Natal, 25/12/2002 || Flashback
Foi com apenas quatro anos que a pequena Sam aprendeu que seu pai, Julius, não ligava muito para o que a garota sentia. Ele sempre estava trabalhando e trabalhando. Uma semana antes do natal, a menina perguntou se o pai iria passar a tão esperada noite natalina com ela. Julius estava com uns papéis na mão, ele sempre acabava levando trabalho pra casa, então ele apenas assentiu e disse para a garota ir para seu quarto. A menina fez o que lhe foi mandado. Estava animada, seu pai nunca tinha passado um natal com ela, sempre tinha algum compromisso agendado. Ao entrar em seu quarto, sua avó estava arrumando a sua cama, disse que estava tarde e que a garotinha precisava ir para a cama. Sam apenas sorriu e concordou. Contou a sua avó a conversa que tinha tido com o pai, mas sua avó suspirou tristemente e disse "Ah, pequena, você não preferia que fossemos para a casa de sua tia?" a menina prontamente disse que não. Ela iria passar o natal com o pai e pronto.
A semana se passou e Sam notou que seu pai estava mais distante que o normal. A garota falava e ele apenas sorria. Ao longo da semana, foi para casa apenas 3 vezes, e nas três, trouxe um livro no para a menina. Ela não achou ruim, mas estranhou. Seu pai costumava dar apenas brinquedos, mas não ela não reclamou.
Quando o tão esperado dia natalino chegou, Sam acordou cedo e correu para o quarto de seu pai. Mas ao chegar lá, encontrou o quarto vazio. Ela desceu correndo pela escada e foi até a grande árvore que estava no centro da sala, a árvore estava rodeada de presentes de todos os tamanhos, a maioria embrulhados nas cores preferidas da menina -azul e laranja-. Ela prontamente partiu em disparada para abri-los. Antes que ela pudesse abrir qualquer um, seu pai saiu da cozinha, ele estava de terno e com uma maleta na mão.
- Papai? O senhor vai sair? - A menina se levantou e correu até Julius. Ele se abaixou até a altura da criança e sorriu.
- Sim, filha. Papai precisa ir para o hospital, tenho pacientes para hoje. - Os olhos da criança se encheram de lágrima. - Não fique assim, pequena. Amanhã de manhã eu estarei de volta.
- Mas papai, você disse que passaria o dia de natal comigo. - Ela fungou e Julius suspirou. Ele levantou a menina e a colocou de volta perto da árvore.
-Continue abrindo os seus presentes, meu amor. Amanhã eu estarei de volta. - Ele deu-lhe um beijo na testa e saiu da casa. Imediatamente a garota desabou chorando no chão. Ela não conseguia acreditar que seu tão amado pai fizera isso novamente. A deixara sozinha, no dia de natal, com presentes para consolá-la. Como se o amor pudesse ser comprado com aqueles embrulhos. Ela então respirou fundo, limpou as lágrimas e levantou-se. Se seu pai não queria dar-lhe carinho, ela sabia um modo de encontrar. Ela pegou um de seus livros novos e foi para a biblioteca. Lá sim, a pequena Sam conseguia encontrar um refúgio onde ela seria um bruxa ou uma espiã, até mesmo uma raposa. Com os livros, Samara conseguia ser verdadeiramente feliz.










