A sina fora desmanchada como um penteado após o baile, enterrada a sete palmos junto a um coração que não mais batia. E Maria se curvava, batendo as mãos em seus joelhos pálidos e esfolados, manchando-se ainda mais de terra. Aparentemente, esta já não conseguia mais chorar então pôs-se em retirada, permaneceu de guarda-chuva fechado embora as nuvens começassem a descarregar-se pelo chão, como se os pingos pudessem lhe lavar a alma e trazer a calma.
A noite vinha a qualquer custo e sentada sobre a mesa da cozinha, Maria lamentava a saudade. Resmungava. Demonstrava sua força, resignação outra hora, sua melancolia. Sua inconstância era permanente, não dada as circunstâncias. Ignorava ligações telefônicas e condolências vindas com as mesmas, embora tivesse verdadeiras três amizades, queria reservar esta dor só a si. O luto era subestimado. Preparou um café e com os olhos inchados revivia álbuns de fotografia. Se lembrava de João e os dois que sempre moraram um no outro, perderam o abrigo.
Uma ideia surgiu meio a insonia da noite, esta era aprimorada a cada vez que se revirava na cama e antes que o sol surgisse no horizonte Maria se destruía. Manchava os azulejos de vermelho com o sangue que lhe escorria dos pulsos e dançavam até o ralo.
No dia seguinte, sua mãe quem sujava os joelhos na terra. “Sua beleza vinha por sua capacidade de fazer as outras pessoas sorrirem, mesmo se ela estivesse triste. Vinha do fundo de sua alma.” Alguém discursava enquanto os mais próximos jogavam flores sobre seu túmulo. No fim, não havia três rosas, mas trinta. Algo incomodava, queimava sobre o coração de muitos ali. Maria também subestimava a amizade e o amoravida.