Quem: @arkinkaracan
Havia um limite para o tempo que estava disposta a sustentar sorrisos falsos e cumprimentar rostos irrelevantes antes de sentir a necessidade quase física de quebrar ossos, mas, evidentemente, aquela não era uma ocasião em que pudesse se dar a esse luxo. Precisava escoar a frustração de alguma forma. Precisava de diversão e bendito fosse Arkin, que cruzou seu caminho no exato momento em que sua paciência se esvaía. Limitou-se a ordenar que a seguisse, sem explicações, e avançou por entre a multidão de mascarados, certa de que ele estaria logo atrás. Todos pareciam distraídos demais em seus próprios jogos para notar qualquer coisa além de si mesmos. Talvez o que mais apreciasse no estabelecimento de Maximilian fosse precisamente aquilo: discrição suficiente para permitir excessos, mas nunca opressiva a ponto de fazê-la sentir-se presa. E Carmilla odiava sentir-se presa. ❝Peço que não me entedie com perguntas, Arkin.❞ Deixou claro assim que cruzaram a porta da sala reservada. A iluminação baixa e morna envolvia o ambiente na medida exata, íntima sem ser claustrofóbica. As mãos foram rápidas ao remover a máscara branca perolada que lhe cobria o rosto, descartando-a sobre a mesa mais próxima antes de, com a mesma impaciência controlada, livrá-lo também da dele. Não queria barreiras. Não entre eles. Tomou alguns segundos para analisá-lo sob a luz suave, os olhos azulados percorrendo-lhe os traços com familiaridade afiada. Conhecia-o há tempo suficiente para ter decorado cada detalhe, cada expressão e, ainda assim, isso jamais diminuíra o desejo. Se algo, apenas o refinara. Sentia-se à vontade na companhia do Karacan. À vontade o bastante para não hesitar ao reduzir a distância entre eles, tomando-lhe os lábios num beijo intenso, quase voraz, como se buscasse arrancar-lhe um fragmento da alma. Uma das mãos já encontrava caminho sob o tecido da camisa dele, gesto repetido incontáveis vezes, mas nunca desprovido de intenção. Naquele momento, não era impulso. Era necessidade.















