Tudo o que rodeia a minha mente são coisas vazias, ou pesadas demais. Me sinto bloqueada e sem timbre de voz. Quero dizer, na verdade, meu timbre ainda existe, mas não da forma com que deveria ser; é um timbre irritante, aquele que ninguém tem vontade de ouvir.
Um timbre tão desdenhoso, que me sinto constrangida ao falar. Nunca poderei levar uma conversa séria, pois meu timbre me envergonha e irrita quem me ouve falar.
Estou quase literalmente no mais alto penhasco, prometi que faria pactos para que não me entristecesse, mas minha vida se resume em quebrá-los; sinto muito se perdi os sentidos, eu sinto. Pelo menos algo eu sinto, mesmo que seja a coisa mais insignificante das coisas insignificantes, mas é uma evolução. Claro que é. Há tempos em que tudo que se encontrava em mim era sobra, era amor demais, palavras demais e assim ia indo... Hoje me encontro nas mais imperfeitas condições, pois quem iria querer se envolver afetivamente com alguém que só tem tudo de menos à oferecer? Ou, então, quem não sabe expressar-se verbalmente. Arrisco a dizer que até mesmo fazendo mímica seria um fracasso. Sei que deveria colocar pra escanteio essas tolices e me aceitar como sou internamente, mas eu não consigo entender, pois tudo que sinto é o eco de um grito distante, desejando loucamente sair pela boca, para ser ouvido não só pelo fígado e órgãos, mas também pelos ouvidos humanos.