quando o que desejo é inalcançável, sonho. não porque o sonho traz o que quero, mas porque pensar continuamente no que desejo forma um tipo de hiper-realidade que consome o ~objeto~ desejado. diferente de um dia de chuva, que alonga as horas, o pensamento é um espelho retrovisor, que faz com que o que é refletido pareça estar mais perto do que está de verdade, e consumível, e palpável.
o sonho desgasta o desejo.
no sonho, realizo - não no sentido de "tornar real", mas de "perceber" - a coisa inteira. os poros, as formas, as arestas. esquadrinho todas as possíveis respostas, os sins, os nãos. os caminhos do labirinto a que cada resposta empurra, as portas fechadas, a maçaneta gelada. escancaro as surpresas, desfaço os laços dos pacotes, tiro de baixo dos tapetes tudo o que existe.
fazer do futuro um imenso déjà-vu é a única forma de não ser engolido por ele.