Alpha Talks - Criatividade, solução ou conflito?
Hoje a noite a Geração Alpha da continuidade ao Alpha Talks com a mesa redonda “Criatividade, solução ou conflito?” que conta com a participação especial dos artistas Jarbas Lopes, Guilherme Ginane, o colecionador Fabio Szwarcwald e o curador Pablo Leon de La Barra. Confira abaixo o texto escrito por Guilherme:
“O uso da criatividade nunca foi tão estimulada quanto nos tempos atuais. Métodos de ensino criativo se espalham entre as escolas infantis com a rapidez de doenças epidêmicas. Esta obsessão por ideias está em todo lugar, seja dentro do escritório de uma grande empresa – para o surgimento de um novo negócio, seja no consultório de um psicoterapeuta positivista em busca de saídas para os problemas comportamentais de seu paciente. Com esta necessidade latente, a criatividade virou commodity. Quem é mais criativo, vale mais. Porém, como a arte e sua função poética entra neste novo espectro? Será que necessariamente um artista precisa se valer desta característica para construir o conjunto de uma obra consistente e duradoura?
Então vamos ao dicionário para entender o sentido estrito da palavra : Criatividade: Capacidade de criar, de inventar. Qualidade de quem tem ideias originais, de quem é criativo.
A partir da significação do Aurélio, a priori, parece que sim, o artista, este indivíduo que vive constantemente no ato da criação, além de possuidor íntimo desta característica, não sobreviveria se não por ela, a criatividade. Porém, se este conceito vem tomando formas cada vez mais cotidianas, mercadológicas e complexas, como afirmar de forma contundente, que o artista – com sua inteligência marginal, habita esse universo que já não se caracteriza como margem?
Independente das questões e opiniões divergentes que provocam o tema, há um fato: o significado do conceito de criatividade, pro bem ou pro mal, vem abrindo novos caminhos, se fundindo com diversas áreas e criando possíveis e novas definições.
Onde será então que está o meio que une uma forma de criação volátil, intelectualizada e lucrativa, com um outro lado, diametralmente oposto – uma criação densa, demorada e pouco intelectualizada que é sugerida pelos grandes mestres da arte? Pensar nisso, é também nos indagar: Steve Jobs seria tão criativo quanto Cézanne? É neste exato local que o nosso debate se instala. Teremos como objetivo, extrapolar o significado do conceito de criatividade no cenário contemporâneo, que para um empresário, ou recém formado, pode ser seu grande trunfo, mas para um artista, pode ser como uma droga – que tem um limite tênue entre a cura e o veneno.”
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