Lançado em 2012, o documentário “Muito além do peso” discute obesidade infantil, já considerada uma epidemia no Brasil e no mundo. De acordo com o filme, um terço das crianças brasileiras está acima do peso.
O filme explora duas linhas principais de argumento. De um lado, põe em xeque a qualidade dos alimentos consumidos pelas crianças brasileiras, hipercalóricos e pouco nutritivos (coisas como Ruffles e salgadinhos afins, biscoitos recheados, refrigerantes e sucos industrializados, que, convenhamos, nós adultos também não nos privamos de comer). Para isso, conhecemos crianças em todo o país que apresentam doenças típicas de adultos, como crises de cansaço, colesterol alto ou mesmo trombose, todos decorrentes do sobrepeso – muitas vezes, com idades que não chegam aos 10 anos.
De outro lado, o documentário aborda os efeitos da propaganda de alimentos voltada ao público infantil, que se vale de estratégias como o uso da imagem de personagens populares entre as crianças. São ouvidos especialistas, como um publicitário que defende o direito das empresas de se comunicar com o público infantil por meio da propaganda e uma mãe que abriu mão de seu emprego no McDonald’s ao ver sua filha de 8 anos lutando contra o sobrepeso: “Eu me sentia uma traficante trabalhando com os vendedores de crack, tendo um viciado em casa”, diz ela. Ainda sobre o tema, o filme dedica atenção a um debate clássico: é incompetência dos pais a influência que as propagandas têm sobre as crianças?
O documentário é interessante principalmente porque mostra o quão pouco sabemos sobre os alimentos que consumimos. Uma menina viciada em Ruffles não reconhece uma batata em sua forma natural, assim como nenhum dos ouvidos consegue identificar a real quantidade de açúcar em uma lata de Coca-Cola. Junte-se a isso o fato de que as novas gerações brincam cada vez menos, o que significa uma equação que soma muita caloria com pouco gasto de energia.
Vale a pena também visitar o site do documentário, que traz extras com alguns dos entrevistados no filme, como Jamie Oliver, que citamos no post de ontem.
Podemos não ler várias vezes ao dia, não usamos álgebra várias vezes ao dia, não usamos ciência várias vezes ao dia. O que fazemos várias vezes ao dia durante toda nossa vida é comer. Isso deve ser tão importante na experiência educacional das nossas crianças quanto a leitura, a escrita e a aritmética. - Ann Cooper, chef e educadora em depoimento para o filme
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