Como poderemos viver da forma que quisermos?
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Como poderemos viver da forma que quisermos?
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#AVidaÉ como um #chiclete colado em baixo de uma #mesa na #escola. Se tiver #coragem, pode ser #doce. https://www.instagram.com/p/BxfibmWl8ZV/?utm_source=ig_tumblr_share&igshid=1rmcgdg6670wx
Surpresa
Algum Lugar No Paraná, Uma Caixinha de Surpresas | 21.03.16
Não era muito tarde ainda (quase nove horas da noite) quando a polícia rodoviária parou o nosso ônibus comum (que deveria ser executivo) e começou a tirar muitas caixas do bagageiro, achei estranho demais e comecei a comentar com meus companheiros de mochila. De repente mais um policial e mais um e mais um, lanternas e facas, que começaram a abrir caixas do ônibus 3367, placa MKP 1357 que deveria nos levar de Guarapuava – PR a São José dos Campos – SP em, no máximo, doze horas. Já era esquisito o suficiente pensar na possibilidade de ter um traficante dentro do ônibus, e nós, como jovens descabeçados que somos, começamos a fazer piadas para aliviar a tensão. Da minha janela vi os policiais darem a volta e pensei que, talvez, tudo tivesse quase acabando, talvez fosse rotina daquela rota que vinha do Paraguai, mas a vida meus amigos é uma caixinha de surpresas...
Saímos atrasados de Guarapuava no ônibus errado, nossa passagem nos indicava o ônibus de número 676758 e do tipo Executivo, subimos num ônibus comum com bancos cheios de água de chuva, pessoas esquisitas e nenhum espaço. Ao invés de acompanhante de bordo carregando o ônibus era o próprio motorista que estava auxiliando nas bagagens enquanto Guilherme AlgumaCoisa (terceirizado que vendia passagens?) conferia nossas passagens e preenchia um relatório branco encardido que não tinha o nome da empresa. Embarcamos e logo mais, surpresa!
Enquanto a polícia dava a volta o motorista sr. Antônio pegou o celular muito rápido e fez duas ligações muito rápidas, depois disso começamos a ficar com medo de verdade porque, se tivesse alguma coisa errada ali o motorista aparentava estar envolvido e qualquer um nesse momento, meus amigos, ficaria desmotivado, abalado, até mesmo um pouco apreensivo mas não nós aspirantes a missionários que achávamos que, talvez aquilo era só um treinamento bobo que teríamos que enfrentar no campo, mas a vida (ela) é uma caixinha de surpresas e algumas pessoas do ônibus começaram a demonstrar um estresse incomum a nossa curiosidade e, de repente, meus amigos e minhas amigas, várias (várias mesmo) pessoas do ônibus começaram a mandar a gente calar a boca e sentar porque não deveríamos estar olhando para os policiais (?), porque eles não gostam (??) e quando é assim querem mostrar mais serviço (???) EU ESTAVA ENTENDENDO UM TOTAL DE VÁRIOS NADAS NAQUELE MOMENTO E, na calma que sempre consome meu ser eu respondi para a mulher mais próxima que me ofendia a seguinte frase cheia de domínio próprio (dois pontos) “SE TU QUER TRAZER MUAMBA DO PARAGUAI E A POLICIA TE PEGOU – FIA – A CULPA NÃO É MINHA” :D (aulas comigo de como responder traficantes) PORQUE A VIDA É UMA CAIXINHA DE SURPRESAS e eu, imbecil, pensava que tavam parando a gente porque alguns turistas burros trouxeram muambas demais do Paraguai MAS NAAAAAÃO, A VIDA ELA GENTE, AMIGOS, POVO, É UMA CAIXINHA DE SUPRESAS e quando o motorista subiu no ônibus e foi direto em UMA pessoa, e cochichou no ouvido dela, e ela desceu pra falar com a polícia, junto com um velho careca estilo breaking bad, e TODOS os outros passageiros começaram a se chamar PELO NOME enquanto entravam e saiam do banheiro tremendo, eu SEI que QUALQUER UM ficaria desesperado, levemente incomodado, quem sabe um tanto quanto amedrontado e abatido sem vontade de cantar uma bela canção (a não ser tipo Paulo e Silas na prisão), mas não a gente (que já estávamos era quase chorando mesmo, sério).
Como um grupo de nove crentes genuínos nos revezamos entre orar, cochichar, comer e tirar fotos escondidas caso não sobrevivêssemos e alguém achasse nossos restos mortais. E A VIDA que é UMA caixinha de EMENSAS surpresas bateu mais uma vez a nossa porta quando vimos que os policiais aceitaram, o que gente? PROPINA do Walter, breaking bad brasil e liberou o ônibus aí nesse ponto específico já era qualquer um (ha não ser o Chuck Norris) ficaria desmotivado, levemente amedrontado até mesmo um pouco entristecido e ficamos. A mulher que eu chamei de “fia” virou para dizer que (dois pontos) “Nós viajamos sempre juntos, a gente sonega imposto como o Lula nos ensinou, porque cada um precisa do seu ganha pão, as vezes a gente paga e as vezes a polícia pega o que quiser de mercadoria, eu sei que vocês não tem nada com isso mas vocês são estudantes e nós precisamos ganhar a vida por isso se eles nos pararem é só não olhar que tudo se resolve”- pausa dramática -.
CHAMA O SHAMU PARA TUDO QUE EU QUERO DESCER GENTE SOCORRO ERA NÓIS E TRINTA MIL TRAFICANTE DENTRO DO ÔNIBUS E NÃO ADIANTAVA LIGAR PRA POLICIA QUE TAVA COMPRADA E NÃO ADIANTAVA LIGAR PRA EMPRESA PQ ELES NOS MANDAVAM PRA TRINTA TELEFONES DIFERENTES (empresa se chama Catarinense, inclusive, nunca peguem esse ônibus na life de vocês), qualquer um depois dessas informações inéditas desses trabalhadores honestos que estão apenas no seu “ganha pão” ficariam com medo, com medo e talvez um pouco com medo e até nós que ficamos com medo e bolamos um plano (totalmente falível) de descer na próxima parada e pegar outro ônibus, qualquer coisa pelo amor de Jesus que não fosse aquele ônibus porém, entretanto, todavia, contudo, não tivemos paradas até as três da manhã (uma parada de vinte minutos no meio do nada) e depois direto em São Paulo na Barra Funda onde uma van preta com o vidro preto SIM PRETA COM O VIDRO PRETO TIPO TERRORISTA QUE QUER MATAR O JACK BAUER esperava eles que, eu consegui contar como um grupo de DEZESSEIS pessoas. Tinha um jovem e vários velhos e velhas traficantes (eram muambas, muito provavelmente, pra 25 que você vai passear quando tá em sp). Tinham carregadores esperando e eles descarregaram o busão, carregaram a van do mal, nos olharam feio (tirei mais fotos) e foram EM BO RA.
Depois disso, o que gente? O motorista parou numa garagem pegou uma mochila preta do bagageiro, saiu fora e depois de QUARENTA MINUTOS apareceu um cara X (diz que era supervisor) e nos informou que trocaríamos de ônibus, subimos num ônibus executivo (pasmem) e, agora, lá vamos nós para São José dos Campos, com já duas horas e meia de atraso e novas histórias na mochila porque a vida, meus amigos, minhas amigas, é uma caixinha de surpresas.
“O problema do Brasil (é o que?) é o brasileiro”