[Menos mercado, mais Brasil] É hora de dar uma banana para os economistas de Chicago. Por André Ceciliano Jornal O Globo, 28/03/2020 O que diria Adam Smith, o pai da teoria econômica liberal, diante da situação da humanidade frente ao estrago causado na economia global pelo coronavírus? A “mão invisível do mercado” seria capaz de dar conta do problema? É claro que não. O mercado não se importa com pessoas. A sua lógica será sempre a do lucro. Sem a mão visível do Estado, será o caos. É esse debate que está por trás do embate entre o presidente Jair Bolsonaro e os governadores por conta das medidas de quarentena adotadas nos estados e municípios – regras, diga-se de passagem, tomadas em todo o mundo, seguindo a orientação da OMS, até por quem em princípio resistiu a elas, como o Reino Unido. Os estados pedem dinheiro. O governo resiste a dar, de olho no aumento do déficit fiscal. Temos um presidente que minimiza o problema e acha que as taxas de letalidade da pandemia são baixas para justificar uma recessão econômica. O empresário dono de uma cadeia que vende um hambúrguer a 60 reais definiu bem esse pensamento: “O Brasil não pode parar por causa de 5 ou 7 mil mortes”, disse. Vivemos uma situação de saúde pública como não se viu desde a Gripe Espanhola, há um século, quando 500 milhões de pessoas (um quarto da população mundial na época) foram infectadas, das quais 100 milhões morreram. Isso decerto não acontecerá desta vez porque a ciência evoluiu, e as condições de higiene melhoraram, de um modo geral, no planeta. Tomara Deus que em breve os esforços dos cientistas resultem na descoberta de um remédio ou uma vacina contra essa doença, como na pandemia do H1N1, em 2009. Do ponto de vista econômico, porém, não restam mais dúvidas: o mundo viverá uma segunda Grande Depressão. Em 1929, quando a Bolsa de Valores de Nova York colapsou, os Estados Unidos e o mundo foram à bancarrota. Por algum tempo, os EUA tentaram que o próprio mercado desse um jeito na confusão, sem sucesso. A fome só crescia, o desemprego não cessava, a violência grassava. Foi quando, em 1933, assumiu a presidência dos Estados #andrececiliano #alerj #Políticasemrodeios (em Alerj - Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) https://www.instagram.com/p/B-U4q0MDbIY/?igshid=gbkhu2i88qol