Action/Reaction [Lyanna&Ophélie]
Não há sorte no jogo. Há perícia… Não importa qual a combinação de cartas, qual a diferença entre vícios e virtudes num jogo de Wicked Grace… Em vez disso importa o método. Por esse mesmo motivo Ophélie não dedicou mais de cinco segundos a olhar para a sua mão. Uma boa jogadora não precisa de conhecer as suas cartas, precisa de conhecer as outras. Olhou os restantes com quem partilhava a mesa, uns matutando, outros partilhando histórias de outros tempos, contando piadas… Empurrou toda uma pilha de soberanos adiante, com olhar astuto e desafiador. Logo alguém foi estúpido o suficiente para dobrar a sua aposta… O jogo prosseguiu, por entre mais risadas embriagadas. Quando chegou a altura, pousou a mão sobre a mesa, com as cartas voltadas para baixo e sorriu. “Prontos, meus senhores?” Disse antes de se revelar vencedora. “Outra vez? Já é a quarta vez consecutiva!” Bradou um dos outros jogadores. “Ora meu senhor, sorte…” Declarou após dar uma leve risada que quase parecia inocente enquanto recolhia as moedas dispostas em cima da mesa. Então levantou-se do banco para se sentar sobre a mesa, pousando o alaúde sobre as saias enquanto lhe afinava as cordas.
A noite já corria longa e a taverna estava cheia de gente. Embora se fosse distraindo por onde passava, partilhando as suas histórias, cantando bonitas melodias e trapaceando em jogos fáceis, não se havia esquecido dos reais motivos da sua deslocação. Por esse mesmo motivo, e porque a população do local o justificava decidiu lançar um isco ali mesmo… Certamente que alguém naquele local teria algum rumor sobre o que se havia passado com os Guardiões Cinzentos.
Clareou a voz com umas tossidelas secas. “Bem meus senhores, alguém sabe o que realmente aconteceu em Ostagar?” Logo um dos homens que habitava a mesma mesa ergueu a sua voz e, berrando, relatou o que sabia (ou o que achava que sabia). “Guardiões Cinzentos… Escumalha da pior espécie! Abandonaram o rei em combate! Graças a Andraste o Duque Loghain se salvou, ou Ferelden estaria perdida contra esta praga!” Berrava bem alto, como se quisesse que todos os demais presentes o ouvissem. “Mesmo que a cabeça desses miseráveis dos guerreiros não estivesse a prémio, eu juro que se algum deles se atravessasse à minha frente eu o matava logo ali!”