24/10/2016
O sol já raiava e toda a vila já acordava, janelas se abriam para deixar a luz entrar, crianças sonolentas despertavam para mais um dia de vida, porém, existia uma pequena casa onde uma garota lutava para dormir um pouco mais ou melhor, conseguir dormir.
Sua casa fria, apesar de já aquecida pelo sol, era sem graça, talvez não fosse a casa, afinal quando se está triste tudo parece sem vida, pobre menina, tão linda e tão fria, levantou-se e apesar do costume de demorar minutos, às vezes horas sentada olhando para o nada, ela foi diretamente ao espelho, arrastando os pés sobre o chão de madeira.
Em frente ao espelho notava com tamanha decepção que entristeceu meu coração, que angustiante tal momento, olhava seus olhos mel sem brilho, a larga e rala sobrancelha, seus cabelos de um tom morto de castanho acima de seu ombro totalmente bagunçado, pareciam até descrever sua vida, seu corpo magro sem muitas curvas, seus seios tão pequenos que lhe partia o coração só ao olhar, sorriu amargamente ao notar quem se tornara, era uma jovem bonita, mas o que ela via não era tão somente o seu físico.
Notava a dor que sentia e carrega consigo muitas vezes sem sentido, a tristeza que a cerca, a solidão em que se enfiara e todos os seus traumas que lhe pesavam as costas, pegou sua vodca e se arrastando passando por um ponto de luz que sempre entra pela janela, sua pele amarelada brilhou, se sentou na cama bebeu um pouco e pensou que não faria mal faltar o colégio mais uma vez, seus pais não se importariam, amanhã talvez ela estaria melhor para ser uma ótima atriz em dar uma aula de puro fingimento.
- Carla Carvalho













