Bolívia: La Paz, Uyuni e considerações finais -
“Todo mundo ama um dia todo mundo chora, um dia a gente chega, no outro vai embora. Cada um de nós compõe a sua história. Cada ser em si carrega o dom de ser capaz, de ser feliz.”
Com este trecho da música “Tocando em frente” do Almir Sater, começo o último post desta viagem incrível que infelizmente está chegando ao fim.
Neste post vou me permitir divagar um pouco e falar algumas coisas antes de contar como estão sendo esses últimos minutos dessa linda jornada.
Vou tentar fazer um balanço geral, tentar refletir sobre tudo o que vivi neste tempo, foram muitas coisas e agora precisarei de um tempo pra assimilar tudo.
Foram quase 30 dias, 5 países (contando o Brasil, por onde comecei), 9 cidades, muitos lugares e pessoas incríveis pelo caminho.
Tive muitos momentos maravilhosos, mas, como qualquer ser humano, tive momentos difíceis, de dúvidas, de insegurança, de medo, fiquei doente, quis desistir. Mas o mais importante foi que mesmo nesses momentos eu não desisti e permaneci firme no meu propósito e me sinto vitoriosa de ter chegado até aqui.
Muitos podem pensar que estou exagerando, que “é só uma viagem de férias e nada mais”, mas pra mim foi muito mais que isso, foi um grande desafio que resultou numa grande conquista. Foram dias em que pude estar muito sozinha comigo mesma e refletir, foram dias que eu me abri pra ver a beleza das coisas e das pessoas muito além daquilo que nossos olhos podem ver, foram dias em que pude ver mais ainda o amor e cuidado de Deus em minha vida, dias em que memórias foram criadas e ficarão pra sempre dentro de mim e certamente de alguma forma, mesmo que lá no fundo, não serei mais a mesma.
Me sinto realizada de ter chegado até aqui e feliz de voltar pra casa com uma bagagem que não se pode colocar dentro de malas, mas que ficarão pra todo o sempre dentro de mim.
Espero que tudo isso sirva pra me tornar uma pessoa melhor, pra mim e para os outros. E espero que muitas viagens como esta ainda aconteçam, pois esse desejo de conhecer o mundo, seus lugares e suas pessoas, é algo que nunca vai passar, resta a mim satisfazê-lo sempre que possível.
Não quero juntar bens materiais, quero juntar memórias, pois isso ninguém nunca poderá tirar de mim.
Como diz a música “Cada um de nós compõe a sua história. Cada ser em si carrega o dom de ser capaz, de ser feliz.”
Estou aqui apenas compondo a minha história da maneira que acredito ser melhor, da maneira que acredito me fazer feliz.
E assim vou seguindo…
Vou aproveitar aqui pra contar como têm sido esses últimos dias.
Vim de Cusco até La Paz em um ônibus, foi uma viagem tranquila, mas cheguei aqui bem cansada.
Ao todo foram aproximadamente 125 horas viajadas de ônibus, 2 de trem e 3 de avião, sem contar o voo de volta ao Brasil. Aff cansa até escrever… haha
Chegando aqui em La Paz confesso que bateu aquele cansaço de fim de viagem, então não corri pra fazer nenhum passeio de turista pela cidade, me permiti descansar, andar aqui pelo centro somente, onde fica o hostel onde estou hospedada, observar a peculiaridade do lugar e das pessoas.
Tirei bem poucas fotos, somente das coisas que mais me chamaram a atenção.
Mas uma coisa eu vim aqui pra fazer e essa eu não podia deixar, ir ao salar de Uyuni. Então me programei para isso.
Para conhecer o salar de Uyuni pode-se fazer tour de 1, 2 ou 3 dias. Por conta do tempo eu fiz o de 1 dia, mas foi exatamente o que eu queria, foi na medida, vi o que eu queria ver, pude contemplar essa maravilha da natureza com meus próprios olhos. Foi perfeito!
Para ir ao salar há uma infinidade de agências de turismo aqui em La Paz pra comprarmos o tour, mas eu resolvi fazer da maneira mais aventureira e econômica, obviamente.
Fui até a rodoviária e comprei uma passagem para Uyuni, fui na cara e na coragem sem saber se ao chegar lá eu conseguiria um tour, mas fui na fé.
Foram aproximadamente 12 horas dentro de um ônibus chechelento, daqueles ;tão apertadinhos que até uma pessoa com pernas curtas como eu se sente apertada, mas ao menos tinha calefação, pois aqui está fazendo muito frio e conforme vai chegando perto de Uyuni o frio fica ainda mais intenso.
Sai de La Paz na terça à noite e cheguei em Uyuni na quarta bem cedinho.
Mal desci do ônibus um monte de gente “pulou” em cima de mim pra vender um tour.
Pensei: “Bom, pelo menos vou conseguir fazer o tour”.
Paguei no tour quase metade do que pagaria se comprasse aqui em La Paz, então já me senti uma pessoa de sorte.
Foi um dia extremamente agradável, nem parecia que eu tinha tido uma noite mal dormida dentro de um ônibus, eu me sentia bem disposta.
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Vou interromper o causo pra comentar sobre uma pessoa que me marcou:
A senhora da agência de turismo me chamou a atenção, seu nome é Rosemary. Uma senhora boliviana com cara de muito batalhadora, ela trabalhava sozinha na agência, ia pra lá e pra cá com um bebe amarrado nas costas, uma outra filha que devia ter uns 2 anos e um filho maior que devia ter seus 7 anos.
Me chamou a atenção aquela mulher com cara de sofrida que carregava literalmente o mundo nas costas.
Um doce de pessoa, uma das pessoas mais doces que conheci na Bolívia, atenciosa, se preocupou em pedir pro motorista do tour me deixar ficar na frente, pois eu havia comentado com ela que meu joelho doía da viagem.
Aproveito esse pedacinho do meu post para exaltar a força da mulher, independente da cultura, raça, credo, gênero, opção sexual, pode-se ver que as mulheres são quem levam o mundo nas costas, que as mulheres são muito mais fortes do que a sociedade diz e mereciam muito mais.
Fico triste de ver que ainda há tanto machismo e discriminação no mundo todo contra as mulheres e deixo aqui minha indignação por todas as injustiças sofridas por nós mulheres. Eu me considero privilegiada em um mundo com tantas injustiças.
Espero, do fundo do meu coração, que as “Rosemarys” por aí possam ter cada dia seu lugar conquistado na sociedade e suas lutas diárias reconhecidas como deveriam.
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Fiz o tour com mais 6 pessoas, a Jimena, minha nova amiguinha da Espanha, a Jenny, da Inglaterra, a Alexandra do Canadá e uma família de bolivianos que moram nos EUA e estavam aqui de férias. Além, lógico, do nosso motorista, o Primo.
Eu e a Jimena já fizemos amizade logo de cara e ficamos juntas o dia todo, descobri que ela também trabalha com tradução e que tínhamos muitas coisas em comum, uma menina muito doce, com certeza a amizade vai permanecer.
Passamos então pelo cemitério de trens, um lugar com dezenas de “esqueletos” de trens enferrujados que foram abandonados naquele local há muitos anos por uma empresa férrea local. O local passou a ser ponto turístico da cidade.
De lá partimos, finalmente, para o tão esperado salar. É uma paisagem de tirar o fôlego, é incrível como a natureza faz obras de arte inigualáveis.
Primo me contou que antes o local era um lago muito salgado e que devido a grande quantidade de sal foi secando e ficando só o sal, mas que se cavarmos cerca de 40 cm debaixo de todo aquele sal há água.
Paramos para tirar fotos, conhecemos um antigo hotel todo feito de sal desativado, fomos até a Isla Pescado, uma ilha de cactus no meio do salar, muito linda também, incrível.
Tirei fotos, mas eu tentei me deixar contemplar mais, observar aquela imensidão de sal, há pontos onde não se pode diferenciar o salar do céu no horizonte, eles se misturam e parecem ser uma coisa só. Foi exatamente o que eu queria ver com esses olhinhos que a terra ainda há de comer.
Voltamos para a cidade, eu e Jimena andamos um pouco pela cidade, fomos a um mercado a procura de frutas. Foi uma experiência, entrei no mercado e havia tudo que se pode imaginar, frangos, cordeiros inteiros sem pele no chão, pedaços de carne e mais um monte de coisa, confesso que foi um pouco assustador, nesse momento entendi um pouco mais meus amigos vegetarianos e veganos.
De lá me despedi da Jimena, pois ela iria para outra cidade, e fui para o local onde deveria pegar o ônibus de volta pra La Paz.
Enquanto esperava pra poder entrar no ônibus eu conheci a Renata e a Fátima, duas moças de São Paulo que tinham acabado de voltar do tour de 3 dias e estão viajando pela Bolívia. Conversamos bastante, foi muito bom (como sempre) fazer amizade e ter alguém “familiar” comigo.
A viagem foi uma das piores até agora, o ônibus até era mais confortável, mas não tinha calefação…OU SEJA, quase morri de frio, passei as 12 horas morrendo de frio, mesmo com muita roupa e com 2 cobertores, não dava, o frio era demais, nevava lá fora. Teve um momento que eu quase chorei de tanto frio.
Mas graças à Deus sobrevivi, chegamos em La Paz, era bem cedo e fazia muito frio. Eu, Renata e Fátima saímos juntas da rodoviária, pois o hostel delas era perto do meu.
Cheguei no hostel e eles foram muito gentis em me deixar entrar no quarto aquela hora, pois o check in deveria ser somente às 14:00, se eles não tivessem me deixado subir pro quarto, eu simplesmente ficaria na recepção mofando até dar a hora do check in.
Subi, descansei e sai depois pra caminhar novamente aqui por perto, almocei, fiz umas comprinhas e nada de mais emocionante. Ah, lógico que passei no engraxate pra dar um último trato nas botinas, essas botas foram minhas guerreiras companheiras de luta, aguentaram firme o tempo todo e não fizeram uma bolhinha sequer nos meus pés. Um “salve"para as botas!
Estou aproveitando esse tempo que me resta aqui pra descansar e “fazer nada”, afinal, férias também servem pra “fazer nada”, né.
E é isso, assim encerro esse último post dessa viagem maravilhosa. Vou aproveitar o tempo que me resta pra descansar e me preparar pra voltar pra casa.
Volto feliz, realizada e cheia de memórias que ficarão pra sempre em mim.
Agradeço primeiramente à Deus que tem cuidado de mim em cada coisinha pequena e a cada um que me incentivou, que acompanhou meus causos e que vibrou comigo.
Que possamos viver cada dia com menos bagagem material e mais bagagem de vida, que possamos dar mais valor a estas coisas intangíveis.
Um beeeijo!













