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Alyssa,
Eu nem sei porque estou escrevendo isso, na verdade. Acho que é porque eu estou bêbado agora. E você sabe, quando eu fico bêbado, eu tendo a ficar todo metido a escritor boêmio, uma merda. Hoje os caras lançaram uma despedida de casado pra mim ou algo do tipo, pra comemorar o meu término de namoro. Nossa, só de falar isso já me dá vontade de vomitar. Ok, provavelmente é isso associado a quantidade absurda de vodka que eu tomei. Você nunca teria deixado eu tomar tanta assim, aliás, você nunca me deixava tomar mais que dois champanhes. Mas você não estava lá. E a pior parte é que é minha culpa.
Ugh. Náusea de novo. Meio litro de vodka, "término de namoro" e "a culpa é minha" não são uma boa combinação. Mas foi quase toda minha, mesmo. Naquela noite, meus amigos precisavam de ajuda, mas você precisava de mim também. E eu não pedi nem desculpas por ter ido. Eu só... Eu não estava, não estou, aliás, acostumado com a ideia de alguém precisar de mim. Então foi óbvio que eu não entendi quando você ficou tão brava. E aí você disse que eu era egoísta e eu simplesmente não aguentei. Pensando bem, era só uma palavra estúpida, eu não deveria ter ficado tão bravo.
E sabe, você é uma das poucas pessoas que eu nunca machucaria, Lys, nunca. Mas mesmo assim, eu fui tão cruel depois disso. Acho que vou gorfar em cima desse pergaminho se eu pensar demais no assunto. Eu fui mais do que egoísta. E então veio o triturador de gelo, e doeu muito, - muito - mas eu preferia ser acertado de novo do que ter visto aquele olhar no seu rosto, e saber que fui eu que o coloquei ali. Mas já era tarde demais pra falar alguma coisa, tarde demais pra pedir desculpas e dizer que você é a pessoa mais importante da minha vida e que eu te amo. E então, cá estou eu agora. Bêbado, sozinho, arrependido e escrevendo uma carta que eu nunca vou enviar.
Antonin.















