livro-me
Não tem mais como me apagar. No meu livro eu me livro.
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livro-me
Não tem mais como me apagar. No meu livro eu me livro.
gelo quente
Às vezes sinto pessoas como gelo, mas ao mesmo tempo lembro que se a gente segura um pedaço de gelo por muito tempo ele até queima e derrete. Talvez elas não sejam tão geladas.
perfume
A post shared by Alberto Pereira (@albertopereira) on Nov 16, 2017 at 4:19pm PST
Somos perfumes, temos de ficar atentos para mantermos sempre a nossa essência e não nos deixarmos evaporar.
Segue teu cheiro, tua intuição a dor da indecisão é de perfurar para exalar odor do coração atente-se para perfumar
embora de mim
Eu já fui embora de mim muitas vezes. Em muitas delas, carreguei em mim a vontade dos outros. Acontece. É que a gente vai vivendo, aprendendo, convivendo e pode ficar turvo o que é nosso e o que é do outro. Mas chega um momento que o ontem que fomos não cabe no hoje que estamos. E quando vamos embora, é bom carregamos só o que vale a pena na bagagem.
Eu cultivei por quase 6 anos histórias que cresciam com meus cabelos e depois dreads, ou os dreads crescendo com as histórias. Cultivar dreads para mim é algo além da estética: tem força, um exercício constante de paciência, cuidados, resistência e, obviamente, afirmação das minhas raízes.
Enquanto eu crescia, eles cresciam comigo. Inclusive a minha autoestima. Os anos foram passando, as experiências foram acumulando e o cabelo cheio dessas vivências foi pesando. Há 1 ano senti que era o momento de ir embora de mim de novo.
E num 11/04/2020 me olhei no espelho e pensei: é agora. Lá estava um outro Alberto, com a bagagem que valeu a pena desses quase 7 anos, mas sem o peso dos dreads. É louco pensar como o cabelo age em nós e leva cargas que não queremos mais. Depois dos dreads cortados eu passei a me vestir diferente, a buscar outras versões de mim. Até o meu trabalho mudou. Eu mudei por dentro e por fora, fiquei mais leve - e literalmente mais leve também hahaha.
Eu espero que você vá embora de você muitas vezes. Das suas convicções, gostos, condições, cabelos, estilos musicais, referências diversas, trajetos do dia a dia, enfim, o que puder, for possível e, genuinamente, de tua vontade. Eu tenho medo de quem fala com muita certeza "eu nunca vou mudar", pois a maior parte desse tipo de pessoa vai se afogar no próprio ontem e retroceder sua evolução e de quem estiver por perto.
Sendo assim, te espero amanhã, diferente de hoje.
Complexo de vira-lata
As latidas das ideias terminam em lambe-lambe espécie de mordida e afago que carrego no peito e nas costas, pigmento preto em papel branco.
Quase cachorro, vira-lata, caramelo coisa complexa essa história à margem do lado de dentro imagem do lado de fora papel que se funde, artista que se fode sempre entre realizar e pedir esmola.
Não sei ao certo quando imprimi viver sobre o papel, mas sigo sendo. Posso ser rígido feito parede, fino como navalha de tal modo que se amasso, estico se rasgo, colo, se venta, esgueiro e se dilacero, reciclo.
Usuário
Sou usuário há 22 anos.
Comecei com discada, era uma criança de 11 anos ainda. Era um bagulho caro e chamava atenção. Buscava um barato qualquer pelo cadê, ig e uol. Não dava pra chapar muito e tinha que usar na frente de todo mundo em casa sem pudor.
Em pouco tempo a droga alastrou. Aos 12 se espalharam as bocas, comércios chamados de Lan House. Era coisa de boy e tu pagava o uso por minuto. Quem tinha condição virava uma noite usando com outras pessoas no chamado corujão.
Dos 16 pros 17 já tava viciado no consumo de mega byte. Chapava via 4shared, orkut, the pirate bay, msn. Passei a me consumir por scraps, depoimentos, mensagens e emojis. Comecei a viciar na postagem de fotos com o fotolog. Experimentei o YouTube. Passei a upar vídeo. E a partir dessas redes vieram os efeitos colaterais de ansiedade e narcisismo.
Aos 22 minha adicção passou a andar no bolso. Passei a usar na rua, no banheiro, transporte público, sala de aula, biblioteca, trabalho, consultório, teatro, restaurante, shopping, museu e na cama antes de dormir. Sozinho e acompanhado. Era só pagar e uma empresa te fornecia na hora de onde tu tivesse, nas modalidades pré-pago ou pós-pago. Fali.
Junto disso chegaram dois produto no Brasil: facebook e twitter. Fissura total, mistura de texto, foto, vídeo, atenção e ego. Um ano depois lançaram o Instagram. Onda de fotos com filtro, mas usando com ou sem filtro, um bagulho altamente tóxico. Aumentava consideravelmente o número de pessoas que, como eu, consumiam juntas só no seu próprio grupo. Nos fechamos.
Depositei tempo para ganhar "reconhecimento", e não me reconhecia. Só aos 29 diminuí meu uso e entendi que a conexão que tanto buscava não era com o mundo, mas comigo. Compreendi meu uso como ferramenta de trabalho, tráfego de informação e amplificação de histórias. É como um programa de redução de danos. Em parte, o próprio uso contribui para minha sobrevivência e, sendo assim, tento converter para expandir e compartilhar interesses. Hoje, com internet fico atento e sem internet fico seguro. E o aprendizado é o caminho do meio, entre obeservar árvores e algoritmos. Vou parar por aqui que já estou emojionado.
Você é usuário há quanto tempo?
Estudos sobre o mundo invertido
Temos vivido pelo mundo invertido onde espaço e tempo vivem em telas e algoritmos.
Enquanto nosso corpo vira pixel nos desmembramos em várias janelas: são os sites com infinitos hectares, plantation do novo século, onde comemos memes, geramos dados bebemos reels, cagamos zaps, nos limpamos em filtros, gargalhamos em letra kkk choramos emojis, buscamos likes e expressamos em figurinhas.
Coleção de gifs expressos, enquanto dançamos em tiktok e ganhamos views. Quem não dança já dançou: somos laranjos do negócio internet. Empresas monetizam e eu me gasto com a farinha de bites que cheiro todo dia.
O feed nutre o corprofile e, enquanto não saboreio o almoço, percebo que todos nós somos seguidores, followers do inverso do presente, enquanto marcamos presença.
É, parece que agora é outra storie.
ballet ou bailar
Que a gente seja como quiser. Dar as costas para si é de dar dó. Homem ou mulher ou nem isso identificar de saia pro ballet descalço pra bailar há de entender que rótulo é coisa de quem estuda ignorância.