Chilling Adventures: Bastièn Smythe
Mas Victoria você não pode debutar a criança sem nem falar dos pais dela, AH BOM, MAS EU SÓ TINHA OVERDRIVE TOCANDO NO FONE E UM SONHO DE PARIR UM CADELINHO FOFO.
Pedindo desculpas apenas pros pais, recém chegados na empresa e fruto do maior ship de 2022, e só, porque fui incapaz de pegar gente da cinco aleatoriamente pra passar por isso aqui.
Atenção: o conteúdo contém fortes cenas de FANFIC DE UM FANFIQUEIRO PIQUE LARA JEAN E PIOR.
Boa leitura.
Conan Gray, obrigada por tudo.
"As coisas... Saíram um pouco do controle."
Eu sabia que não era a melhor desculpa, mas depois de situações assim, em que eu terminava sentado na diretoria, meio rasgado, ralado e confuso, ainda com o sangue correndo violentamente nas veias e pensando em matar alguém só com a força das minhas mãos, era só o que eu conseguia dizer. Era o único jeito que dava pra descrever.
A porra toda tinha saído do controle.
As pessoas já tinham visto Artemis McCarthy por aí, certo? Como ela era a pessoa mais legal e gentil e divertida de todas, e mesmo que tudo que ela falasse se parecesse mais como um trem desgovernado e ela vivesse fazendo a gente comer docinhos cobertos por brilho, era inacreditável que alguém pudesse não gostar dela, mas bem pior que isso: que alguém fosse capaz de intimidar ela.
─ O senhor não pode bancar o Capitão América sempre que tem vontade. Aqui é escola, não uma zona de guerra. ─ O diretor começa a argumentar em tom de sermão, e um que eu sabia que ia ser muito longo, por isso fui logo tentando me defender.
─ Não tem nada a ver com ser um herói. Ela é minha amiga e precisava ser defendida, e se o senhor e... Todo mundo dessa administração soubessem como é naquele pátio, iam saber que é, sim, uma zona de guerra. ─ Eu tenho certeza que pareço descontrolado agora, porque ele está me analisando com os olhos quase fechados, a cara de quem ia me dar uma advertência se eu não parasse com aquilo. ─ Se parassem de aceitar gente escrota nesse lugar, talvez eu não precisasse sair por aí dando lição nesses cuzões.
E eu levei mesmo uma advertência, mas tudo bem, porque era só uma outra segunda-feira pra mim.
─ Eles fizeram por merecer hoje também, Bastièn? ─ Amélia, secretaria na recepção, me pergunta assim que eu saio pelo porta e sento na cadeira do corredor, lixando as unhas enquanto parece estar no telefone com alguém.
─ Ninguém chama meus amigos de esquisitos. ─ Dou de ombros enquanto ofereço um sorriso pra ela, feliz por eu não ser a pessoa com um dente faltando.
─ Isso mesmo que a senhora ouviu, senhora Smythe. Seu filho é um tijolinho.
E eu bem que queria argumentar, perguntar se era legal ela estar repassando aquelas coisas pra minha mãe e ainda achar normal, mas quando a porta da orientadora do outro lado do corredor se abriu e uma pessoa saiu por ela, me senti congelar, e de repente, o mundo não era mais o mesmo.
Tudo tinha mudado.
Eu não sabia que gostava de ficar em casa e do silêncio até conhecer aquela pessoa. Eu sempre fui agitado e gostava de coisas agitadas e achava que não funcionava na calmaria e sutileza dos momentos; porque eu mesmo não era calmo, e muito menos sutil, mas então... Eu gostava.
Gostava de passar a tarde vendo filmes, gostava de falar sobre a escola e a vida e minhas coisas favoritas enquanto olhava pro teto pontilhado de estrelinhas brilhantes do quarto dessa pessoa, gostava de tocar essa pessoa e me deixar ser tocado também. Eu gostava do quão orgânico e suave aquilo parecia, e tinha certeza que nada no mundo era melhor do que aquilo.
─ Não quero que isso termine. ─ Murmuro contra a pele da pessoa, sentindo todo o calor e conforto que emana dali, totalmente intoxicado, atraído e entregue.
Eu já tinha ido em encontros antes, mas nem um deles se parecia com aquilo. E eu já tinha saído com essa pessoa antes, mas aquilo... Aquilo era diferente de tudo o que eu já tinha tido - sentido - na vida.
Era como se a roda gigante fosse um milhão de vezes maior e ficar no topo dela fosse muito mais alucinante do que normalmente era. Era como se o algodão doce fosse ainda mais doce, e o cheiro de pipoca ainda melhor, e os prêmios daquelas barraquinhas duvidosas valessem um milhão de dólares.
E de repente tudo parece ridículo e sem sentido, perto da pessoa. Na minha cabeça, todo mundo deveria estar ao redor daquele ser humano, admirando e amando e adorando tanto quanto eu, porque eram os olhos mais bonitos do mundo, e o sorriso mais bonito do mundo, e não existia na terra nada mais incrível e maravilhoso e adorável.
─ Estou apaixonado por você. ─ Digo soltando um suspiro, e quando sinto aqueles braços me apertarem mais naquele abraço, faço o mesmo, como se fosse o meu mundo todo ali. ─ Tão, tão... Tão apaixonado por você.
E eu jurei que ia aceitar e viver as coisas boas e ajudar e enfrentar as ruins, e eu prometi que sempre ia ser leal e verdadeiro e presente. Não eram juras, palavras e muito menos promessas vazias. Por que se não fosse com tudo, o que ia restar em um relacionamento?
Eu dirigia por todas as ruas, e passava por todos os bairros, até nós dois nos sentirmos bem. Longe do drama da escola, dos nossos clubes, dos nossos amigos e de pais absurdamente amorosos e presentes que não iam entender toda aquela confusão adolescente em nossas cabeças. Eu podia chegar a qualquer lugar com aquela pessoa ao meu lado, segurando minha mão e cantarolando minhas músicas favoritas comigo.
E que se dane a escola, e o futebol, e a natação, e o clube do coral e as notas altas e está sempre sorrindo e ficando bravo no segundo seguinte. Eu só precisava da praia e aquela pessoa nos meus braços, no meio da noite e sozinhos, onde ninguém podia nos ver e nem julgar e nem dizer o que devíamos fazer.
Era só...
Uma questão de tempo. Se eu fosse mais rápido, e tivesse dormido menos no ponto enquanto a pessoa passava pelo corredor e eu ainda me encontrava perdido em todos aqueles cenários de relacionamento perfeito, que meu cérebro me proporcionou durante aqueles trinta segundos.
Prendo a respiração, tentando superar tudo que acabei de viver na minha cabeça, toda a fantasia e expectativas e roteiros que acabei de criar, e acho que vou ter um ataque cardíaco, porque sem dizer uma só palavra ou saber aquele nome, tinha vivido e visto a melhor parte da minha vida.
Agora, provavelmente, indo pra casa depois de esvaziar o armário.
─ Bastièn Smythe, você é muito peculiar. ─ Amélia diz, como se tivesse acabado de ser telespectadora daquilo tudo, quase sacando uma pipoca da bolsa. ─ E isso é sensacional.
Mas a que custo?













