relato para renato
Eu reescrevi esse relato muitas vezes porque eu não sabia se começava falando sobre o tédio, sobre os acontecimentos surpreendentes ou sobre minhas mudanças interiores. Demorei a decidir sobre o que eu começava a escrever porque de certa forma, eu estava tentando manipular a visão que você possui sobre mim. Queria que você continuasse se sentindo inspirado pela pessoa que eu sou, mas eu já não sou mais a mesma menina. Talvez, ao final desse relato, você realmente mude a visão que sempre teve ao meu respeito mas eu não sou capaz de mentir pra você. E eu me sentirei um pouco decepcionada porque eu sinto que deveria continuar sendo uma inspiração, independente dos acontecimentos. Mas eu nunca saberei qual será sua reação ao ler minhas palavras. Eu só sei que preciso dizê-las e você precisa ouvi-las. Renato, eu descobri coisas muito valiosas que eu já conhecia na teoria. Praticar o que já conhecemos e sabemos ser o correto deve ser a parte mais difícil de ser um exemplo. E foi exatamente o que aconteceu, pela primeira vez eu descobri que psicologicamente, eu sou bem preparada.
Passei por uma situação que considero muito ruim, mas não pretendo entrar em detalhes agora. Eu só quero que você saiba que dessa situação, eu aprendi que viver a vida em seus pequenos detalhes faz uma diferença extrema no que diz respeito às experiências. Eu aprendi finalmente que viver faz com que eu me sinta viva. Isso é tão óbvio que todo mundo sabe disso. Mas quem realmente consegue fazer isso? Confesso a você que consigo contar nos dedos todas as poucas situações que vivenciei que eu pude realmente afirmar: Eu me senti completamente viva. Eu existi a partir do momento em que eu vivi a minha própria vida e não permitisse que o medo a vivesse por mim. Viver é bom, cara. Pena que viver é raro.








