Essa é minha participação no 'desenhe no seu estilo' da Lidiane Dutra. Uma de minhas metas para este ano é estudar mais sobre a nossa cultura indígena e achei que seria um bom momento pra começar. Fiz uma ilustração em aquarela da Iara, da tribo Ashaninka, em um banho de Ayahuasca, em companhia do periquito-rei. No dia do índio do ano passado fiz minha primeira pintura baseada em um retrato de uma índia Ashaninka, porque me apaixonei pela história de luta desse povo e por suas pinturas corporais e adereços. Essa pintura da Iara traz alguns elementos que eu pretendo escrever um pouquinho mais sobre no blog.
#Repost @arealspiller • • • • • • Das lindezas da vida! 🏹 O povo Ashaninka @ashaninka.apiwtxa lançou no início de julho uma campanha para ajudar as comunidades vizinhas enfrentar o COVID19. 25% do objetivo foi atingido. Para comemorar, os Ashaninkas estão disponibilizando filmes dirigidos e produzidos por artistas Ashaninka. Vamos publicar aqui os filmes e como acessá-los. Salve as nossas vitórias! 🏹 #ashaninkas #campanha #audiovisual #cinema Ajude-nos alcançar os 100% da meta!! No stories tem o link para doações e da matéria completa sobre o processo inicial dessa campanha https://www.instagram.com/p/CCoryo3pjjp/?igshid=s0cy3rqcy67u
Cacaoteros con mucha preocupación por la situación en el Perú y el mundo
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ADEX informa de una pérdida económica de hasta 40% en los cultivos
PREOCUPACIÓN POR LA SITUACIÓN DEL SECTOR CACAOTERO Por la inamovilidad en el país no se puede cosechar el cacao y esto ha originado una gran pérdida para los agricultores.
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Get lost in the expression of silence . . . Do you dream of waking up on the top of a sacred hill where peace reigns, with a splendid dawn, surrounded by an innate beauty? What better to do in: 😉👆🌳🌄 CCNN Sans Miguel Centro Marankiari 5km to Santa Ana - Chanchamayo - Perú . . . . . . . #ashaninkas #trip #forest #adventures #nicenights #travelphotography #travel #photooftheday #photgraphie #ashaninka #culture #instatravel #holidays #vacaciones #Peru #maravilla #photo #instaphoto #hill #sacredfire #jungle #amazonia #joint #chanchamayo #lamerced #caff (en Santa Ana - Perene - Chanchamayo - Peru.) https://www.instagram.com/p/B2rqLysH-Dn/?igshid=12wdlej5wjpvd
Em janeiro eu fiz uma aquarela com elementos da cultura da tribo Ashaninka para o “desenhe no seu estilo” - o #drawthisinyourstyle - da Lidiane Dutra, e senti necessidade de falar um pouquinho mais sobre estes elementos que foram inseridos e como foi esse processo - esse post demorou pra sair, eu sei, mas sabe como é a correria da vida né.
Apesar de manter a ideia, a disposição e os elementos originais da Lidy no meu trabalho, eu alterei o conceito deles e contei outra história. Eu gosto muito de criar um mundinho especial pra cada ilustração, as vezes não é uma história propriamente dita, mas uma ideia de um momento particular daquela personagem, e deixar a imaginação do expectador fluir.
Primeiro vamos ao trabalho da Lidy, que você pode ver em melhor qualidade e conferir seu processo criativo clicando aqui.
Eu tinha estes elementos para trabalhar: a sereia, a xícara e o pássaro. Passei a me perguntar quem ela era, o que significavam estes elementos e como eu poderia trabalhar com eles colocando uma visão particular.
Como estou em uma busca de minhas/nossas origens e uma de minhas metas para este ano era iniciar um estudo para conhecer mais sobre o nosso país e a cultura indígena, achei que poderia começar por aqui.
Os Ashaninkas, haviam me chamado atenção uma vez quando procurava uma referência de pintura corporal para uma aquarela e me apaixonei pelas fotos que encontrei. As imagens a seguir são do livro “Ashaninka: O poder da beleza”, publicação do Museu do Índio (1). O fato de serem em preto e branco foram um bom desafio, assim eu que deveria dar cores à minha aquarela se quisesse - e eu queria.
E assim ficou a minha interpretação em aquarela. Essa pintura foi produzida em abril de 2018.
Pois bem, voltamos agora ao desafio: sereia, xícara e pássaro.
A sereia com certeza seria Ashaninka - elemento 1 definido - ou seja, uma Iara - mãe d‘água - com seus lindos cabelos negros, tronco de mulher e cauda de peixe, que habitava o Rio Amazonas, personagem do nosso rico folclore brasileiro.
Vale comentar também que os Ashaninkas vivem na região que abrange o Peru e, em solo brasileiro, o Acre, portanto em região amazônica.
Para a xícara, eu decidi usar a referência de uma cumbuca de barro indígena - elemento 2 definido.
Então, pesquisei sobre pássaros e sua relação com este povo e cheguei até um calendário Ashaninka segundo os hábitos dos animais (3) onde conheci o Periquito-rei ou Periquito- estrela, o Tsitxoki - elemento 3 definido. Segundo o texto encontrado:
“Quando desponta o botão da flor do mapiitoshi (arbusto com cerca de 1,5 metros de altura, também referido como iyomawo tsitxoki “medidor de periquito”), o periquito está nascendo. Quando a fruta da topa está se partindo ao meio para que as sementes saiam, o filhote de periquito já está bom para ser apanhado e criado. Isso ocorre durante o mês de setembro.”
E esse é o periquito e se quiser ouvir o seu canto, clique aqui.(4)
Com os elementos principais definidos, passei a pensar na composição. Decidi deixar o branco do papel e não fazer um fundo, queria que que estes elementos estivessem em evidência.
Aí me surgiu a pergunta: “ela está se banhando em quê?
Bora pesquisar mais um pouco!
Em uma das referências que encontrei (2), me chamou a atenção um ritual de cura xamânico com a utilização da Ayahuasca, segue um trecho:
Entre os Ashaninka, tanto a bebida feita de ayuaska como o ritual são chamados kamarãpi (vômito, vomitar). A cerimônia é sempre realizada à noite e pode se prolongar até de madrugada. Um Ashaninka pode consumir o chá sozinho, em família ou convidar um grupo de amigos, mas, geralmente, as reuniões são constituídas de grupos pequenos (cinco ou seis pessoas). O kamarãpi se caracteriza pelo respeito e silêncio [...] e a comunicação entre os participantes é mínima e apenas os cantos, inspirados pela bebida, vêm romper o silêncio da noite. [...] Esses cantos sagrados do kamarãpi não são acompanhados por nenhum instrumento musical. Eles permitem aos Ashaninka comunicarem-se com os espíritos, agradecerem e homenagearem Pawa.
O kamarãpi é um legado de Pawa, que deixou a bebida para que os Ashaninka adquirissem o conhecimento e aprendessem como se deve viver na Terra. As respostas a todas as perguntas dos homens estão acessíveis com o aprendizado xamânico, que é realizado através do consumo regular e repetitivo da bebida, durante anos. A formação do xamã (sheripiari), no entanto, nunca pode ser considerada como concluída. Se a experiência lhe confere respeito e credibilidade, ele está sempre aprendendo. É através do kamarãpi que o sheripiari realiza suas viagens nos outros mundos e adquire a sabedoria para curar os males e as doenças que afetam a comunidade.
A cura realizada através do kamarãpi é eficaz apenas para as doenças nativas causadas, geralmente, por meio da feitiçaria. Contra as “doenças de branco” os Ashaninka só podem lutar com o auxílio de remédios industrializados.
Pesquisei um pouco mais sobre a kamarãpi - que conhecia pelo nome Ayahuasca ou Santo Daime, e descobri que essa bebida é obtida a partir de partes de duas plantas amazônicas: o cipó de Mariri (Banisteriopsis caapi) e as folhas da chacrona (Psychotria viridis). Existe um ritual na fabricação do chá ou extrato que é rigorosamente seguido, mas cada tribo ou religião tem seu próprio.
Psychotria viridis e Banisteriopsis caapi
Decidi então representar a minha Iara se banhando no kamarãpi e, depois de toda essa pesquisa, foi que comecei a rascunhar.
As pessoas, no geral, acreditam que o ilustrador tira suas ideias de uma cartola mágica e as joga euforicamente no papel, não imaginam que além do tempo utilizado para executar o trabalho em si, anteriormente a ele tem toda a busca por referencial teórico e imagético, e é ali que as ideias começam a tomar forma, bem antes do lápis tocar o papel.
Meu processo criativo em aquarela tem envolvido primeiro o rascunho a lápis no papel, depois passo um lápis de cor pra definir bem as linhas e então traço com caneta nankin pra ficar mais fácil de enxergar na mesa de luz.
Com a ajuda da mesa de luz eu passo o desenho para o papel de aquarela, primeiro com lápis HB e depois finalizo o desenho com um lápis 4B ou 6B ou então um lápis de cor aquarelável, dependendo do efeito que estou querendo. Neste trabalho eu finalizei o desenho com um lápis aquarelável. Para só então chegar na parte da pintura.
O processo é longo, mas vale a pena!
Eu amei muito fazer esse trabalho e toda a pesquisa que ele envolveu, espero que tenham gostado <3
UM POUCO MAIS
Referências:
Sobre o Livro “Ashaninka: O poder da beleza”: https://www.xapuri.info/biomas/amazonia/ashaninka-o-sagrado-poder-da-beleza-indigena/
Informações diversas a repeito do Povo Ashaninka: https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Ashaninka
Calendário Ashaninka segundo os hábitos dos animais: https://www.xapuri.info/news/o-calendario-ashaninka-segundo-os-habitos-dos-animais/