“i just don’t want to think for a while.”
flashback.
Se tivesse que nomear o sentimento mais esmagador, em sua opinião, diria que era a impotência. Não havia nada que lhe frustrasse e destruísse mais do que querer fazer algo e simplesmente não saber o quê. Lá no fundo, o que é que poderia fazer para aliviar a dor do outro? Nada. Literalmente. Não podia lhe dar seu irmão de volta, não podia levá-lo para sua família - onde teria mais conforto -, não podia simplesmente arrancar dele aquela agonia de perder alguém para uma tragédia tão inexplicável. E isso doía. Não tanto quanto vê-lo passar por tudo aquilo, mas doía. A dor física de ter o corpo jogado contra a parede não era nada - nada, realmente. Era como comparar alguns pingos de chuva à um tsunami. E deixaria que Gabriel descontasse sua raiva em si mesmo o quanto ele quisesse ou precisasse se soubesse que aquilo iria ajudar; mas conhecia-o bem demais e sabia que só iria aumentar sua dor saber que tinha ferido alguém que amava. Foi só por isso que obrigou-se a falar, a tentar impedir que aquilo continuasse, seu coração se apertando dolorosamente ao vê-lo tremer diante de si depois de lhe soltar. ㅡ Gabe... ㅡ Chama, baixinho, a voz trêmula demais; a incapacidade e sua própria inércia lhe decepcionando profundamente. Receia se aproximar, não por achar que o maior avançaria sobre si de novo, apenas por não saber o que dizer; por não querer aumentar mais todo aquele sofrimento pelo qual ele estava passando. Mas sair dali e deixá-lo sozinho estava fora de cogitação; não podia deixá-lo quando ele era uma das amizades mais preciosas que tinha. O amor que sentia pelo mais novo era tão absurdo que surpreendia até à si mesmo, por vezes, e foi justamente esse pensamento que pareceu clarear suas ideias. Finalmente se mexeu, extinguindo o espaço entre ambos e se sentando ao lado do maior, puxando-o para si assim que ele começou a pender para o chão. O envolveu em seus braços e naquele sentimento que, agora, era só o que podia lhe oferecer. E, ao mesmo tempo, era tudo. Enquanto o aperta mais contra o próprio peito e meneia a cabeça para as palavras sussurradas, sabe que não há muito a ser feito ou dito; mas também sabe que sua presença ali é importante. Porque, naquele momento que ele não sentia mais todo o amor que normalmente lhe compunha, Jongsu estava ali para lhe doar um pouco do próprio. Ou todo ele, não se importaria; Gabriel poderia levar tudo de si e ainda estaria feliz em ser minimamente útil. ㅡ Shhh... Não precisa falar nada, meu anjo. ㅡ Murmurou, calmamente, uma das mãos se envolvendo nos cabelos escuros para deixar um carinho por ali e os lábios deixando selares cuidadosos na testa do rapaz; não precisavam de palavras ali, não quando se entendiam bem na ausência delas. Não precisava ouvir as desculpas e não iria dizer coisas que só iriam se sobrepor ao barulho provavelmente ensurdecedor que ele já tinha na própria cabeça. Aquela era uma dor que precisava ser sentida; que precisava ser processada; que precisava escapar pelas lágrimas que manchavam o rosto que achava tão bonito. E, enquanto isso, estaria ali por ele. Para confortá-lo em seus abraços apertados, para secar seus olhos e para oferecer aquele amor que, por direto, era tão dele. E se isso ajudasse a, ao menos, amenizar toda aquela dor, bastava.















