Molly sentia-se apreensiva e insegura. Fazia anos, anos que ela e Lysander não trocavam um presente de natal. Se é que iam trocar naquele ano. Depois de terem voltado a conversar por causa do que a ruiva nomeou como a-aventura-do-bolo-de-chocolate, Molly não tinha muita certeza de em que pé a relação dos dois estava, e não tinha tido oportunidade de vasculhar a mente dele para descobrir. Na verdade, ela nem mesmo sabia se teria coragem de fazê-lo: tinha medo do que poderia descobrir. De qualquer forma, tudo o que ela sabia é que tinha ali, em mãos, um presente para o rapaz. Todo o resto era uma outra história...
Tinha pensado em marcar um encontro na torre de astronomia, a meia-noite. ‘Dramático demais.’, descartou a ideia. Depois, tinha lhe ocorrido pedir para que o pai a levasse até a casa de Luna Lovegood e Rolf Scamander para que ela pudesse entregar o presente em mãos para Lysander, na véspera de natal. Só o pensamento de Percy suspeitando dos sentimentos que ela nutria pelo amigo já era o suficiente para fazê-la corar, ‘melhor não...’. Ademais, não tinha um presente para Lorcan, e era melhor que não entregasse o do irmão mais velho na cara dele, em nome das boas maneiras.
Decidiu, então, simplesmente improvisar. Conseguiu reunir coragem para abordá-lo durante o jantar, duas noites antes de pegar o Expresso Hogwarts de volta para casa. Cutucou-o quando ele repetia a sobremesa. “Tenho uma coisa pra você.” ela disse, quando ele voltou-se para ela. E então, uma ideia lhe ocorreu. “Mas deixei no meu quarto.”, mentiu. “Me encontra no jardim em uma meia hora?” A pequena luneta (x) que ela pretendia lhe dar estava segura no bolsão interno das vestes pretas e amarelas de Molly, mas Lysander não precisava saber. A bruxa gostou de ter uma desculpa para vê-lo mirar o céu, particularmente estrelado naquela noite, com o presente que ganharia em pouco tempo. Isso, ela pensou, enquanto fingia tomar o caminho do dormitório, mas dirigia-se correndo até o jardim, com o menor desvio possível para não dar na cara, era muito melhor do que marcar um encontro descarado na torra de astronomia, à meia noite.