A Ira dos Deuses
“Olha as nuvens
Carregadas, escuras, apavoradas.
Olha o céu
Desenhado, confuso, exaltado.
E a lágrima rola …
Pingo por pingo
Um a um, num lapso descontrolado de sentimentos desvirtuados perdidos ao léu …
E num suspiro
O raio
Que desestrutura a carcaça de ferro
de barro, de pano, de pele …
de dentro, fora
lado …
E o tempo, parado,
que amaldiçoa o momento
e enche, derruba
destrói, arruína.
Olha as cachoeiras que descem do céu.
Faz da terra sua lagoa particular
E deixa escoar com a pausa do pranto dolorido as maledicências do ontem, do hoje e do amanhã.
Lança em gemidos sofridos suas energias de fogo para que ouçam …
Ouçam! OUÇAM !!!
Que dói em mim os erros e sofrimentos e, por isso …
Olhem as nuvens
Carregadas, escuras, apavoradas.
Olhem o céu
Desenhado, em cinzas, exaltado.
Olhem pro espelho,
Nos olhos …
Porque o raio que desestrutura a carcaça de ferro, de barro, de pano, de pele …
Junto ao suspiro de fogo que se mistura aos pingos, um a um
Num lapso descontrolado dos sentimentos desvirtuados que caem ao léu,
Estou eu
A analisar cada momento …
Até que se chegue ao fim.”
ACF - 02/02/2004
Uma paixão que nasceu há mais de 30 anos e permanece até hoje. Comecei a escrever poesias com 12 anos ... os primeiros versos surgiram junto com as primeiras palavras e desde então, tendo papel e caneta na mão, a inspiração não me permite ficar parada (sim, sou “old school” e amo papel e caneta)... Vou resgatar as primeiras que escrevi e dividir com vocês ... vale pra lembrar a inocência da época.
















