Bohemios (Amadeo Vives) - Teatro de la Zarzuela, Madrid, 26/fevereiro/2026
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Bohemios é uma zarzuela em um ato, composta por Amadeo Vives sobre libreto original de Guillermo Perrín e Miguel de Palacios, inspirada nas Scènes de la vie de bohème de Henry Murger. Estreou em 1904 no Teatro de la Zarzuela, em Madrid, e desde então tornou-se uma das obras mais queridas do repertório lírico espanhol, conhecida por sua partitura briosa e inspirada que combina lirismo ingênuo com momentos de grande força coral e sinfônica.
Enredo: A história de Bohemios gira em torno de um grupo de jovens artistas que buscam realizar seus sonhos em meio aos desafios da vida boêmia.
Esta produção de 2026 no Teatro de la Zarzuela é uma nova montagem concebida no âmbito do Projeto Zarza, uma iniciativa que há uma década apresenta a zarzuela "por jovens e para jovens". Esta versão conta com uma dramaturgia renovada de Nando López e uma reorquestração assinada pelo maestro Julio César Picos, que também dirige musicalmente o espetáculo.
A encenação, a cargo da soprano Nicola Beller Carbone, transporta a ação original da Paris romântica de 1900 para uma Madrid do século XXI, recriando o ambiente de um set de filmagens e um espaço cultural autogerido. A produção é interpretada por 16 jovens cantantes e atores, e conta com a Joven Orquesta Nacional de España (JONDE) em formato de grupo de câmara.
A BOEMIA DO SÉCULO XXI Quem seriam os boêmios do século XXI? Essa é a pergunta da qual partimos nesta versão protagonizada por um grupo de jovens que acreditam que a arte, em qualquer de suas formas, deveria nos transformar e tornar o mundo um lugar um pouco mais habitável. E justamente agora, quando somos ameaçados por tantos discursos de ódio e velhos fantasmas que julgávamos superados, essa boemia combativa e reivindicativa nos parece muito necessária. Nossos personagens não se conformam em cantar apenas o amor romântico, mas erguem com orgulho a bandeira do amor como união, como solidariedade e como trincheira: o amor como um espaço coletivo que, refletido simbolicamente em nosso Sisterland, nos convida a lutar por uma sociedade mais justa. Por tudo isso, a igualdade e a diversidade, defendidas a partir do feminismo e do coletivo LGBTQI+, são os eixos desta proposta com a qual queremos promover o diálogo com o público — especialmente o mais jovem — e incentivá-los a pensar em como construiriam um futuro em que ninguém fique de fora. Um futuro onde, como o vibrante coro desta zarzuela, possamos cantar ao amor que, ao nos unir, nos torna mais humanos. E, quem sabe, melhores. — dramaturgo Nando López
UMA DUPLA LEITURA O que mais me interessou ao dirigir Bohemios, de Amadeo Vives, foi a oportunidade de revisitar sua dramaturgia original. A dupla leitura dos nossos Bohemios me levou a imaginar uma cenografia desdobrada, na qual o set de uma filmagem e o Sisterland, um espaço autogerido de bairro, convivem em um mesmo espaço-tempo fluido e permeável. Ambos os espaços permanecem vivos ao longo do espetáculo: enquanto o foco de algumas cenas está em um deles, o outro continua sua narrativa na penumbra. Como na vida real, qualquer ação — e também a dos nossos Bohemios — admite múltiplas leituras: se as palavras dizem uma coisa, a linguagem corporal, o gesto, o tom de voz, o pensamento ou simplesmente o silêncio acrescentam outra perspectiva. As camadas de música e texto começam, assim, a dialogar de forma sutil, ativando conflito, diálogo e reflexão. Dar voz aos jovens é uma das chaves do trabalho proposto pelo Projeto Zarza. Permitir que sejam eles a decidir para onde se dirige a jornada final das nossas Sisters é a incógnita com a qual nos despedimos do público. São vocês quem decidem. Dar a palavra aos jovens implica assumir que decidir — mesmo nos lugares onde acreditamos ser livres — é um ato político. Permitir que escolham o rumo dessa jornada é também lembrar que ninguém deveria ser obrigado a decidir contra si mesmo. — diretora Nicola Beller Carbone
Programa
Conferência sobre Bohemios
Una zarzuela de película llamada 'Bohemios'
Vives, o los Bohemios a la española
'Bohemios' en la revolución 'boomer'
Adaptação para televisão da zarzuela Bohemios
Personagens principais: - Roberto: Jovem poeta boêmio, idealista e apaixonado, que sonha em triunfar na ópera com sua música e vive intensamente o amor por Cosette. - Víctor: Músico e amigo inseparável de Roberto, também boêmio, que compartilha com ele as dificuldades materiais e os sonhos artísticos. - Cosette: Jovem vizinha dos boêmios, aspirante a cantora, cujo talento e ambição a colocam entre o amor por Roberto e as oportunidades profissionais. - Peláez: Empresário ligado ao mundo teatral, figura prática e oportunista, que representa o sucesso e a ascensão no meio artístico. - Girard: Proprietário do imóvel onde vivem os boêmios.
Sinopse: Acompanha a vida de Roberto e Víctor, dois jovens artistas que vivem em um modesto sótão, enfrentando dificuldades financeiras enquanto alimentam o sonho de ver suas obras reconhecidas no mundo da ópera. A rotina de criação é constantemente interrompida pelos ensaios de Cosette, vizinha do andar, que aspira a se tornar cantora.
Apesar do incômodo inicial, o destino aproxima Roberto e Cosette por meio de uma partitura: ela encontra uma composição dele e, ao interpretá-la, revela não apenas seu talento vocal, mas também uma afinidade artística profunda. Quando finalmente se conhecem, nasce entre os dois um amor imediato, intensificado pela partilha do ideal artístico.
A oportunidade de ascensão surge quando Cosette se prepara para uma audição importante. Ao cantar a música de Roberto, ela alcança grande sucesso, o que parece abrir caminho tanto para sua carreira quanto para o reconhecimento do compositor. O casal passa então a sonhar com um futuro em comum.
No entanto, o ambiente teatral também traz tensões e escolhas difíceis. A presença de figuras mais pragmáticas, ligadas ao sucesso e às conveniências do meio artístico, introduz dúvidas e pressões sobre Cosette. O conflito entre amor sincero e ambição profissional se intensifica, colocando à prova os sentimentos do casal.
Assim, Bohemios retrata o contraste entre os sonhos da juventude artística e as exigências da realidade, deixando em aberto o delicado equilíbrio entre arte, amor e sucesso.












