“Mas não tem como não olhar para trás. Não tem como não lamentar, como não querer voltar no tempo em que eu era feliz do teu lado, como não preservar uma esperança idiota de que as coisas tomem um rumo diferente e voltem a ser o que eram antes. Não há jeito de lutar agora e, esperar sentada as coisas se resolverem nunca foi meu forte. Então eu só finjo. Ou costumava fingir. Sei lá. Na verdade, nem sei por que ainda me presto a procurar notícias suas quando eu sei que saber que você leva sua vida, não sente minha falta e nem mesmo vê alguma dificuldade em não estar mais comigo vai atrapalhar todo o meu discurso de “eu já superei ele”. Não entendo essa mania besta de implorar para as minhas amigas me dizerem qualquer coisa sobre você, qualquer umazinha, só pra matar a saudade. Pra atualizar a minha lista de decepções que envolvem você. Nós prometemos ser tanto e agora somos um nada sem graça, sem total compatibilidade com as minhas expectativas. E por eu ter desejado até o seu dedo mindinho, te digo que eu sinto muito. De verdade, eu realmente sinto. Demais. Incessantemente. Exaustivamente. Sinto descontroladamente o fato de termos nos perdido por culpa do nada. Por não saber o que fez você mudar de ideia tão rápido. E eu sei que você também não entendeu muito bem nem sabe por que você escolheu ela. Nós não vamos conseguir zerar nossas contas e recomeçar. Isso é coisa de filme. E eu sei também, que você não quer recomeçar. Nem eu quero, na verdade. Não mais. Só acho ridícula essa minha necessidade de cutucar minha ferida que nunca cicatriza. Eu excluí todas as mensagens suas que eu tinha no meu celular para provar aos quatro cantos do mundo como eu não sinto sua falta, como eu sou madura e garoto nenhum consegue me derrubar. Porque para o mundo, eu só admito que eu sou forte. Mas é inútil dizer isso quando eu vejo tuas redes sociais todos os dias. E eu repito para mim mesma como sua namorada nova não te completa, e como você não está feliz com ela. Mas é impossível me iludir com você me provando todos os dias o contrário. Como esse teu sorriso sincero em toda maldita foto em que você está do lado dela. Não consigo admitir o fato de que as notas dela são melhores que as minhas e que a voz dela soa muito mais bonita. E os olhos dela? São lindos. E, coincidentemente, eu sou o oposto dela. Com todas as letras. Em cada mínimo detalhe. Odeio como vocês dois são incrivelmente fofos juntos. O modo como vocês combinam e se completam. É difícil admitir e perceber que outro alguém consegue te fazer feliz, enquanto eu ainda não encontrei ninguém que faça o mesmo por mim. É inaceitável ver que você seguiu em frente sem nenhuma dificuldade, quase que sem sentir que eu estava impedindo que você desse um passo para longe de mim. É inaceitável que outra garota que é o inverso de mim tenha te completado da mesma forma que eu o fiz. Eu tenho pavor dessa tua facilidade de encontrar alguém que te ame de verdade, essa facilidade que você tem de traçar caminhos diferentes para nunca mais me encontrar por aí. Não haja como se eu não tivesse lutado para que nós déssemos certo. Você sabe que eu fiz de tudo, mesmo quando todo mundo desacreditou em nós. E realmente, veja só... Eles tinham razão em desacreditar. Para ser sincera, eu nunca estive certa sobre nós. Em nenhum momento. Em todas as coisas que eu acreditava sobre você. Nós não fomos feitos para durar. Nem aqui, nem em outra vida. Nós não vamos ter um futuro nem vamos nos encontrar daqui alguns anos cheios de saudade dos velhos tempos. E não só pelo fato de sermos completamente opostos, mas sim porque não era para ser. Só não se arrependa. Da gente. Eu sei que valeu a pena, e você também, então, por favor, não se esqueça que um dia nós existimos. Guarda essa pra você: eu fui feliz de um jeito que eu nunca tinha sido, mesmo negando, mesmo tentando provar o contrário, tentando te deixar com a culpa. Eu te amei o tempo todo. E me arrependo de não ter te contado isso quando ainda havia esperanças de que, se você soubesse disso, soubesse tudo o que eu sentia e que hoje coloco no papel, talvez as coisas tivessem sido diferentes. Tivessem ido ao meu favor. Não sei. Gostaria de saber. Sei que, mais uma vez, provo o quão egoísta eu sou em relação a nós dois, mas não suporto te ver com outra pessoa que não seja eu. Talvez esse seja um dos motivos pelos quais hoje não somos mais nós. Só entenda o meu lado: é um pouco mais do que eu posso aguentar saber que todas as coisas que você dizia para mim, hoje diz para ela. É mais do que eu posso aguentar saber que seus amigos a aprovam totalmente. É triste saber que você não pensa mais no que nós poderíamos ter sido — e que ainda poderíamos ser se tentássemos — e que para você, hoje eu já não faço diferença. Eu deixei de existir para você, não deixei? Só não diga que foi fácil me apagar completamente da sua vida, por favor. Não me deixe saber que eu nunca fiz diferença, até porque, eu sei que eu te marquei. Sei que no fundo, eu já fiz diferença. Pode dizer para sua nova garota o quanto ela é especial e do quanto você a ama, do quanto ela é linda e do quanto qualquer garota se torna invisível perto dela, mas não deixe de lembrar que um dia você já disse isso para mim. Mas tudo bem. Um dia, mesmo que demore, você vai perceber que eu faço falta. Porque você foi o único cara que, quando foi embora, me deixou sentindo um vazio enorme. E você sabe, não importa quantas garotas passem pela sua vida, algo sempre vai te fazer lembrar de tudo quando você ouvir meu nome. Assim como sempre que alguém falar não apenas seu nome, mas a palavra amor, eu sempre vou lembrar de você. Porque ninguém nunca fez a falta que você faz, ninguém nunca me fez sentir do jeito que você ainda me faz. Então só guarda isso: minha porta sempre vai estar aberta para você, mesmo que minha vontade seja trancá-la para nunca mais ter que passar por tudo de novo. Então, se bater a saudade, me liga. Parte de mim sempre vai pertencer a você e espero que você saiba disso. Eu sinto falta de nós. E mesmo você tendo desistido de mim, eu acredito em nós dois. Acredito, droga.” — Bárbara Brasil