Kjell Askildsen
Traducción del sueco de Kirsti Baggethun y Asunción Lorenzo
Nórdica, 2020
Hay veces que te quedas mirando al cielo y las formas y el movimiento de las nubes te recuerdan algo o a alguien. Se construye en tu cabeza toda una historia y, cuando te quieres dar cuenta, algo te distrae y te devuelve al día a día de la calle. Vuelves a mirar al cielo buscando de nuevo lo que inspiró tu…
Sampdoria have completed the signing of Norwegian midfielder Kristoffer Askildsen from Stabaek Fotball. The 19-year-old arrives from Eliteserien after playing 14 games in the Norwegian top tier last season and has signed with the Blucerchiati until June 2024. “I was told about the interest on Thursday and arrived on Sunday,” he told Stabaek’s official website.…
“Gondold csak el, egyáltalán gondoltál-e valaha arra, hogy egy nap leforgása alatt mennyi felhalmozott badarság tűnik el? Számtalan agyban, ami megszűnik működni, ott székel a badarság. De aztán újra elönt mindent, mert vannak olyanok, akik könyvekbe foglalják és így tartják életben, és amíg az emberek regényeket olvasnak, addig temérdek ostobaság marad fenn, bizonyos regények különösen ezt a célt szolgálják, ezekből van a legtöbb”
Quando tudo se cala e o homem é obrigado a lidar consigo mesmo, a culpa emerge, a solidão instala-se e a vida torna-se quase intolerável. A inevitabilidade do aparecimento da ausência, da instalação do “Nada”, é um peso árduo de suportar. É este vazio que o autor consegue captar de forma sublime tanto em “Uma vasta e deserta paisagem” (Ahab Edições) como em “Um repentino pensamento libertador” (Ahab Edições).
Askildsen escreve o necessário e nada mais. Ao deixar de dizer o que se intui, ao conseguir um (quase) perfeito equilíbrio entre o dito e o não-dito, o autor consegue mostrar o horror que o ser humano sente pelo vazio. A história que nos é contada é um instante essencial na vida do (s) interveniente (s), onde os conflitos permanecem irresolúveis. O leitor percebe que há mais aquém e além do que é mostrado. As várias histórias que compõem “Uma vasta e deserta paisagem” são estupendas criações literárias, onde o autor consegue no formato de narrativa curta capturar a angústia da solidão e a incapacidade de percebermos integralmente quem é o “Outro”
Em “Não sou assim, não sou assim”, o narrador não consegue ter uma conversa sobre amor, amizade, ou seja, não consegue sair de si e ir ao encontro do seu interlocutor. Essa Alteridade é-lhe ofensiva.
“ E quando, para cúmulo de tudo isto, começou a falar de amor, decidi dar por terminada a minha visita. Há muito pouco amor no mundo, disse ele, tem de haver mais amor pelo próximo. Era confrangedor. Quem é o próximo?, perguntei eu, e o que é o amor?” Pag.23.
Esta postura é sublinhada, também, em “O estimulante funeral de Johannes”, onde observamos a aversão a sentimentos e atenção alheias. A passividade perante os acontecimentos e sentimentos, condizentes com o estatuto de observador não vinculado, é a condição desejada por grande parte das personagens de Askildsen.
Em “O jóquer”, o narrador tem necessidade de sair de casa (acontecimento) para poder observar e concluir que nada é aquilo que pensava. Antes de sair, ele afirma: “ Talvez tenha sido esse o motivo, a chuva suave e o silêncio, o certo é que aconteceu o que acontece de vez em quando: cai sobre nós um vazio enorme, como se a própria falta de sentido da existência entrasse por nós adentro e se estendesse como uma imensa e despida paisagem” Pág.57
E é quando deixa de ser interveniente directo e passa a espectador que consegue apreender a essência de toda a estrutura física e emocional que o rodeia.
Askildsen incide o seu olhar sobre o espaço que reside entre as pessoas, as brechas de cada relação, o silêncio que mora nas frases e o vazio implementado pela efemeridade da Vida.
Quando tudo se cala e o homem é obrigado a lidar consigo mesmo, a culpa emerge, a solidão instala-se e a vida torna-se quase intolerável. A inevitabilidade do aparecimento da ausência, da instalação do “Nada”, é um peso árduo de suportar. É este vazio que o autor consegue captar de forma sublime tanto em “Uma vasta e deserta paisagem” (Ahab Edições) como em “Um repentino pensamento libertador” (Ahab Edições).
Askildsen escreve o necessário e nada mais. Ao deixar de dizer o que se intui, ao conseguir um (quase) perfeito equilíbrio entre o dito e o não-dito, o autor consegue mostrar o horror que o ser humano sente pelo vazio. A história que nos é contada é um instante essencial na vida do (s) interveniente (s), onde os conflitos permanecem irresolúveis. O leitor percebe que há mais aquém e além do que é mostrado. As várias histórias que compõem “Uma vasta e deserta paisagem” são estupendas criações literárias, onde o autor consegue no formato de narrativa curta capturar a angústia da solidão e a incapacidade de percebermos integralmente quem é o “Outro”
Em “Não sou assim, não sou assim”, o narrador não consegue ter uma conversa sobre amor, amizade, ou seja, não consegue sair de si e ir ao encontro do seu interlocutor. Essa Alteridade é-lhe ofensiva.
“ E quando, para cúmulo de tudo isto, começou a falar de amor, decidi dar por terminada a minha visita. Há muito pouco amor no mundo, disse ele, tem de haver mais amor pelo próximo. Era confrangedor. Quem é o próximo?, perguntei eu, e o que é o amor?” Pag.23.
Esta postura é sublinhada, também, em “O estimulante funeral de Johannes”, onde observamos a aversão a sentimentos e atenção alheias. A passividade perante os acontecimentos e sentimentos, condizentes com o estatuto de observador não vinculado, é a condição desejada por grande parte das personagens de Askildsen.
Em “O jóquer”, o narrador tem necessidade de sair de casa (acontecimento) para poder observar e concluir que nada é aquilo que pensava. Antes de sair, ele afirma: “ Talvez tenha sido esse o motivo, a chuva suave e o silêncio, o certo é que aconteceu o que acontece de vez em quando: cai sobre nós um vazio enorme, como se a própria falta de sentido da existência entrasse por nós adentro e se estendesse como uma imensa e despida paisagem” Pág.57
E é quando deixa de ser interveniente directo e passa a espectador que consegue apreender a essência de toda a estrutura física e emocional que o rodeia.
Askildsen incide o seu olhar sobre o espaço que reside entre as pessoas, as brechas de cada relação, o silêncio que mora nas frases e o vazio implementado pela efemeridade da Vida.
Hace muchos años que dejé de ir al peluquero; el más cercano se encuentra a cinco manzanas de aquí, lo que me resultaba bastante lejos incluso antes de romperse la barandilla de la escalera. El poco pelo que me crece puedo cortármelo yo mismo, y eso hago, quiero poder mirarme en el espejo sin deprimirme demasiado, también me corto siempre los pelos largos de la nariz.
Pero en una ocasión, hace menos de un año, y por razones en las que no quiero entrar aquí, me sentía aún más solo que de costumbre, y se me ocurrió la idea de ir a cortarme el pelo, aunque no lo tenía nada largo. La verdad es que intenté convencerme de no ir, está demasiado lejos, me dije, tus piernas ya no valen para eso, te va a costar al menos tres cuartos de hora ir, y otro tanto volver. Pero de nada sirvió. ¿Y qué?, me contesté, tengo tiempo de sobra, es lo único que me sobra.
De modo que me vestí y salí a la calle. No había exagerado, tardé mucho; jamás he oído hablar de nadie que ande tan despacio como yo, es una lata, habría preferido ser sordomudo. Porque ¿qué hay que merezca ser escuchado?, y ¿por qué hablar?, ¿quién escucha? y ¿hay algo más que decir? Sí, hay más que decir, pero ¿quién escucha?
Por fin llegué. Abrí la puerta y entré. Ay, el mundo cambia. En la peluquería todo está cambiado. Solo el peluquero era el mismo. Lo saludé, pero no me reconoció. Me llevé una decepción, aunque, por supuesto, hice como si nada. No había ningún sitio libre. A tres personas las estaban afeitando o cortando el pelo, otras cuatro esperaban, y no quedaba ningún asiento libre. Estaba muy cansado, pero nadie se levantó, los que estaban esperando eran demasiado jóvenes, no sabían lo que es la vejez. De manera que me volví hacia la ventana y me puse a mirar la calle, haciendo como si fuera eso lo que quería, porque nadie debía sentir lástima por mí. Acepto la cortesía, pero la compasión pueden guardársela para los animales. A menudo, demasiado a menudo, bien es verdad que ya hace tiempo, aunque el mundo no se ha vuelto más humano, ¿no?, solía fijarme en que algunos jóvenes pasaban indiferentes por encima de personas desplomadas en la acera, mientras que cuando veían a un gato o un perro herido, sus corazones desbordaban compasión. “Pobre perrito”, decían o “Gatito, pobrecito, ¿está herido?” ¡Ay, sí, hay muchos amantes de los animales!
Por suerte, no tuve que estar de pie más de cinco minutos, y fue un alivio poder sentarme. Pero nadie hablaba. Antes, en otros tiempos, el mundo, tanto el lejano como el cercano, se llevaba hasta el interior de la peluquería. Ahora reinaba el silencio, me había dado el paseo en vano, no había ya ningún mundo del que se deseara hablar. Así que al cabo de un rato me levanté y me marché. No tenía ningún sentido seguir allí. Mi pelo estaba lo suficientemente corto. Y así me ahorré unas coronas, seguro que me habría costado bastante. Y eché a andar los muchos miles de pasitos hasta casa. Ay, el mundo cambia, pensé. Y se extiende el silencio. Es hora ya de morirse.
El mundo ya no es lo que era. Ahora, por ejemplo, se vive más tiempo. Yo tengo ochenta y muchos, y es poco. Estoy demasiado sano, aunque no tenga razones para estar tan sano. Pero la vida no quiere desprenderse de mí. El que no tiene nada por que vivir tampoco tiene nada por que morir. Tal vez ese sea el motivo.
Últimas notas de Thomas F. Para la humanidad, Kjell Askildsen.
Vi må være glad vi har det så godt som vi har det, sier folk, de fleste har det verre. Og så tar de en pille mot søvnløshet. Eller mot depresjon. Eller mot livet.
Kjell Askildsen. Thomas F’s siste nedtegnelser til almenheten (Oppløpet)