quando: após o plot drop.
quem: isabelle & chloé.
tudo havia acontecido muito rápido e pegou todos de surpresa. primeiro, a tempestade e a queda de energia — por deus, que escola não tem gerador de energia em 2020? — quando estava prestes a ir embora e ter uma noite de sono tranquila, mas, mesmo assim, conseguiu manter a calma. era uma merda ficar presa na escola, no completo escuro, mas não era o fim do mundo: tinha fé que, em breve, tudo ficaria bem e poderia estar na paz de sua cama. estava sozinha, distante de todo o caos que se instaurava entre os alunos de truffaut, mas não se importava; em momentos de tensão, preferia fugir da companhia de quem quer que fosse para que pudesse pensar com clareza. foi então que, antes que pudesse pensar em procurar algum dos seus amigos, o áudio colocado pelo desconhecido ecoou, acabando por assustá-la pelo som repentino. não poderia esquecer daquela noite nem se pudesse, cada noite sentindo a culpa corroê-la ainda mais: minutos antes da morte de eloise, quando sua rixa com geneviève era maior que qualquer coisa. sempre que se permite pensar na morte (costuma evitar pensar, mas, considerando as ameaças, a tarefa estava ainda mais complicada), se arrepende de tudo que levou ao acidente e sente mais culpa do que assumia; seu ego e sua vontade de estar no topo acabaram sendo maiores que seu bom senso e agora eloise estava morta. não esperou o áudio chegar ao fim, ou de perceber que estava num loop, porque correu para o banheiro, que sabia ter ali perto. empurrou duas meninas que estavam na porta, com uma força desnecessária e que deveria tê-las machucado, e se trancou no cubículo mais afastado, jogando-se no chão frio. respirou uma, duas, três, quatro vezes, mas a angústia em seu peito apenas crescia e logo as lágrimas começaram a descer — nunca se permitia chorar demais, sem necessidade. pegou o celular e digitou uma mensagem rápida no grupo com @ambitchiiious e holly, afirmando onde estava, ainda que suas mãos tremessem. permaneceu na mesma posição até que escutou alguns passos e presumiu ser uma das meninas. “chloé?” arriscou, a voz fina e embargado pelo desespero contido, mas sequer tinha forças para se levantar e destrancar a porta.














