O ateniense não saberia dizer há quanto tempo estava escorado no portal de seu quarto, observando @brilhabriana conversando com Cassie. Era o tipo de visão que costumava lhe trazer um convite para se perder em seus pensamentos e daquela vez não era diferente. Bem, apenas um pouco, pois agora o que preenchia sua mente eram lembranças de algumas noites atrás, quando finalmente admitiu para a esposa toda a bagunça que se tornará sua vida. A primeira briga séria do casal foi, ironicamente, o momento mais libertador de sua vida;; podia enfim ver que não era mentira quando falavam que pôr seus problemas para fora ajudava — os ombros ainda estavam pesados, é claro, porém sentia como se boa carga fosse deixada ao compartilhar pensamentos que outrora haviam sido trancados as sete chaves. No entanto, agora que a recapitulava, precisava admitir que sentia também um certo gosto cítrico em sua boca ao notar fatos que na hora lhe passaram despercebidos ou então por não conseguir falar nada na hora que deveria. Briana havia estado irritada com ele e por uma razão válida e ele nem ao menos pôde reconhecer aquilo.. A voz melodiosa da esposa chegou aos seus ouvidos, despertando-o de seu transe e finalmente, o príncipe se aproximou da poltrona em que ela estava dando de mamar, confortável, até que estivesse diante da esposa.
Os orbes esverdeados se mantiveram focados nos castanhos que tanto amava durante o pequeno percurso, até mesmo quando ele se sentiu sobre os calcanhares, um movimento que o obrigou a erguer o olhar para manter o contato;; as íris claras ainda não tinham toda a luz que lhe era tão comum, no entanto, já se encontravam menos nubladas ( tudo graças a mulher maravilhosa em sua frente ). ❝ — Eu quero pedir perdão a você, por tudo ❞, os lábios se comprimido em uma pequena linha nervosa, contudo, as palavras vinham carregadas com certeza. E antes que ela pudesse mesmo pensar em falar algo, pelo sim e pelo não, o louro gesticulou com a destra, não abrindo espaço para comentários. A situação com sua família, como um todo, era demasiadamente complicada, mas também jamais fora do feitio de Xeno fugir de seus erros. ❝ — Me desculpe por ter falado com você daquele jeito naquela noite ❞, começou, julgando não precisar fornecer mais detalhes para que ela soubesse a que noite se referia. Mesmo que não tivesse chegado a gritar de fato, aquele fora o mais alto e que havia falado com a Brunelleschi desde… sempre. Um ato talvez justificado pelo calor do momento, só que, ainda assim, um do qual ele não se orgulhava. Os dedos se fecharam em torno da destra feminina, o polegar traçando círculos suave ali.
❝ — Eu estava mais frustrado, especialmente quando mencionei seu pedido a Gustav, mas não com você. Quero deixar claro que em momento algum lhe culpei por fazê-lo. Era de fato uma suposição válida baseada em meu comportamento inusual ❞. A expressão carregava um misto de ternura e arrependimento, pois era de fato sua culpa por ter aberto margem para que sua esposa pensasse aquilo — ele próprio no lugar também poderia pensar a mesma coisa. O que levava ao mais importante: ❝ — Me desculpe por não ter contado tudo antes. Eu deveria ter sido honesto com você desde o princípio, mas.. bem eu estava perdido e, acima de tudo, em negação;; lutei tanto com a realidade por algum tempo que nem percebi que acabei me afastando de todos. Pode até explicar meu comportamento nos últimos tempos, mas não o justifica. Me desculpe por ter lhe deixado sozinha, por ter lhe sobrecarregado com minha ausência e, acima de tudo, por ter lhe feito pensar que não podia contar comigo quando mais precisava ❞, sua sinceridade era evidente não apenas nas palavras, como também em toda sua postura. Na forma como seus olhos em momento algum desviavam dos dela, no jeito arrependido, porém firme, com o qual falava. Não havia feito nada daquilo por mal, é claro, todavia, podia apenas sentir vergonha de si próprio. Tais ações lhe recordavam do sentimento de abandono com o qual conviveu a vida toda graças a ausência de seu pai ( culminada também por causa de um luto ) e definitivamente não era o homem que queria ser para sua família. Não era o homem que ele seria para sua família. ❝ — Independente de tudo, você tem todo o direito do mundo de estar frustrada comigo por causa disso, e ainda assim acabou tendo que me confortar naquela . Eu honestamente não sei como expressar em palavras o quanto eu te amo por isso, então acho que vou ter que ir até o fim da vida tentando me redimir e também agradecer por isso ❞, a esquina de seus lábios se ergueu num pequeno sorriso, esperançoso por aquilo, adoração agora visível em seus olhos ao mirar ela e a pequena menina em seu colo. O sorriso então vacilou por exatos dois segundos ante um dos próprios pensamentos, mas o Karahalios então respirou fundo enquanto entrelaçada seus dedos aos dele e então aproximou o torso da mão feminina aos lábios para que pudesse depositar um singelo beijo ali. A certeza mais uma vez estampada em sua face quando finalizou: ❝ — Ainda é difícil, não sei o que fazer em relação ao meu irmão, a.. tudo, mas posso lhe assegurar que isso não vai mais se repetir. Você está certa, eu não estou sozinho e lhe dou minha palavra que não vou lhe deixar sozinha novamente, nunca ❞