À distância eu aprendia a endurecer. Um tanto que reparo nos olhos, passo os meus pelo telefone. Deixo-o num canto. Esperando. Cozindo, apaziguando o que se dissolve. — "Volta e meia volte." — Eu lembro. Da buzinada. Da pedrada. — "Te aguardava em silêncio." — Vibrava teu senso, e aceno no feminino ser uma queda, e no amor aumentativo. Gostava das tuas anedotas, do trivial, das tuas amigas, das tuas risadas, da tua projeção social e alternativa, das tuas manias, repetidas, tão pessoais que viraram minhas e talvez meu querer superlativo tenha te deixado um buraco para chamar de seu. E vestir plenitude por cima da baixa autoestima. É mais seguro me posar, no teu pousar e pesadelo, como efeito do veneno que bebeu de mim. Como aquele e-mail onde te atrevi responder. Engraçado como tudo podia ser diferente mas se escreveu no adeus. E ver-te uma vertente insana. E "eu" talvez não tenha jeito mesmo. — Cheguei nessa conclusão me lembrando de te esquecer. Te escrevendo aqui outra vez mais pedaços que vão se perder. Mais um talvez replicado no nada. E mais uma vez teu ar hoje te encherá o peito de orgulho. Como quando o mundo te descombinou. E nunca se entendeu o que aconteceu com a gente, quando você partiu rumo ao sul. E depois cruzando o céu da boca. Efeito colateral. E eu vivi assim nos teus decretos. Quando os corações foram trocados. E um corte imergiu a sua vaidade. Grupinhos e a sorte. Fazendo lar na minha infância. E tudo vira uma piada. Como quando peguei sua mão pela primeira vez. Como o primeiro beijo no casamento. Como o despeito e o perdido. Como o que há de ser e o que resta disto. Nada é um mundo que está ali dentro, te sacodindo, te mordendo, te mastigando os pedacinhos… daquilo que sempre quis te devorar.