Três horas e vinte e sete minutos da madrugada.
Namjoon suspirou. A noite gélida fez com que sua respiração tornasse-se visível, criando uma nuvem recheada de reflexões confusas e desnecessárias. Não era a primeira vez que o cantor passara a noite em claro, atormentado por sua própria mente.
Por mais que tentasse e tentasse, não conseguia encontrar um modo de desligar o próprio cérebro, pô-lo em stand by para que pudesse descansar verdadeiramente e sentir-se revigorado na manhã seguinte.
Dia após dia, a impiedosa brisa noturna de Seul trazia consigo uma miríade de preocupações que invadiam a mente de Namjoon sem clemência. Passado e futuro castigavam o presente, impondo lembranças e situações hipotéticas que ser humano algum conseguiria solucionar. A crueldade de seus pensamentos fazia seu coração palpitar, a garganta fechar e as lágrimas caírem; a ansiedade tomava conta de seu ser e não havia nada que pudesse fazer para amenizá-la.
Tantas vezes havia desejado não existir. Não cobiçava o suicídio, queria apenas que sua existência jamais houvesse se feito. Mas sabia que isso era ainda mais irrealizável. O que poderia fazer diante desta situação? Estava lá, vivo e respirando. Era um homem como qualquer outro, capaz de errar e aprender, sorrir e chorar, amar e temer. Como qualquer outro, preocupava-se com o que poderia vir a ser e lamentava o que havia sido. Estava ciente disso e daquilo…
Possuía um intelecto invejável, que era sua bênção e ruína; sua consciência era um universo próprio, caótico em sua construção, maculado por buracos negros, mas adornado pelas mais belas estrelas.