caleb nunca tinha passado o natal em hogwarts. geralmente não haviam festas assim na escola, e não que em sua casa fosse um mar de alegria e presentes. por isso os olhos escuros passeavam pelos detalhes da decoração das mesas e do teto, e também passava pelas pessoas, encarando os sorrisos e os comprimentos amistosos que só essa época do ano parecia reviver. ele estava inspirado pelo natal, mas ainda sim, sentia-se ansioso para dar o presente dele a lily.
quando a viu, começou a atravessar o mar de pessoas no salão, até se aproximar de onde ela estava. ❝ hey, darling ❞ a tempos não a chamava assim, o que o fez sorrir mais abertamente com a liberdade que pareciam ter um com o outro. ❝ eu não aguento mais guardar segredo ❞ e assim, tirou uma pequena caixinha vermelha do bolso, mostrando a ela. ❝ na verdade eu não sei como eu pude guardar isso por tanto tempo ❞ disse, ele, revelando ser ela a sua amiga secreta. ❝ abre ❞ ele deu a caixinha a ela e deixou que abrisse, revelando um medalhão redondo e dourado, com o desenho de um lírio.
caleb suspirou fitando o presente. de canto de olho, enquanto via as pessoas trocando presentes, e era coisas incríveis. mas aqueles tempos haviam sido bem complicados, e ele estava fazendo o que podia. ❝ era da minha mãe. ela levava para todo lado, é muito especial para mim ❞ ele voltou a atenção a lily, e pegou o medalhão, segurando os ombros de lily para virara de costas, colocando o colar nela e depois virando-a delicadamente para si novamente. ❝ eu queria te dar um presente melhor… eu sei que o pingente é simples, mas… eu acho que é como eu vejo você ❞ seus olhos escuros encararam os dela. ❝ você é simplesmente você. não precisa de nenhuma pedra preciosa para se destacar, porque tem esse brilho próprio que me atrai. assim como o colar ❞ mas caleb sendo caleb, não conseguia manter as mãos longe de lily, então se aproximou dela, uma mão se apoiando no rosto dela, fazendo-a olhar para cima, para os seus olhos. a outra mão começou passando pelos ombros da lily, passeando pela clavícula e subindo pelo pescoço. ❝ e assim como você, quando eu toco-o, o pingente me deixa extremamente inebriado ❞ e assim ele tocou o pingente, e um doce perfume de lírios invadiu o redor dos dois, o colar liberando o seu feitiço. o olhar de lily para ele, o jeito que seus sentimentos se enbolavam e a certeza que havia em seu peito o faziam querer gritar que amava a ruiva, e que queria a chamar de namorada, e queria ser somente dela.
A presença dele foi percebida pelo tom de voz que já era tão familiar para a ruiva, um sorriso imediatamente lhe iluminando a face como só ele sabia fazer naquelas ultimas semanas. Quando Caleb revelou que ela era a sua amiga secreta, tudo que Lily fez foi rir, pois agora fazia sentido que ele fosse tão paranoico em não deixá-la descobrir quem havia tirado. Também parecia muita coincidência, e não podia deixar de pensar como aquele momento seria diferente se ocorresse há alguns meses atrás, quando os dois não se suportavam.
Pegou a caixinha nas mãos e a abriu, ficando surpresa com o colar que estava dentro dela. Ela conhecia aquela flor, era óbvio, mas o que havia a surpreendido mais era que a pequena joia fosse da mãe do garoto. Como uma leve coincidência, uma brincadeira do destino que esfregava na cara da Potter “viu? era pra ser”, enquanto algumas semanas atrás ela conversava com Rose sobre a veracidade dos sentimentos do corvino sobre ela. Ainda procurando palavras para se expressar, virou de costas para Yaxley e deixou que ele colocasse o colar em si, sentindo as bochechas arderem enquanto ouvia todas as palavras do moreno, sem fazer ideia de como poderia retribuir um presente tão bonito.
Completamente entregue aos toques dele, era como se tudo ao redor da garota parasse no tempo, um estado congelado onde só ela e Caleb existiam, e por Merlin, como ela gostaria de poder ficar o resto da vida ali. Mesmo com todas as dificuldades, era tudo tão fácil com ele. O cheio de lírios a invadiu e a ruiva não conseguiu fazer nada que não fosse colar os lábios nos dele, não dando a mínima sobre quem veria ou o que diriam, pois se havia uma coisa que a morte de seu pai havia lhe ensinado era sobre colocar as coisas em perspectiva. Nunca deixava de demonstrar o amor que sentia pelo homem, mas ainda sim haviam tantas coisas sobre ela que ele não fazia ideia... Ela não queria ter aquele sentimento com mais ninguém, não queria ter a sensação de que poderia ter feito muito mais para que o outro se sentisse amado.
Os braços o abraçavam enquanto o beijava de forma lenta, tão carinhosa quanto poderia e inevitavelmente de uma forma mais íntima e envolvente do que jamais houvesse feito antes. Estava sentindo tantas coisas dentro de si, ele não fazia ideia. “Você não faz ideia do quão importante é que confie em mim desse jeito. Esse medalhão é tão bonito, meu anjo, é o melhor presente que você poderia ter me dado.” Disse baixo, após um bom tempo o beijando. Nunca seria o suficiente, no final das contas. “Você tem certeza que quer me dar algo da sua mãe?” A insegurança não era sobre ele, mas sobre ela. Lily se amava mais do que qualquer coisa, mas mesmo confiante ainda tinha sentimentos profundos de insuficiência que se manifestavam em todos os seus relacionamentos, fossem esses namoros, amizades ou até familiares. Ela não podia deixar de pensar que sempre esperavam mais dela do que ela poderia oferecer, e que então sempre decepcionaria a todos. Aquilo só aumentava quando se tratava de alguém como Caleb, que na visão dela era tão incrível que poderia ter (e teve) qualquer outra garota dentro do castelo, então por quê ela?