Apesar de ter ido dormir tarde e tido uma péssima noite de sono por conta de seus sonhos, Alexandra Lehnsherr havia acordado com o sol, como sempre. Ser filha do deus do sol tinha suas vantagens, mas aquela com certeza não era uma. E ela sabia que seus irmãos concordavam, pois o chalé atrás de si zumbia com vida e murmúrios cansados enquanto o resto do acampamento ainda estava silencioso. O sol se erguia lentamente no horizonte, pintando o céu com uma cor alaranjada. E por mais que quisesse mais que tudo voltar a dormir, ela não conseguia não admirar a beleza do nascer do sol — e ponderava distraidamente se valia a pena uma ida a praia àquela hora.
A mulher soltou um forte suspiro, esticando as pernas sobre a escadas da varanda, o livro de matemática balançando precariamente no colo. Era a única do lado de fora, como sempre, e sabia que não estava na sua melhor forma, olheiras debaixo dos olhos, pele anormalmente pálida, ombros caídos e emanando exaustão. Mas simplesmente não conseguia viver sem seus momentos de quietude antes do dia começar de fato — por isso era sempre a primeira a sair do chalé quando o risco de ser atacado pelas harpias passava. Ou pelo menos era isso que achava, até ver alguém passar a sua frente, e ao não reconhecer de imediato, Alexandra falou: “Hey! Você tá bem?” era uma visão anormal, ver alguém ali aquela hora.














