1º Encontro: ensino de capoeira e danças brasileiras em Paris
No primeiro encontro do ciclo de estudos Corpos Lusófonos, dia 17 de março de 2022, recebemos a professora e dançarina Marion Lima, da associação Le P'tit Bal Perdu e o Mestre Guará, da École de Capoeira Angola de Paris.
A conversa com ambas foi muito enriquecedora. Em um primeiro momento, Marion Lima nos contou seu percurso, desde quando conheceu o forró, até a criação de sua associação e as aulas e eventos que organiza. Foi muito interessante escutá-la: Marion é uma professora que tem muito respeito e uma bonita escuta em relação à cultura brasileira, cultura que ela conheceu já adulta, pela qual se encantou e com a qual trabalha atualmente.
Sua associação, Le P'tit Bal Perdu, foi fundada em Paris em 2006. Atualmente, oferece cursos de forró, frevo, além de canto de músicas brasileiras e danças brasileiras para crianças. Marion nos contou dos eventos que realiza na França e também no Brasil (sobretudo no Rio de Janeiro). Também tivemos a oportunidade de conversar sobre o público de suas aulas: tanto pessoas brasileiras, que já conheciam as músicas e danças, quanto o público europeu, que, muitas vezes, tem o primeiro contato com essas manifestações artísticas em suas aulas.
Neste encontro, recebemos também o Mestre Guará, da École de Capoeira Angola de Paris. O mestre também nos contou um pouco de seu percurso, desde o Rio de Janeiro até a Europa. Foi também a ocasião de conversarmos sobre a amplitude que tem a capoeira na Europa, afinal, vários países europeus têm mestres e mestras de capoeira, que ensinam e partilham os conhecimentos dessa luta.
Em nossa conversa, Mestre Guará defendeu a importância de se partilhar não só os movimentos e técnicas da capoeira, mas também ensinar os cantos, apresentar o contexto de emergência da capoeira e sua importância para a cultura brasileira. Segundo ele, tudo isso faz parte de suas aulas de capoeira angola.
A conversa com nossas duas convidadas nos mostrou caminhos diferentes que ambas traçaram. Marion, francesa, que conheceu as danças brasileiras já adulta, e Mestre Guará, que cresceu no Brasil, vendo, desde criança, os mais velhos jogarem capoeira. A diversidade de percursos nos mostra como é rica a trajetória das professoras que ensinam danças e artes brasileiras em Paris.
A partir deste encontro, podemos refletir como há um contexto diverso de aprendizagem e contato com a cultura brasileira em Paris, afinal, há muitas outras pessoas que ensinam forró, capoeira e outras danças brasileiras em Paris e na França. Podemos também imaginar que, em um nível europeu, essa diversidade é ainda maior.
Agradeço a presença de Marion e Mestre Guará, e a disponibilidade para esse conversa, que foi tão enriquecedora para nós, alunas do mestrado de Estudos Lusófonos!