partes de partes em mim I
se tudo vai, por que tu não foi? que fase é essa que tá tudo girando o tempo todo? minha visão fica turva, minha tristeza fica nítida. bebo minhas coisas, fumo minhas coisas, queimo tuas coisas, queimo meus pulsos. minha pele é só pele, meu rosto é só meu rosto… meu sorriso? nem sei. tu sorri bem, eu penso. mas por quê? será só um disfarce, ou será que eu estava realmente na parte rasa do teu oceano? foi fácil as ondas me carregarem pra longe. não levou um mês. tô contando, pra mim fazem 6. nada. nada aí, nada lá, e aqui, tu ainda nada em mim. tu escorre no meu rosto, tu voa com a minha fumaça, tu estraga minhas entranhas como o álcool. mas eu te perdôo (superficialmente). meus amigos me viram te ver, foi horrível pra mim. tu nem me olhou e eu quase surtei. imagina? como nós imaginávamos tudo aquilo, aquela casa, aqueles cachorros e aquela vida juntos. eu tô contando, já foram 11 esse ano. os nossos planos ficam cada vez mais distantes, mas por que parece que eu me aproximo? talvez seja só uma ilusão. eu não me surpreenderia, tudo foi ilusão. nem procuro mais paz e nem sei como trabalhar minha resiliência. vivo naquela garrafa vazia, naquele canto vazio (superficialmente), vivo nessas palavras, vivo em mim e só em mim. e se assim for, que seja então. eu mesmo me escrevo, eu mesmo me ergo, eu não preciso de ninguém. esse é meu medo, nunca vou precisar? tu embrulha minhas entranhas, bagunça meu coração e tudo aqui dentro parece estar quebrado. tu estraga minhas chances, tu estraga meus sorrisos. o que tiver de vir, virá. eu vou. que tuas ondas me carreguem pra onde eu não possa mais te ver.














