vento, jooheon existia em consonância com a periferia do limbo. um ruído insistente o fez arrancar os fones dos ouvidos e direcionar a atenção para o local de onde o som emanava, demorando alguns instantes para localizá-lo. um homem fazia círculos ao redor de alguma coisa—— alguém, uma garota, pequena em estrutura e aparentemente imóvel.
poderia realojar os fones de ouvido e passar reto; não seria a primeira vez. mas algo martelava com uma insistência desconfortável em sua cabeça, sussurrando que se o fizesse agora não seria capaz de deitar a cabeça no travesseiro mais tarde. praguejando para si mesmo, deu meia volta e aproximou-se a passos mudos. havia algo no olhar da garota que fazia com que ela não parecesse estar inteiramente ali, como se apenas parte de seu corpo pudesse sentir os golpes e ouvir as provocações. o estômago de jooheon afundou. odiava afundar as mãos na sujeira interna das gangues, e mesmo assim, quando percebeu que expulsava palavras elas já eram afiadas e numerosas demais para atenuar. não sentiu o primeiro empurrão, nem o primeiro soco; foi a sensação dormente ao lado da boca que o fez voltar a si. o espaço entre as costelas queimava, incendiado pela familiaridade; ele sabia brigar. o havia feito durante a vida inteira e ainda conhecia os próprios instintos com uma exatidão assustadora. de relance, notou os cadarços das botas que a garota usava e, de imediato, seus punhos pairaram no ar; eram escuros e austeros, condizentes com o restante do uniforme. ela era um anjo. ela era um anjo, por que não conseguia se defender?








