Carta não enviada
Talvez você esteja voltando a orbitar o meu caos — como um cometa que insiste em atravessar o mesmo céu. O Rio ferve lá fora, mas o incêndio verdadeiro é dentro. Talvez seja você a flecha, e não a arma esquecida no chão.
O dia se rasga em sirenes e pensamentos, e eu nem consegui te dizer nada. Entre nós, só um vácuo, um silêncio que respira fundo e não volta mais.
Tenho medo do depois. Dessa vez, o desastre foi grande demais pra caber nas entrelinhas. Eu queria te dizer — em canções, em versos, em qualquer linguagem que doesse menos — que sou frágil, e que ainda te procuro nos lugares onde jurei não voltar. Mas você já é outra órbita, outro planeta, e eu fiquei flutuando em falta.
Talvez a gente se encontre em outra narrativa, onde o amor não precise se justificar. Rezo para que os equÃvocos se dissolvam e que eu seja absolvido dessa culpa inventada.
Te amar, mesmo odiando o caos, foi a forma mais bonita que encontrei de permanecer humano.






