Essas pessoas que saem atrasadas de casa e caminham rápido a passos largos consultando seus relógios minuto a minuto tentando desesperadamente acreditar serem capazes de dominar o tempo, pará-lo ou até mesmo retrocedê-lo, essas pessoas, apressadas nas ruas, são as mesmas pessoinhas, atualmente vestidas de adultos, essa coisa imóvel, parada e monocromática desfilando aos montes pelas ruas, aguardando no ponto de ônibus em frente a uma escola, sem saber que esse tempo, ali, passando, esse minutinho, lhes fará falta mais adiante quando o tempo tiver passado. Existe esse acúmulo, o que se perde agora, parado, nulo, impensante, torna-se um somatório negativo onde lá na frente, no chamado futuro, em um determinado tempo total, se subtrai imperceptivelmente, e aí, chega, de fato, a idade adulta onde se encontram coisas a que dividir o tempo, e não sobra tempo, pelo contrário, fica em falta. E nisso acontecem atrasos a chamados compromissos que tem por razões o acaso, a má sorte, o azar, o desleixo, quando na verdade é apenas consequência.