Hilda Hilst
Da série "Alcoólicas".
seen from United Kingdom
seen from China
seen from China

seen from Germany

seen from United States

seen from Australia
seen from South Korea
seen from United States
seen from South Korea
seen from China
seen from China
seen from China

seen from United States
seen from China
seen from Türkiye
seen from China

seen from United States
seen from United States
seen from Maldives

seen from United States
Hilda Hilst
Da série "Alcoólicas".
UNE usou verba pública para comprar bebidas alcoólicas
UNE usou verba pública para comprar bebidas alcoólicas
UNE usou verba pública para comprar bebidas alcoólicas e muito mais.
As contas da entidade podem ser reprovadas
A prestação de contas da União Nacional dos Estudantes (UNE) está sendo analisada pelo Tribunal de Contas da União (TCU). O motivo é que a entidade pode ter utilizado verba pública, que deveria ser usada em programas culturais, com gastos que não foram para a área.
| Curta nossa página:
View On WordPress
#alcoolicas @anairamdeleon @giuliadelbel_ aguardem. foi um prazer imenso filmar esse trabalho com todas as @britneyscrew obrigado! ❤️ (em São Paulo, Brazil) https://www.instagram.com/p/BpSqs5VndPhWWndniBHizIpcv0dEmIQc3MQHS00/?utm_source=ig_tumblr_share&igshid=at79o6ehks1o
Alcoólicas - Hilda Hilst
É crua a vida. Alça de tripa e metal. Nela despenco: pedra mórula ferida. É crua e dura a vida. Como um naco de víbora. Como-a no livor da língua Tinta, lavo-te os antebraços, Vida, lavo-me No estreito-pouco Do meu corpo, lavo as vigas dos ossos, minha vida Tua unha plúmbea, meu casaco rosso. E perambulamos de coturno pela rua Rubras, góticas, altas de corpo e copos. A vida é crua. Faminta como o bico dos corvos. E pode ser tão generosa e mítica: arroio, lágrima Olho d'água, bebida. A vida é líquida. (Alcoólicas - I) * * * Também são cruas e duras as palavras e as caras Antes de nos sentarmos à mesa, tu e eu, Vida Diante do coruscante ouro da bebida. Aos poucos Vão se fazendo remansos, lentilhas d'água, diamantes Sobre os insultos do passado e do agora. Aos poucos Somos duas senhoras, encharcadas de riso, rosadas De um amora, um que entrevi no teu hálito, amigo Quando me permitiste o paraíso. O sinistro das horas Vai se fazendo tempo de conquista. Langor e sofrimento Vão se fazendo olvido. Depois deitadas, a morte É um rei que nos visita e nos cobre de mirra. Sussurras: ah, a vida é líquida. (Alcoólicas - II) * * *
Alturas, tiras, subo-as, recorto-as E pairamos as duas, eu e a Vida No carmim da borrasca. Embriagadas Mergulhamos nítidas num borraçal que coaxa. Que estilosa galhofa. Que desempenados Serafins. Nós duas nos vapores Lobotômicas líricas, e a gaivagem se transforma em galarim, e é translúcida A lama e é extremoso o Nada. Descasco o dementado cotidiano E seu rito pastoso de parábolas. Pacientes, canonisas, muito bem-educadas Aguardamos o tépido poente, o copo, a casa. Ah, o todo se dignifica quando a vida é líquida (Alcoólicas - III)
* * * E bebendo, Vida, recusamos o sólido O nodoso, a friez-armadilha De algum rosto sóbrio, certa voz Que se amplia, certo olhar que condena O nosso olhar gasoso: então, bebendo? E respondemos lassas lérias letícias O lusco das lagartixas, o lustrino Das quilhas, barcas, gaivotas, drenos E afasta-se de nós o sólido de fechado cenho. Rejubilam-se nossas coronárias. Rejubilo-me Na noite navegada, e rio, rio, e remendo Meu casaco rosso tecido de açucena. Se dedutiva e líquida, a Vida é plena. (Alcoólicas - IV) * * * Te amo, Vida, líquida esteira onde me deito Romã baba alcaçuz, teu trançado rosado Salpicado de negro, de doçuras e iras. Te amo, Líquida, descendo escorrida Pela víscera, e assim esquecendo Fomes País O riso solto A dentadura etérea Bola Miséria. Bebendo, Vida, invento casa, comida E um Mais que se agiganta, um Mais Conquistando um fulcro potente na garganta Um látego, uma chama, um canto. Amo-me. Embriagada. Interdita. Ama-me. Sou menos Quando não sou líquida. (Alcoólicas - V)
Se um dia te afastares de mim, Vida — o que não creio Porque algumas intensidades têm a parecença da bebida — Bebe por mim paixão e turbulência, caminha Onde houver uvas e papoulas negras (inventa-as) Recorda-me, Vida: passeia meu casaco, deita-te Com aquele que sem mim há de sentir um prolongado vazio. Empresta-lhe meu coturno e meu casaco rosso: compreenderá O porquê de buscar conhecimento na embriaguês da via manifesta. Pervaga. Deita-te comigo. Apreende a experiência lésbica: O êxtase de te deitares contigo. Beba. Estilhaça a tua própria medida.
Hilda Hilst - Alcoólicas