Minha mãe uma vez me disse que existe aquela pessoa á qual você é predestinada, e você pode correr dessa pessoa, fugir o mais rápido que conseguir, mas um dia, por mais que demore, você voltará pra ela.
E aconteceu de novo.
Dessa vez está tudo meio diferente, talvez eu tenha mudado demais no último ano, ou talvez ele tenha mudado, nunca saberemos, mas o que importa é que está melhor do que sempre foi.
Não discutimos ainda, eu cuido dele, ele se esforça pra me agradar, e com isso estamos indo e indo, não sei se ele está feliz, ou o que passa na cabeça dele, mas atualmente so penso em estar com ele, o resto não importa.
William sabia que aquele fatídico dia chegaria desde o dia de seu nascimento e não porque esse era o ciclo da vida: nascer, crescer e morrer; mas sim porque o seu avô estava doente há quase vinte anos e por isso seus pais, Gérard e Léa, resolveram homenagear o patriarca da família ao escolher o nome do próprio filho. William, que seria apenas isso, William, agora seria Vincent também.
Então supõe-se que por saber que esse dia chegaria, o dia da morte de Vincent Sumner, todos estariam preparados e lidaram bem com essa situação. Mas é claro que não foi assim. Vincent fora muito mais que um avô para Will. O homem fora também o seu segundo pai após a morte de Léa. Esteve sempre por perto, cuidando e o ajudando com tudo o que era necessário.
Fosse para ajudar em suas lições de casa ou para afastar os pesadelos. E mesmo após crescido e com Gérard já por perto Vincent não se afastou de seu neto. Ajudou-o com garotas, ensinou a fazer a barba e o ajudou a abrir a conta no banco. Vin era muito mais quem um avô ou um pai, era um homem para admirar e se espelhar.
Seu mundo ruiu com a morte do avô. Há pouco mais de três meses sua avó Renée falecera e o homem não suportara a saudades que sentia de sua esposa e acabou se entregando. Foram duas perdas extremamente duras de se lidar e Will não sabia nem como começar a lidar com isso, por isso decidiu fazer a única coisa que conseguia naquele momento: beber.
Alguns amigos o acompanharam durante o velório e ele mal acabara quando partiram para um lugar distante e sossegado. Beberam por horas e nem sabiam mais o que estavam bebendo. Qualquer coisa valia para aliviar a dor que sentia. Não queria pensar no que faria sem o velho, não ainda, não enquanto doía tanto.
Vez ou outra chorava e isso apenas o fazia beber. Se estava se lembrando é porque não bebera o suficiente para esquecer.
Não fazia ideia de que hora era quando chegou em casa, já que nem se lembrava de sair do bar e andar pelas ruas da cidade a caminho de casa. Não conseguia recordar qual dos homens dirigira todo o trajeto. Quem sabe fosse o Jules, ele sempre era bom motorista quando estava bêbado. Só se deu conta de que estava em casa quando a chave que tinha consigo não parecia querer funcionar.
Por fim, conseguiu enfiá-la na fechadura e abrir a porta. Cambaleou um pouco e quase caiu de cara no carpete ao tentar fechá-la. Fez uma careta para a porta e seguiu rumo às escadas, sem se importar que não havia trancado a porta. Quem sabe alguém tivesse escutado todo o barulho e viesse fechá-la.
Apoiava-se com força contra a parede, pois tinha medo de cair e se esborrachar no chão. Para Will aquela escada estava infinita, pois ela nunca acabava; mas ele não se deu conta de que isso era porque dava alguns passos para frente e então voltava outros. Mas ele não se irritou com a demora, isso na verdade o divertiu.
Quando por fim chegou no topo da escada, avistou Hanna vestindo apenas uma camisola azul que mal cobria suas pernas. Irmãzinha. Chamou-a, mas antes que pudesse dizer mais, ela o empurrou para dentro do próprio quarto e logo estava sentado na cama dela fazendo uma careta ao ouvir a reclamação da loira. “Shiu! Pare de fazer tanto barulho.” Ele não estava fazendo nenhum barulho. Ela que estava fazendo ao empurrá-lo para o quarto.
Apoiou as mãos no colchão e sentiu como ele era macio, queria poder dormir ali. Embora no estado em que se encontrava dormiria até mesmo na calçada que não iria se importar. Quem sabe nos sonhos poderia ver e abraçar o seu avô. Pensar nele o deixou triste.
“Quer conversar sobre hoje?” De princípio não conseguir entender o que Hanna o perguntava, mas quando se deu conta, balançou um pouco a cabeça mas logo parou. Balançar a cabeça não era uma boa ideia, já que ao fazer isso o mundo inteiro girava. Apenas me faça esquecer.” As palavras não saíram mais do que um sussurro dos lábios de Will. Tinha medo de falar muito alto o que pensava. Era como se, ao não dizer em voz alta sobre a morte de Vincent, isso nunca iria se concretizar.
Sentir os braços de Hanna era pacificador, mesmo em meio à guerra que era travada em seu interior. A loira tinha um poder sobre ele desde o início, mesmo quando William quis afastá-la pelo fato de que Charlotte estava ocupando o lugar que um dia fora de Léa, ele não conseguiu. Hanna achou um jeito de ultrapassar todas as barreiras dele.
Ela era como o seu amuleto da sorte. Desde que a tivesse consigo, sabia que no fim tudo iria dar certo e por isso não conseguiu cessar aquele abraço. Acabou adormecendo um pouco, seus olhos estavam pesados e a sensação de paz que preencheu o seu peito foi o bastante para varrer a dor. Mas assim como o sono veio, ele se foi. Havia um cheiro levemente adocicado no ar que chamou sua atenção.
Roçou o nariz no pescoço de Hanna e notou que o cheiro vinha dela. Ameixa. Levou a ponta da língua aos lábios querendo prova-la. Quem sabe o gosto fosse tão bom quanto o cheiro. Afastou a fina alça da camisola que ela usava a fim de ter uma maior para explorar e foi o que fez. Beijou-a no pescoço e sentiu o quão macia era, mesmo sem se afastar dela abriu os lábios apenas um pouco para puxar o ar entre os dentes e prender a pele dela, queria marca-la.
Afastou-se um pouco e passou a língua no lugar que recém beijara, em seguida soprou a pele úmida de Hanna, vendo-a se arrepiar. E naquele momento, William soube, estava perdido.
Abaixou o rosto mais uma vez para voltar a beijá-la e não perdeu tempo. Quando chegou no fim do ombro dela, deu uma pequena mordida e logo foi afastado após um cachorro ter latido do lado de fora. “O que está fazendo?” Hanna o perguntou e essa era realmente uma boa pergunta. Não sabia o que o motivara, só sabia que precisava seguir em frente com isso.
Ela estava encantadora com as bochechas rubras enquanto subia a alça da camisola. Will quis se aproximar e beijá-la, mas dessa vez nos lábios dela. Mas visto como a loira estava, essa com certeza não era a melhor ideia, por isso, jogou-se na cama sem conseguir esquecer o que tinham feito e admitiu numa voz baixa: Eu não sei, minha ameixa.
A cama de Hanna era melhor do que pensou que seria. Logo que estava deitado, adormeceu. Não sabia se era devido aos acontecimentos dos últimos minutos ou porque os travesseiros estavam com o cheiro dela, mas William sonhou com Hanna naquela noite. No seu sonho, ela não parava o que haviam começado e o gosto de ameixa ficou a noite inteira em sua boca.
Ao acordar, Will notou três coisas: estava com uma puta ereção, teria a maior ressaca da história e sentia o gosto de ameixa. As duas primeiras coisas até podia entender, embora não compreendesse a terceira. Esfregou os olhos com o intuito de se situar e notou que estava no quarto de Hanna. Hanna. Levantou-se de supetão da cama quando as imagens da noite anterior voltaram à sua mente.
O que diabos fora aquilo? E o mais importante, porque ele queria fazer tudo de novo?
Saudade dos tradicionais doces mineiros? Está longe da terrinha e onde se encontra não tem ou é muito caro?
Vem na shoppe matar sua saudade, e de colher!
1K200g do melhor doce de leite com ameixa do mundo! Mate a vontade com colher, dedo, mergulhando o pão. Se lambuze sem culpa! Pois a vida é efêmera, diferente dos desejos, que são eternos.